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80 coisas que aprendemos na Web Summit

Por Maria Ramos Silva
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Foram quatro jornadas de maratona tecnológica na Altice Arena e arredores. E a verdade é que para lá da espuma dos dias e da euforia mediática não faltam projectos, ideias e frases inspiradoras capazes de puxar pela massa cinzenta do mais infoexcluído dos mortais. Ou imortais, se seguir o plano de James Vlahos, apenas um dos muitos que deixou a plateia de boca aberta. 

1. Uma das coisas que pode ouvir num pitch, enquanto se dá tudo por tudo para vender uma ideia, é: "em que é que este texto se distingue do que já existe no mercado". Perdão, "em que é que este produto se distingue do que já existe no mercado?". No último dia foi revelado o grande vencedor. Esperemos que chegue ao fim destas linhas.

2. A Lifeina venceu o pitch de melhor startup da cimeira, com um pequeno frigorífico ou box para conservar medicamentos

3. A imaginação humana não tem limites. Ora conheça algumas das mais incríveis startups encontradas pelo nosso redactor Luís leal Miranda.

4. Por exemplo, a Digital Genious, ligada à inteligência artificial, é a campeã da popularidade, segundo dados da própria cimeira. Foi a mais cobiçada pelos jornalistas. Nas duas semanas que antecederam a cimeira, mais de 1500 investidores e 2200 jornalistas solicitaram mais de 50 mil encontros com startups. Seguiram-se a Deepomatic e a Clark no topo da pirâmide de interesse.

A sala reservada aos media

5. No fundo, é tudo uma questão de fazer as contas. "Vivemos num mundo em que transformamos tudo em uns e zeros", diz Carlos Moedas, anunciando a capital de inovação 2017, ao segundo dia de conferências

6. Ora bem, previna-se sempre com numerário. Terça-feira fizemos compras numa food truck que desesperava por trocos e ainda aguardava a instalação do Multibanco.

7. Ah, entretanto ficámos a saber que a capital da inovação 2017 é Paris

8. Atenção, se toda a gente sabe que os bebés vêm de França, "o futuro vem da Ásia" quando falamos de Gamertainment, assegura Rick Kelley, do Facebook.

9. No encerramento da Web Summit, Marcelo Rebelo de Sousa diz que quer cimeira em Lisboa em 2019, em 2020 e por aí fora. Num discurso enérgico, ao seu melhor estilo, insiste no apoio ao acordo de Paris sobre as alterações climáticas.

10. A avaliar por uma sondagem com pequenos autocolantes brancos na zona Planet: Tech, a maioria acredita que a solução para salvar o planeta é revolucionar a forma como consumimos. 

11. Maior ameaça para o planeta? O consumismo desenfreado está à frente do capitalismo, mas os líderes políticos estão em segundo lugar na escala de responsabilidade

12. Algumas pessoas ainda pensam que os combustíveis fósseis vão ter um "papel essencial" no futuro

13. Continuando pela Gália, ficou claro que a sala não aprecia quando um ex-presidente francês François Hollande se expressa na sua língua natal numa cimeira em que toda a gente fala em inglês. A debandada a escassa distância da hora de almoço foi significativa. Next.

Ali ao fundo está Hollande, cuja imagem começou a desfocar-se mal começou a falar

14. O encadeamento não é o mais agradável para abordar depois do almoço mas não há propriamente boa altura para falar de diastasia do recto. Descobrimos que dois terços das mães sofrem de diastasia do recto, a avaliar pela startup Potzak, no domínio da health conscious.

15. As boas práticas também podem melhorar a vida dos progenitores. Uma boa forma de domar os miúdos é pô-los a fazer jardinagem. Uma sugestão da Haut Potager, para fazer face "aos videojogos"

16. Em pouco tempo, sentimo-nos crianças grandes num parque de diversões. Que o diga o nosso fotógrafo, que já se converteu ao chat da app Web Sumit, que sintoniza os participantes na cimeira.

17. Que desculpa invoca para este baptismo? A que toda a gente usa. "Era só para ver se funcionava"

18. Em matéria de tecnologia, espera-se que muita coisa funcione no campo do desporto. Como as diferentes modalidades serão consumidas em cinco anos é o tópico no palco SportsTrade. "Queremos acção e obter os melhores ângulos", resume Barbara Slater, da BBC.

19. Por falar em chats e vontade de "obter os melhores ângulos", não estranhe se desconhecidos meterem conversa consigo através do dito chat. Citemos este caso verídico: "gostava muito de te mostrar as minhas opiniões sobre Inteligência Artificial". Alguma burrice? Você decide.

