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O ambiente é nocturno e a comida de conforto. Na Calçada da Estrela abriu o Fauna, restaurante e bar que sabe como receber à hora de jantar. Em breve, também vai começar a servir almoços.

No Fauna, o nome é levado à letra. Há aves exóticas empoleiradas – exemplares de taxidermia, claro –, e outras tantas estampadas nos tecidos que forram estofos e almofadas. Primeiro, cruzamo-nos com o bar; só depois chegamos à sala, onde os tons escuros e as paredes espelhadas criam uma atmosfera nocturna, por muito que o sol brilhe do lado de fora.
A primeira impressão não induz em erro. O restaurante abriu em meados de Agosto, na Calçada da Estrela, e, por enquanto, abre apenas para servir jantares. Num menu de página única, propõe receitas de conforto, mas também iguarias para partilhar. Uma cozinha de clássicos, como refere Henrique Araújo, porta-voz do espaço, detido pelo grupo Portas do Sol. A começar pelo prato que já se tornou numa estrelinha da casa – uns ovos rotos de carabineiro (28€), com batata frita às rodelas, misturado à vista, como é da praxe, mas não sem antes espremer os sucos das cabeças que, afinal, não são apenas adereços cénicos.
"Queremos ter uma carta dinâmica, com uns pratos a entrar, outros a sair, também consoante a estação", esclarece Henrique Araújo. Os ovos, contudo, não vão a lado nenhum. Mas o resto da refeição pode esperar. Do bar saem sobretudo cocktails clássicos – Negroni (14€), Old Fashion (13€), Paloma (14,50€), Manhattan (15,50€), entre outros. Apenas uma receita original destoa: uma criação da casa, que recebeu o nome de Faisão (12€). Na base tem vodka infusionada com coentros e ginger beer, numa versão mais aromática do tradicional Moscow Mule, servida com um pedaço de aipo coberto em flor de sal. O truque deixa duas opções – ir trincando e bebendo, ou usar o acessório vegetal para mexer o cocktail.
O bar, com balcão corrido a mármore branco e bancos altos para sete pessoas, resgata o charme de outros tempos. Quem quiser, pode nem passar daqui e entreter-se com um aperitivo de fim de tarde, ou retomar a conversa depois de jantar, principalmente às sextas e sábados, dias em que o Fauna fica aberto até às 02.00 e com DJ a aquecer o ambiente. E a provar que nem todos os copos contribuem para o sobreaquecimento, a barmaid de serviço saca dois trunfos da manga: a Cegonha e o Pato (ambos 11€), mantendo a inspiração no campo da ornitologia. O primeiro mocktail é cítrico e picante. O segundo é mais herbal, frutado e com notas de especiarias.
De volta à sala de jantar, onde se sentam 50 pessoas em dia de lotação esgotada, é tempo de explorar o resto do menu. Entre os crudos, destaque para o carpaccio tonnato (18€), para o bife tártaro (21€) e para a barriga de atum (21€), servido sobre coração de alface grelhado, com gaspacho de alface e tomate confitado. Se o estômago pedir aquele conforto que só a comida quente pode dar, talvez esteja na hora de enveredar por outros caminho – ou de passar à outra secção do menu, o clímax. Daqui saem pratos como o bife do lombo com foie gras (34€), o cannellone XL (25€), o risotto de abóbora com creme de pecorino (23€) ou a tranche de garoupa com carpaccio de beterrana e molho de alcaparras (28€), entre outras especialidades.
Apesar da aura, o Fauna não quer ser apenas um restaurante para a noite. Existem planos para montar uma esplanada, vencidas as burocracias camarárias, e para começar a abrir à hora de almoço, já a partir do final de Setembro. Isso e os reforços de Outono, que não hão-de tardar em chegar. Henrique levanta um pouco do véu do que será a ementa da estação fria: é provável que inclua sopa de cebola e gruyère, além de cozido à portuguesa aos domingos. É começar a contar os dias.
Calçada da Estrela, 95 (Estrela). Dom-Qui 19.00-23.00, Sex-Sáb 19.00-02.00
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