Atenção, continuamos a tentar dar-lhe a informação mais actualizada. Mas os tempos são instáveis, por isso confirme sempre antes de sair de casa.
Lojas tradicionais: as mercearias de Lisboa onde o tratam pelo nome
Abasteça-se no comércio tradicional, com as melhores mercearias em Lisboa.
Casas centenárias, outras mais recentes. Talvez se lembre de entrar pela mão do pai, da mãe, da avó ou do avô, até pela da madrinha, numa destas mercearias castiças e devidamente atafulhadas de História. Se calhar não, dando-se o caso de ser jovem e ainda as estar a descobrir. Mas, uma vez descobertas, não vai ter dúvidas de onde encontrar os melhores queijos e enchidos, fruta fresca, legumes cheirosos, sumos e frutos secos. Ah, e o charme, claro está, porque estas lojas são também lugares de encanto, onde volta e meia já nos conhecem pelo nome. Conheça o roteiro das melhores mercearias em Lisboa e deixe-se encantar.
Recomendado: As melhores lojas tradicionais em Lisboa
Lojas tradicionais: as melhores mercearias de Lisboa
Mercearia Bristol
Onde: Baixa
Idade: Incerta, foi restaurada em 1924
Há caça na Rua das Portas de Santo Antão. Leu bem. Não falamos de pratos de caça, de coutos de caça, nem de caçadores de arma em punho. Falamos de uma curiosa frutaria com décadas e décadas de vida, que além de todo o tipo de maçãs, pêssegos, bananas, clementinas, figos, morangos – a lista muda consoante a época, pois claro –, vende caça. A perdiz está a 14,50€/unidade, o coelho tem o mesmo preço, mas a lebre vale 27,50€/unidade. “E também vendemos lampreia na época dela”, conta Alípio Gonçalves Ramos, na casa há 46 anos. Os produtos vêm maioritariamente do Alentejo, ainda com penas e pele. “Só não trazem a tripa. É um truque para se manterem mais fresquinhos.” A tradição de casar fruta e caça existe à mesa, é certo, numa mercearia já é mais raro, mas existe aqui há largos anos. “A casa é bem antiga, não sei a idade certa. Mas O Grande Elias [filme português de 1950] teve uma parte filmada aqui.”
Mercearia Progresso
Onde: Alcântara
Idade: A caminho dos 52 anos
É o protótipo de mercearia à moda antiga, com garrafas empoeiradas de vinhos do Dão, alguns Porto Vintage e outros exemplares de mesa, com uns quantos queijos e enchidos na montra do balcão de inox, com caixas de fruta bem arrumada e – fonte de grande procura – muito bacalhau. Atrás do balcão está João Jorge, que não se importa de lhe vender já a proteína para o Natal.
Pérola de São Mamede
Onde: Príncipe Real
Idade: Mais de 50 anos
“Vai pingando”, respondeu Celestino Almeida, à pergunta da praxe: “Como vai o negócio?”, quando o conhecemos pela primeira vez. Os tempos são outros, disse, “a malta nova já não quer saber do bacalhau, do feijão a granel”, mas nem isso o demove de continuar a ter produtos frescos todos os dias. Seja o pão de Mafra, as carcaças, os queijos frescos, “a mortandela que corto aqui na fiambreira”, além de arrozes, massas, cereais, águas, tudo etiquetado à mão em papelinhos. A loja toda forrada a armários antigos azuis claros, balcão de mármore e ladrilhos amarelos, é um deleite para o Instagram, e o próprio dono, vindo de Oliveira de Frades de castigo, com dez anos, trabalhar para a loja do padrinho, está bem habituado a fama e fotografias. Passe para dois dedos de conversa e de saída leve um Esquecido, uma bolacha aparentada de bolo caseiro e viciante (12€/kg).
Churrasqueira dos Passarinhos
Onde: Campo de Ourique
Idade: Incerta, mas mais de 50 anos
Dois pães compridos, dois queijinhos frescos e meio frango acabado de assar não passam dos cinco euros e picos. A soma paga a Manuel Loureiro, dono da churrasqueira-mercearia, por uma cliente habitual, enquanto decorria a conversa com a Time Out, mostra que aqui os preços ainda são à moda antiga. Os preços e todo o cenário. Do lado de cá do balcão de inox, onde habitam os queijos – “este da Queijaria Guilherme, em Serpa, é muito bom” – e enchidos da praxe, há frutas e legumes; do lado de lá há bebidas, iogurtes e outros lacticínios e uma grelha com rotação por onde passam frangos, entrecostos e entremeadas. Ou seja, daqui leva-se uma refeição completa.
Rodrigues & Silva – Frutas e Legumes
Onde: Poço dos Negros
Idade: 38 anos
No meio das cafetarias cool e das lojas (a que vamos chamar) very typical, apresenta-se esta mercearia de frutas e legumes que Ana Pinto, trabalhadora da casa há dez anos, comprou recentemente. Os frescos – espinafres carnudos, maçãs bravo de esmolfe cheirosas, abóboras fatiadas –, têm selo português, chegam do MARL e alinham-se em caixas ao lado de bons queijos, enchidos e pães tradicionais.