20. Mais uma vez, a pessoa anterior devia ter consultado o guia criado pelo nosso redactor Luís Leal Miranda, sobre desbloqueadores de conversa

21. De futuro, não fique excessivamente ansioso a preparar a sua ida. Fomos tão rápidos a instalar a nossa app que depois desta ainda houve uma actualização, motivo para a nossa estar a funcionar a meio gás, explica-nos Matthew, no atendimento aos media. Lição: não vale a pena ser mais papista que o papa.

- Click to pray é mais um negócio, que por acaso tem muito a ver com a linha anterior

22. Se tiver problemas com o Wi fi, "o apoio pode reportar o problema à PT ,que por sua vez emite um ticket, e...". Deixe lá. Força aí nos dados móveis.

23. Se o seu tele não aguenta a net básica seja realista: é sinal que, tal como nós, tem que comprar um novo

24. No recinto, a água é grátis. O café também. Não há descafeinado mas segundo uma menina do apoio, não há razão para alarmes. "É por leite no café, vai dar ao mesmo"

25. Food trucks como a do Fumeiro Artesanal de Seia convivem harmoniosamente com balcões veganos, pipocas, e algodão doce.

26. Devido à presença das carrinhas anteriores, e das mesas corridas de madeira, onde se amontoam copos, para não falar de spots de venda de cerveja, o cenário em muito se assemelha a um festival de Verão. Quase o diríamos com segurança se o tempo não tivesse esfriado. 

27. No lugar de um carro dá para estacionar umas 10 bicicletas, evidência saída de uma conferência sobre partilha de bicicletas na China

28. Aborde desconhecidos. A prática matinal implementada por Paddy pode dividir opiniões mas aqui todos parecem felizes. O fundador da cimeira pede às pessoas que se levantem e se apresentem a três pessoas à sua volta.

29. A Uber tem novidades para os utilizadores. Apanhe boleia do artigo sobre "Ridesharing in the sky"

30. Já agora, sabe quantas pessoas circulam na Uber em todo o mundo? 65 milhões.

31. É possível sobreviver às viagens de metro durante a cimeira. De resto, o seu Uber ou Caby pode não estar disponível

32. A "terceira vaga da tecnologia" é explanada por Steve Case (Revolution). Recorda que "nos anos 80 ninguém gostava de tecnologia" e reconhece que alguns trabalhos serão destruídos com o tempo, outro serão criados. A área da saúde poderá ser uma das mais afectadas positivamente.

33. A sua interlocutora é óptima, uma boa razão para seguir o rasto a Kara Swisher, editora executiva da Recode. Admite que há 25 anos achava loucas as previsões de Steve Case e, que déssemos por isso, foi a única a usar a palavra "fuck" em palco. Mais do que uma vez até.

34. Por falar em fuck, neste caso, fuck.it. Há uma startup com este nome, que pretende recongelar os polos. Tinham ido almoçar. Parece que não fomos os únicos a deparar com o vazio. Sempre atento, Luís Leal Miranda leu-nos o pensamento no seu primeiro parágrafo. Vá lá outra vez.

35. A tecnologia tem um problema de diversidade. Não é uma pergunta, é a afirmação que dá o mote para um encontro entre Susan Herman, presidente da American Civil Liberties Union; Sarah Kunst, CEO da Proday, Blake Irving, CEO da GoDaddy; e Jane Martinson, colunista do The Guardian.

36. Nos anos 80 as mulheres estavam melhor representadas na ciência, concordam, ainda que 58% dos negócios nos EUA sejam hoje geridos por mulheres.

37. Calar não é solução. "Se vir algo, faça algo. Se não é parte da solução, é parte do problema", aponta Susan Herman, quando aflorada a questão do assédio.

38. Ainda entre números, 42% dos participantes na cimeira são mulheres, um destaque deixado por Paddy na conferência de imprensa que inaugurou as hostilidades no último dia de cimeira.

39. De caminho, outra pergunta na calha. Nova cimeira em Lisboa? "É como perguntar a um jogador de ténis a meio do jogo quais são os seus planos para o fim-de-semana. Ainda tenho 12 horas pela frente", refreia Cosgrave.

40. A esfera dos robots não é suficiente para eliminar os laivos de sexismo. Senão vejamos o desempenho dos humanóides Sophia e Einstein em palco, ou melhor, do seu moderador, "Fala agora tu Sofia, que és mais gira", atira Ben Goertzel, da Hanson Robotics&Singularity Net. A Arábia Saudita acabou de conceder cidadania a Sophia.

41. Os três criadores do fenómeno Angry Birds fizeram 51 jogos antes deste. Em 2019 estreia-se a sequela do filme. Não só não estão chateados como cantam de galo.

42. O pavilhão onde nos encontramos pode mudar de nome as vezes que quiser. Não há tecnologia que resolva o efeito de eco e a acústica desta arena. Claro que prometemos não regressar. E claro que acabaremos por quebrar a promessa.

