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Blade. O novo restaurante de carne do Cais do Sodré é todo pipoca

As entradas são oferecidas, a sobremesa também. Na carta, o único prato é o bife. Custa 10€ e vem como mandam as regras, mal-passado. O Blade abriu numa zona de muito turismo com uma proposta popular: boa carne a bom preço, a toda a hora.

Hugo Torres
Escrito por
Hugo Torres
Director-adjunto, Time Out Portugal
Blade
DR | Blade
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Tanto sangue e nenhum vampiro à vista. Quando entramos no Blade, mais do que nos comics, é em Wesley Snipes que estamos a pensar, no seu glorioso anti-herói de óculos escuros à noite, espada à cinta e semi-automática na mão. “Vês aqueles valets ali? São vampiros. O porteiro também é.” Como é que ele sabe? “A maneira como eles se mexem, como cheiram.” Mas aqui ninguém parece andar de forma suspeita, nem o ar está carregado de odores peculiares. O que de certa maneira é uma pena, sobretudo para saudosistas dos filmes de acção dos anos 1990. Por outro lado, não há balas de prata a cruzar o espaço, o que é bem-vindo para uma refeição sossegada e bem digerida.

Não há cenários perfeitos. E se é verdade que o Blade não investe na cinefilia, o facto é que procura ser popular por outra via. Instalado no Cais do Sodré – que, para manter a imagem vampiresca, vamos apelidar de aorta do turismo lisboeta –, este novo restaurante aposta numa carta de prato único, servindo-o com qualidade e a bom preço. Dito desta forma, é assim meio genérico. No entanto, se dissermos que se trata de um bife de 180 gramas, mal-passado, suculento, trinchado, e que o valor é 10€, fica tudo muito mais nítido. E não, não estamos numa tasca. Não há inox à vista e cada detalhe mereceu atenção redobrada. Os azulejos e os sofás vermelhos, as madeiras, os tons quentes, a iluminação baixa. 

“Aquilo em que acreditamos é que poder comer um bom bife e uma boa carne não deve ser algo acessível a uma pouca quantidade de pessoas”, diz o responsável pelo marketing do Blade, José Maria Jorge. O corte exacto da carne é segredo da casa. Tudo o que ficamos a saber é que é do “ombro da vaca” – portanto, entre a pá, o acém e o cachaço. É certo que não estamos diante de um dos cortes mais nobres do animal, como o lombo e a vazia, ou mesmo da alcatra. Ainda assim, a carne chega à mesa macia e saborosa. “Esse é o grande conceito: conseguirmos ter uma refeição informal, mas de qualidade e a um preço que acreditamos ser super competitivo, não só para a zona, mas até para a cidade de Lisboa.”

Blade
DRBife Blade

E é. Mas como? “É possível porque, através de exploração, de provas, de tentativa e erro, conseguimos encontrar um corte que alia muito bem sabor, textura e, com o nosso processo de preparação, uma tenrura muito, muito interessantes. Ao mesmo tempo que, obviamente, nos posicionamos neste preço por vontade própria, porque queremos ser competitivos e porque achamos que é mesmo importante ocupar esse espaço”, afirma José Maria Jorge, considerando que “é um espaço por ocupar na cidade de Lisboa”. “Alguns restaurantes estão muito focados no preço, outros, se calhar, quando a qualidade começa a subir, destacam-se mais [subindo os preços], e nós achamos que ali no meio haveria espaço para uma proposta com uma qualidade de preço bastante interessante”, continua.

Os acompanhamentos são fundamentais na experiência. A ideia é que “façam jus” ao elemento principal no prato e que não sirvam “só para encher”, como refere José Maria Jorge. Há cinco: dois básicos, batatas fritas e salada mista (3€ cada), e três mais compostos, o esparregado com parmesão, natas e noz moscada, o puré de batata com manteiga de trufa e “sprinkles” crocantes, que são uma espécie de gotas de tempura, e a estrela dos acompanhamentos, o arroz de cogumelos (3,50€ cada). Este último, com uma cremosidade extra graças à espuma de cogumelos e ao parmesão, é também um prato principal escondido, para o restaurante oferecer uma opção vegetariana sem aumentar a carta (nesse caso, custa 12€). E não é o único. Sem frequência certa mas com regularidade assegurada, haverá uma segunda opção de carne, muito limitada: o Blade Burger (12€).

