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O Pátio das Antigas: As longas noites do Porão da Nau

Situada na cave de um prédio, no gaveto entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Rua Pinheiro Chagas, a boate Porão da Nau funcionou entre os anos 60 e 90 e, no seu auge, foi o ponto de encontro de meia Lisboa.

Escrito por
Eurico de Barros
Porão da Nau
DR | Porão da Nau
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Charles Aznavour, Rita Pavone e Sammy Davis Jr., Adamo e Ella Fitzgerald, Art Blakey, Louis Armstrong e Sylvie Vartan, todos eles visitaram o Porão da Nau, uma das mais lendárias boates de Lisboa, levados por Vasco Morgado após actuarem no Monumental, que ficava mesmo ali ao lado. Inaugurada nos anos 60, com decoração a cargo de Octávio Clérigo, que reproduziu o interior de uma nau antiga, com modelos de canhões, os respectivos projécteis e tudo, o Porão da Nau ficava na cave de um prédio, no gaveto entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Rua Pinheiro Chagas.

Ponto de encontro de meia Lisboa, era frequentada por cidadãos anónimos, boémios e jornalistas, gente do teatro, da rádio, da televisão e da canção, futebolistas (Eusébio era um dos clientes habituais), músicos e actores, e muitos outros noctívagos, no tempo em que os jornais matutinos fechavam às duas da manhã e depois do cinema e do teatro se ia cear e beber um copo a uma boate. A banda residente era o Thilo’s Combo de Thilo Krasmann, e o Rádio Clube Português fez de lá várias emissões em directo. Por cima, ao nível da rua, havia um restaurante, O Convés, o primeiro a servir pizza em Portugal. Alguns anos após o 25 de Abril, o Porão da Nau transformou-se numa discoteca para a juventude de tarde, funcionando como clube de strip à noite. Encerrou na década de 90 e o prédio está hoje entaipado e devoluto.

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