Mercearia da Glória
Onde: Bairro Alto
Idade: Incerta, mas estima-se que a caminho dos 90 anos
Nisto das lojas antigas da cidade, nem sempre é fácil fazer as contas aos anos de vida de um sítio. “Estamos aqui há 50 anos, já havia a loja com um senhor que esteve, vá, 23 anos, outro antes que devem ter sido 17, portanto veja”, contabiliza a dona Glória, que gere o negócio com o irmão. Abastecem-se de frescos no MARL e no Mercado da Ribeira, têm uma montra de queijos e enchidos compostinha, ainda vendem leguminosas e frutos secos a granel, lado a lado com aqueles velhinhos frascos XL de creme Revlon e uma série de produtos de drogaria. No meio da modernização do bairro, é como achar uma agulha no palheiro.
Mercearia Casa Celeste
Onde: Bairro Alto
Idade: 120 a 126 anos, a proprietária já não se recorda. Se calhar já tem mais.
No meio de tomates-chucha, de diospiros, de morangos, de marmelos, de cebolas, beterrabas, tudo muito cheiroso e de aspecto bem fresco, encontram-se umas caixinhas com feijão verde já arranjado. Serão para clientes especiais? “O que não se consumir, vende-se; o que não se vender, consome-se.” Não é exactamente o lema da mercearia gerida por Maria Celeste (autora destas sábias palavras) a meias com a irmã, Maria Augusta, mas podia, já que basta passar cinco-sete minutos aqui para perceber que os mimos são muitos. Para clientes da casa, mas também para quem passa, espreita e, obviamente, entra. Os mimos e tudo aquilo que vendem: frescos vindos do Mercado da Ribeira, polvos congelados, queijos frescos daqueles que se comem só com sal e pimenta, frutos secos, charcutaria, é escolher. A qualidade está lá. Palavra Time Out.
Frutalmeidas
Onde: Avenida de Roma
Idade: 49 anos
Há quem lá vá pelos pastéis (legítimo), quem sonhe fazer anos para encomendar o bolo de morango e natas (compreende-se) e quem passe só para beber um sumo de fruta (acertadíssimo). Mas se de cada vez que lá for levar também um cesto de fruta fresca – “nacional sempre, estrangeira quando é preciso”, diz Freitas, gerente desde os anos 80 –, está a contribuir para a manutenção do comércio nacional. Pense nisso.
José Manuel Ribeiro
Onde: Avenida
Idade: Mais de 60 anos, diz o actual proprietário que a gere desde 1977.
Queijo da Serra, enchidos da Beira Alta, miolo de amêndoa, nozes, tâmaras, papo-secos de Mafra, pão saloio... era possível continuar a debitar produtos por estas linhas fora. Mas vamos poupar-lhe a chatice de ler uma lista de compras e dizer apenas que na casa de José Manuel Ribeiro, que aqui começou como empregado, é tudo de qualidade e à moda antiga. Comece pelos queijos frescos... e depois falamos.
Festival dos Sabores do Lima
Onde: Avenida
Idade: 40 anos
Se o seu sonho é conhecer o fadista Camané, plante -se à porta desta mercearia tradicional e espere que ele lá vá beber a bica do dia. “É um querido”, diz Elisabete Lima, que herdou a loja dos pais. Aproveite o compasso de tempo para comprar uns frescos vindos do MARL – “vou lá todos os dias depois de fechar” –, beber os sumos naturais de fruta, provar os bolinhos de canela (delícia!), comer uma sandes de carne assada, comprar uns queijos frescos ou qualquer tipo de detergente/enlatado/lacticínio que precise. “Olhe, é bom para uma faltazinha. Por isso é que há as mercearias tradicionais.”
Outras compras
Os melhores sítios para comprar plantas em Lisboa
Bonsais, cactos, árvores de fruto, arbustos, plantas rasteiras, trepadeiras, folhas grandes e miudinhas, tudo para compor as divisões lá de casa ou até mesmo para dar outra vida ao quintal – se for o caso. Estes sítios reúnem alguns dos mais raros exemplares da natureza aos mais simples e vulgares.
As melhores lojas para comprar loiça em Lisboa
Acabaram-se as desculpas para servir o jantar com loiça de meia tigela. Há quem guarde as peças mais bonitas ou mais valiosas para ocasiões especiais, mas — aqui que ninguém nos ouve — todas as refeições devem ser celebradas e acompanhadas por cerâmicas com alguma linhagem.
As melhores lojas de móveis em Lisboa
Há alternativas à marca sueca na cidade, muitas são portuguesas de gema e têm carimbo artesanal, sem descuido das tendências contemporâneas e das maravilhas da alta tecnologia. Entre tantas opções, o difícil será escolher.