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Quais foram os melhores concertos do Nos Alive 2026? Escolhemos seis

O Passeio Marítimo de Algés voltou a receber dezenas de milhares de pessoas durante três dias. Nick Cave, Foo Fighters ou Buraka Som Sistema vão perdurar na memória do festival. O regresso para 2027 já está marcado.

Escrito por
Hugo Torres
Escrito por:
Mauro Gonçalves
e
Hugo Geada
Nos Alive, Foo Fighters
Matilde Fieschi/Nos Alive | Nos Alive
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O Nos Alive chegou ao fim no sábado, depois de três dias em que passaram mais de 120 artistas, bandas e autores pelo Passeio Marítimo de Algés (autores porque o festival estreou um novo palco, dedicado à literatura). É virtualmente impossível acompanhar tudo. Ainda assim, fizemos um esforço para ir ao máximo de espectáculos possível. Entre tudo o que vimos, escolhemos os seis melhores (curiosamente, dois de cada dia, mas é um acaso, não foi deliberado). Outras pessoas fariam com certeza outra escolha. E não faltará gente com opiniões entre todas as 160 mil pessoas que, segundo a promotora, a Everything Is New, passaram pelo recinto (48 mil na quinta-feira, 56 mil na sexta e mais 56 mil no sábado, estes últimos com lotação esgotada). Está tudo bem. Para o ano há mais – a 19.ª edição está marcada para 8, 9 e 10 de Julho de 2027. Cá estaremos para discordar outra vez.

Nick Cave & The Bad Seeds

A edição de 2026 ficou marcada pela força magnética de Nick Cave, que assinou um dos melhores concertos da história do festival. Apoiado por um coro, o músico australiano fez das tripas coração em cima de palco e o público seguiu-o como traças atrás da luz. Entre a intensidade pós-punk de “From Her To Eternity”, a catarse de “Jubilee Street” e o silêncio arrepiante arrancado a capella em “Joy”, Cave apresentou mais um grande espectáculo em Portugal numa comunhão visceral que terminou em grande, com o cantor sozinho ao piano, a interpretar a belíssima “Into My Arms”. HG

A Perfect Circle

Um autêntico OVNI no cartaz, os A Perfect Circle entregaram uma das actuações mais entusiasmantes e tecnicamente perfeitas de Algés. Liderado pelo guitarrista Billy Howerdel e com presença destacada para Maynard James Keenan (Tool), o grupo dispensou artifícios e venceu pela intensidade e fragilidade escondida atrás da brutalidade. Temas como “The Package” e “The Doomed” – este último com a bateria exímia de Josh Freese – conquistaram uma plateia repleta de fanáticos pelo grupo assim como novos fãs que se dirigiram ao festival para ver Twenty One Pilots. HG 

A Perfect Circle, Nos Alive
Sara Hawk/Nos AliveA Perfect Circle

Foo Fighters

Os Foo Fighters deram um concertaço – mais de duas horas sempre em altas. Abriram com “All My Life”, “The Pretender” e “Times Like These” (por esta altura, Dave Grohl já pingava) e foram por ali fora, com “My Hero”, “Learn to Fly”, “These Days”, “Big Me”, “Monkey Wrench”, “Breakout”, “Best of You” (que a audiência não queria deixar acabar), “Exhausted” e, inevitavelmente, “Everlong”. Houve até Nirvana no alinhamento (“Marigold”), um medley dedicado aos projectos anteriores dos elementos da banda e um cheirinho de Motörhead. Os Foo Fighters deram tudo e a mais não eram obrigados. O novo baterista, Ilan Rubin, esteve em destaque, apresentando-se aos fãs portugueses em grande estilo. HT

Zara Larsson

Relegada para o último slot do Palco Heineken, Zara Larsson transformou uma madrugada ventosa num pôr-do-sol dourado. A tenda transbordou de jovens fãs, unidos pela estética Y2K que impregna Midnight Sun. O álbum de 2025 foi um ponto de viragem na carreira da pop star sueca, que soma mais de uma década de palco. Por mais de uma hora, a artista esbanjou simpatia, cantou afinada entre coreografias e fez-se acompanhar por uma banda e corpo de baile 100% femininos. Do alinhamento, além das novidades, não faltaram hinos celebrados como “Symphony” e “Lush Life”, momento em que convidou um fã a subir ao palco. MG

Zara Larsson, Nos Alive
Hugo Macedo/Nos AliveZara Larsson

Lorde

Com uma performance imprevisível, que ia evoluindo e ocupando meticulosamente o palco (embora de aparência caótica), Lorde veio na essência apresentar Virgin, de 2025 (o anterior, o inesperado Solar Power, foi ostensivamente ignorado). E o novo disco contagiou todo o alinhamento, constringindo mesmo os temas de Melodrama (2017) e sobretudo do ainda inultrapassado Pure Heroine (2013). Tudo isso contribuiu para que o espectáculo fosse desconfortável no início, embora propositadamente desconfortável. Foi ganhando sentido, conquistando o público e, quando chegámos a “Girl, so confusing”, estávamos rendidos. “Team”, “Green Light" e “Ribs” foram um triunfo. O único defeito? Fez-nos perder Pixies. HT

Buraka Som Sistema

Dez anos depois, os Buraka Som Sistema voltaram a ser donos do terreno. A fechar o palco principal do Nos Alive, deram um concerto incendiário, sem abrandar um segundo. A plateia, sedenta, transformou-se numa gigantesca pista de dança ao ar livre, em resposta a clássicos como “Hangover (BaBaBa)”, “(We Stay) Up All Night”, “Stoopid” e “Kalemba (Wegue Wegue)”. Pelo meio, estreou-se ao vivo o novo “Puro Mambo” e houve uma sentida homenagem a Sara Tavares. Conductor, Blaya, Kalaf, Branko e Riot foram incansáveis e contaram com convidados de peso – Petty viajou de Luanda para o hino “Yah!” e Deize Tigrona ajudou à festa em “Aqui Para Vocês”. Com “Zouk Flute”, fechou-se em apoteose um final de noite que passou a voar. HT

Buraka Som Sistema, Nos Alive
@tomicornio/Nos AliveBuraka Som Sistema

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