43. Ao contrário do que almejava o moderador e todo o mundo inteligente, 18 minutos de conversa não chegam para resolver o flagelo das fake news, que já cá andam forte e feio, pelo menos com este cognome, "há cinco anos". "Servem interesses políticos e comerciais.", diz Joseph Kahn, do NY Times, defendendo que os agregadores de notícias devem definir o seu estatuto e decidir se são ou não empresas de media.

44. Precisamos de um ministério da verdade? interroga-se o moderador, Ian Katz, do Channel 4. Deixamos a especulação orwelliana nas suas mãos.

45. É difícil apurar o grau de confiança nos media europeus. Que o diga Ann Mettler, da Comissão Europeia, que hesita na resposta

46. Antes, defendera que "os leitores devem aprender a ser editores deles próprios". "Não dá para ser naif em relação ao digital"

47. Um ano depois da eleição de Donald Trump, Bruno de Carvalho é apresentado como o Donald Trump português e esclarece: "não sou louro e a minha mulher é mais bonita que a dele". "No futebol, quando se é um pouco louco atinge-se os objectivos.", acrescentará mais adiante.

48. Um ano depois da eleição de Trump, falemos do próprio Trump. Michael Isikoff da Yahoo News dá uma lição de jornalismo em menos de meia hora. Brad Parscale, guru digital do presidente norte-americano, tem a certeza que "a América vai continuar a apoiar a agenda de Trump." "Venho de uma sociedade de consumo e ele é um grande produto.

49. Facto cristalino como água: Há sempre uma agitação numa sala quando o assunto é Donald Trump. O público aplaude quando lhe perguntam se sente que Trump enganou os seus leitores já que boa parte das suas promessas eleitorais ficaram pelo caminho. "He's the best president in town", responde.

50. Segundo Parscale, tudo o que Trump tem que fazer para ser reeleito é "continuar a tweetar". De resto, considera que não é grave amplificar a mensagem disseminada por um bot russo.

51. Conselho para o presidente? "Ele que me recontrate em 2020". Inspire-se para pedir um aumento ao seu chefe.

52. Pense para lá de 2020, centre-se na eternidade (calma, já estamos fora da política e do seu circo). A Talk to Me, apresentada por James Vlahos, permite algo tão bizarro como comovente. "Artificial Imortality, Letting my dad live forever" é uma viagem à possibilidade de eternizar quem amamos - na certeza de que as pessoas não vivem para sempre mas as memória sim. Imagine conversar com um bot que "estudou" todo o historial do seu ente querido, e que funcionará para sempre num servidor em São Francisco. Recorde a reportagem na Wired. 

53. De volta a 2017 e aos controlos de acesso. Se um segurança lhe perguntar se "tem algo nos seus bolsos?" e você responder "não", ele confiará e você seguirá em frente. - Domingos Soares de Oliveira, administrador da SAD do Sport Lisboa e Benfica, defende que "no final do dia o que conta é o talento" mas não é fácil reter no clube os mais talentosos. "If you pay peanuts you get monkeys. E não queremos macacos". Nota: a palavra "peanuts" passou no teste da pronúncia.

54. Com as suas t'shirts azuis, os voluntários são mais de 2 mil, muitos na casa dos 21 anos, descreve Paddy Cosgrave. Não recebem um salário de futebolista mas têm direito a almoço.

55. Em três anos, foram investidos 15 mil milhões de dólares em startups que desfilaram pela cimeira da tecnologia. Só nesta edição, passaram por Lisboa duas mil. 67 são da Nigéria, 31 de Moçambique (pediram-lhe dados de África e Paddy não encontra o Quénia na lista)

56. A cryptocurrency, ou o universo das moedas digitais, pode ser o próximo tema a granjear mais espaço na próxima edição. O fundador prevê ainda o reforço do tema da IA.

57. Alexa é a senhora que se segue. Apresentamos o sistema da Amazon que aposta na voz para tornar os interfaces mais naturais. O futuro é o passado? "Voice is the new standard", palavra de Werner Vogels, CTO da empresa.

58. Algumas pessoas já tiveram vontade de dizer "i love you" a Alexa, que está "cheia de skills na cloud". Pergunte-lhe como está o tempo, que ela responde.

59. Agora a sério, em que é que um ser humano banal não a bate? A ler de uma assentada o número 2005480610574. "Um demente pode perguntar-lhe vinte vezes a mesma coisa sem estar a chatear", acrescenta Vogels.

60. Falámos em regresso ao passado? Consultem os empreendedores do hip hop, "os verdadeiros empreendedores". Ryan Leslie, da Super Phone, defende que o "o sucesso acontece à velocidade da comunicação". Demorou dez anos a agregar um número considerável de seguidores mas em 2013 percebeu que não estava satisfeito com o efeito das redes sociais. Resultado? "Comecei a dar o meu número de telefone". Verdade? Verdade.

