Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Clássicos japoneses no Tubo
Filme, Cinema, Contos da Lua Vaga (1953)
©DR Contos da Lua Vaga de Kenji Mizoguchi

Clássicos japoneses no Tubo

Seleccionámos sete obras-primas do cinema japonês rodadas entre os anos 30 e a década de 60, que estão disponíveis online

Por Eurico de Barros
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O cinema nipónico está muito bem representado no YouTube, onde podemos apreciar, de graça, muitos filmes dos maiores realizadores do país do sol nascente, caso de Yasujirô Ozu ou de Kenji Mizoguchi. E que vão desde as tradicionais narrativas sobre samurais, como Os 47 Ronin, de Mizoguchi, até histórias passadas no pós-guerra, num Japão em reconstrução, como O Anjo Embriagado, de Akira Kurosawa; ou ainda a épica trilogia política A Condição Humana, de Masaki Kobayashi.

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Clássicos japoneses no Tubo

Eu Nasci, Mas...

Yasujirô Ozu, 1932, 100 min.

Este filme de mestre Ozu é o único mudo desta lista. E isso é perfeitamente irrelevante, já que o realizador de Viagem a Tóquio é tão magistral a filmar com som como sem. Eu Nasci, Mas... é a história divertida e encantadora de dois irmãos cujos pais se mudaram para os subúrbios de Tóquio. Os rapazes começam por ser atormentados pelos fanfarrões locais, mas travam amizade com um mais velho, entregador da mercearia local, e resolvem o problema. Só que descobrem que o pai, funcionário público, não é o homem mais importante da sua repartição. Uma irresistível evocação do mundo da infância.

Os 47 Ronin

Kenji Mizoguchi, 1941, 241 min.

O chamado “Incidente de Akô” deu-se no Japão do século XVIII, quando um grupo de rônin (samurais sem líder) foi vingar a morte injusta e indigna do seu senhor, lavando-a com sangue. A história já foi várias vezes adaptada ao cinema e à televisão, e esta versão de Kenji Mizoguchi, feita em plena II Guerra Mundial em duas partes e encomendada como obra de propaganda, é uma das melhores, embora tenha sido um fracasso comercial na altura. O realizador baseou-se numa peça de teatro sobre a história para rodar esta empolgante narrativa de honra, lealdade, aço e sangue.

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O Anjo Embriagado

Akira Kurosawa, 1948, 98 min.

Toshiro Mifune foi dirigido pela primeira vez por Akira Kurosawa neste filme do pós-guerra, interpretando Matsunaga, o bandido volátil, violento e tuberculoso que fica amigo de Sanada (Takashi Shimura), um médico alcoólico que o trata após ele ter ficado ferido num combate entre gangues rivais. Sanada quer não só curar Matsunaga da sua doença, como também convencê-lo a abandonar a sua vida violenta, que o poderá matar ainda mais depressa do que o mundo do crime que frequenta. Ao mesmo tempo, o médico tenta livrar-se do vício da bebida. Um dos grandes filmes humanistas de Kurosawa.

Contos da Lua Vaga

Kenji Mizoguchi, 1953, 96 min.

Uma das obras-primas do cinema nipónico, um dos melhores filmes de Mizoguchi e uma das grandes histórias de fantasmas já levadas ao cinema. O realizador juntou dois contos fantásticos do seu compatriota Ueda Akinari, para rodar esta fita passada no Japão em guerra civil do século XVI, e que é, simultaneamente, um filme realista, uma fábula moral e uma narrativa sobrenatural que envolve um oleiro ganancioso, a mulher e o filho deste, o seu vizinho, um camponês que sonha em ser samurai, e a sua mulher. Está repleto de momentos visuais de uma beleza assombrosa.

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Primavera Precoce

Yasujiro Ozu, 1956, 145 min.

Cineasta do quotidiano, das relações, do estilo de vida e das histórias emocionais das pessoas, casais e famílias anónimas e comuns, Yasujiro Ozu tem em Primavera Precoce um filme que merecia ser tão conhecido e celebrado como outros mais divulgados e apreciados da sua riquíssima obra. Aqui, trata-se da história de um funcionário de uma grande empresa de Tóquio que está a passar por problemas conjugais em casa, acabando por se envolver sentimentalmente com uma colega. Primavera Precoce é um exemplo sensibilíssimo do Ofuna-cho, ou drama doméstico, o género de eleição de Ozu.

Rua da Vergonha

Kenji Mizoguchi, 1956, 87 min.

O tema constante da filmografia de Mizoguchi é a mulher e a sua situação na sociedade japonesa, e as relações com os homens. A sua mãe e a irmã mais velha eram maltratadas pelo pai, que vendeu a rapariga para a prostituição. Foi ela que, após a mãe morrer, cuidou dele e dos irmãos. Mizoguchi nunca esqueceu os sofrimentos, o amor e a devoção da irmã. Rua da Vergonha passa-se num bordel de Tóquio e conta as histórias das prostitutas que lá trabalham. Nem por um segundo duvidamos para onde pendem a simpatia, a compreensão e a indignação do cineasta no que respeita à condição destas mulheres.

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A Condição Humana

Masaki Kobayashi, 1959-1961, 680 min.

Autor de vários filmes fundamentais da cinematografia nipónica, como Harakiri ou Kwaidan, Masaki Kobayashi levou três anos a rodar esta ambiciosa trilogia baseada nos seis livros homónimos do romancista Jumpei Gomikawa. Este épico com quase 10 horas de duração centra-se em Kaji, um jovem pacifista e socialista que tenta sobreviver no Japão da II Guerra Mundial, acabando por ser recrutado para ir combater no Exército Imperial. No final do conflito, Kaji é capturado por militares soviéticos e tão maltratado que perde as suas ilusões ideológicas.

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