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Em 1964, abria no edifício do Império a pequena sala Estúdio, a primeira do género em Lisboa, dedicada a passar filmes então ditos “difíceis” e ao gosto dos cinéfilos mais militantes. Os dois cinemas encerraram em 1983.

Inaugurado em 1964 com Os Chapéus de Chuva de Cherburgo, de Jacques Demy, o Estúdio do Cinema Império (que havia aberto as portas 12 anos antes, em 1952), foi a primeira sala-estúdio, ou de cinema de “arte e ensaio”, de Lisboa, tendo aproveitado a alteração da lei municipal efectuada em 1959, que passava a autorizar a construção de pequenos cinemas nos prédios de habitação e comércio da capital.
O Estúdio “nasceu” por cima do segundo balcão do Império, no lugar onde havia originalmente um bar, e tinha 243 lugares. O lado direito da sala, que dava para a Alameda Afonso Henriques, era totalmente envidraçado, e quando as sessões começavam era accionada uma espessa cortina deslizante que cortava por completo a luz exterior.
No início, algumas pessoas, habituadas às espaçosas “catedrais do cinema” de Lisboa, como o Monumental, o São Jorge ou o próprio Império, queixaram-se de algum desconforto e mesmo de claustrofobia, mas o Estúdio depressa vingou junto dos espectadores, para o que contribuiu a sua programação de filmes então ditos “difíceis”, ao gosto de um público mais militantemente cinéfilo. Foi o caso dos de Ingmar Bergman, que ali eram estreados com regularidade e faziam lotações esgotadas, ou de Jean-Luc Godard, e também títulos portugueses como Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes. O Estúdio fechou as portas ao mesmo tempo que o Império, a 31 de Dezembro de 1983.
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