Blade
DRArroz de cogumelos

A novidade é introduzida este fim-de-semana, 6 e 7 de Dezembro, com 50 hambúrgueres por dia, 25 ao almoço, 25 ao jantar. Como não há reservas (nem de mesas), os primeiros a chegar são os primeiros a levar. Quando acabar, acabou. Depois logo se vê quando voltará. 

O Blade abriu a 26 de Setembro. Segundo José Maria Jorge, tem corrido “muito, muito bem, felizmente”. “Temos tido vários dias com filas à porta.” Então porquê introduzir já esta nova opção? A resposta está no combate ao desperdício: os hambúrgueres são feitos com as aparas do bife, para as aproveitar e não mandar produto fora. Daí que só esteja disponível muito ocasionalmente, quando há quantidade suficiente para fazer algumas dezenas de rodelas. Um Blade Burger é duplo – leva dois patties, dois queijos (gouda e cheddar, alface, picles, molho béarnaise e maionese de trufa. Vale bem o estatuto de “especial do dia”.

Blade
DRBlade Burger
Blade
DRA sala do Blade

Aberto do meio-dia à meia-noite, com serviço ininterrupto, o espaço está pensado para proporcionar uma experiência, apesar dos preços comedidos. O restaurante é decorado a azulejos e sofás vermelhos, e tudo tem cores quentes, abunda a madeira e destacam-se as plantas altas por toda a sala, onde cabem 79 pessoas (mais 18 na esplanada). Todavia, são duas máquinas muito arrumadinhas que prometem gerar burburinho e sorrisos, primeiro à chegada e depois à saída. Uma delas é uma máquina de pipocas. Feitas com parmesão e trufa (duas constantes da casa), estas pipocas são a única entrada disponível – e é oferta. Para o final da refeição, também só há uma sobremesa na carta – e também é oferta.

É um gelado soft, que sai de uma daquelas máquinas à antiga para um copo ou um cone, à escolha do freguês, e para o ir buscar é preciso levar a moeda que chega à mesa com a conta. Se preferir não gastar imediatamente a moeda, está tudo bem: pode guardá-la e vir buscar o gelado para o lanche, ou no dia seguinte. Embora o sabor do gelado – que não é referido na carta nem na máquina – sirva para fechar o ciclo do almoço ou do jantar. É de pipoca, com topping de milho frito. É para pegar e sair, não é servido à mesa (excepto para convidados mais impacientes, vulgarmente conhecidos como crianças).

Blade
DRGelado soft

Nas bebidas, há “house sodas” (3,50€), cerveja de pressão (3€) e de garrafa (5€), vinhos a copo, meia garrafa ou garrafa (dos 6€ aos 41€, entre tintos e brancos, e um espumante Filipa Pato) e cocktails (todos a 9€). Nas referências de vinho, que vão do Minho ao Alentejo, do Douro ao Tejo e do Dão à Bairrada, há um tinto e um branco com o rótulo Blade – vinhos alentejanos produzidos na Herdade dos Nascedios. Nos cocktails, acontece algo idêntico: entre o aperol e o moscow mule, encontra-se um Blade Basil Smash (gin, manjericão, lima e maçã verde) e um Virgin Basil Smash (idêntico, mas sem álcool). O que vai melhor com o bife? José Maria Jorge: “Não temos como missão educar ninguém, muito menos no mundo dos vinhos. Acima de tudo, acreditamos que as pessoas devem beber aquilo que lhes sabe bem”.

Praça Dom Luís I, 30 (Cais do Sodré). Seg-Dom 12.00-00.00

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