61. Quantas mensagens é que uma pessoa que dá o seu número nesta década do novo milénio pode receber? Ryan recebeu 45 mil mensagens de texto. 35 mil dispuseram-se a fornecer mais informações, estimulando o envolvimento. Por outras palavras, acabou de partilhar os seus dados, meu caro.

62. Saiba que a base de dados entretanto criada permite enviar "gentilmente" mensagens a lembrar os ouvintes que devem comprar o álbum de Leslie. "Tudo isto sem managers nem relações públicas". Acredita que mais de 90% das pessoas responde a uma sms e recusa stress por contactar por dia com...sete mil pessoas. "Se cada um te quiser dar cinco dólares ainda ficas stressado?".

63."As pessoas querem conteúdos cada vez mais em tempo real. Querem ver-te em pijama", não tem dúvidas Jenna Marbles, do Pointless Blog. Alfie Deyes, o seu parceiro, passa 70% do seu dia a fazer videos. Pronunciaram-se sobre o tema do culto da personalidade.

Um pouco de streetstyle

64. Girls will be girls. Vimos pelo menos um mulher às compras no zite de uma grande cadeira de vestuário começada por Z enquanto seguia uma conferência, consultava a imprensa dita séria e ensaiava um texto sobre o assunto.

65. Continuamos na moda. A top model Sara Sampaio sente que as manequins têm hoje uma voz mais directa graças às redes sociais. "Não é só desfilar, ir para casa e bico calado". Mas as pressões no meio, se dúvidas houvesse, no meio do furacão Weinsteen, continuam. "Sempre ponderei muito as fotos de nus que fiz. Quando chego a certos trabalhos esperam que me dispa só porque sim.

66. Faça o favor de decorar, caso ainda não tenha percebido: "Lá porque beijaste muitos homens não quer dizer que um homem que não conheces tem o direito de te beijar. Somos a indústria onde as mulheres mais facturam, e ainda assim onde são mais exploradas. Mas se abrimos a boca somos feministas e complicadas", continua, no seu inglês escorreito.

67. Um dos stands mais fofinhos tem a ver com a vida do papel. As pessoas adoram sentar-se no baloiço. Dupla nostalgia

68. Ainda é possível fazer jornalismo, ou algum jornalismo, com um caderno e uma caneta. Sim, encontrámos algumas destas espécies em vias de extinção. Chamemos-lhes lunaticus papirus.

69. Quando interpelados para fazer um video, os anunciantes da geração millennial parece que já nasceram com um micro na lapela tal a desenvoltura

70. É preciso ter tomates para abrir o coração. Ao longo de 40 anos, Caitlyn Jenner, à época Bruce Jenner, antigo atleta olímpico do decatlo, sentiu-se "uma fraude". "De cada vez que falava em público não conseguia esquecer que sempre tive um sutiã por baixo da roupa". Revisitou a longa travessia, o isolamento, a toma de hormonas, a terapia, a forma como foi "um mau pai para os meus quatro filhos".

71. Caitlyn "queria fazer isto antes dos 40", apesar de reconhecer que "Old chicks are pretty cool". "Sou apenas uma porta-voz da minha história, porque cada história desta natureza é única".

72. Jared Cohen, da Google Jigsaw, é recebido de pé, com vigorosos aplausos. No seu monólogo sobre como evitar a cyber guerra, lembrar-nos-á que "temos diferentes emails porque temos diferentes personalidades" e que "as revoluções são hoje mais fáceis de começar mas mais difíceis de terminar". Só parece óbvio até dar por si a meditar sobre tudo isto, porque sumo não falta..

74. Uma caipirinha no recinto pequena custa quatro euros e o tamanho maior fica por sete. Não bebemos nenhuma, atenção. Até porque...(salte para o ponto seguinte)

75. O álcool está a matar os jovens americanos, lamenta o popular Dr Oz. Mas afinal por que raio continuamos a cometer erros na nossa saúde apesar de toda a tecnologia? "As pessoas não mudam os seus hábitos baseadas no que sabem mas no que sentem". Voilá.

Dr Oz à conversa no segundo dia de cimeira

76. Os tugas continuam carinhosamente a combinar encontros ao pé da Estátua do Sol.

77. A palavra sunset não se pôs com o fim do Verão.

78. A tecnologia é linda mas nada bate o sol lisboeta pela manhã, o verdadeiro. É ver o deslumbre dos estrangeiros enquanto esperamos junto à estátua do Sol. "Its a beautiful day", comentam.

79. Eventos como este dão óptimos Ouvidos no Metro. Todos eles muito melhores que Its a beautiful day.

80. Lisboa está cheia de gente com pinta e recomenda-se. O vídeo criado por Vhils que passou em repeat nos ecrãs não deixa mentir. 

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