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Stage 35: viagem a um Japão tecnológico e vibrante

O Afuri, no Chiado, fechou portas para se transformar. O Japão tradicional dá lugar a uma versão cosmopolita e frenética, inspirada em Tóquio, mas a carta preserva bestsellers como o ramen.

Andreia Costa
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Andreia Costa
Stage 35
DR | Stage 35
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A decisão foi anunciada no início de Junho: ao fim de sete anos, tinha chegado a hora de o Afuri fechar as portas no Chiado. No entanto, elas voltariam a ser abertas num piscar de olhos – com a mesma equipa, mas um novo conceito adaptado às necessidades dos clientes portugueses. No número 7 da Rua Paiva de Andrada vive agora o Stage 35, um conceito pop-up que preserva alguns dos antigos bestsellers, como o ramen (elogiado pelo antigo crítico da Time Out Alfredo Lacerda), e lhes junta muitas novidades, caso dos donburis.

Antes de começar a viagem pela carta é preciso explicar as transformações pelas quais o Stage 35 ainda vai passar. Lá fora, o restaurante recebe os clientes com um um novo toldo de cores vibrantes (azul e vermelho), mas no interior sobrevivem as memórias do Afuri – os móveis e a decoração ainda são os mesmos. Nos próximos meses, o espaço será totalmente renovado para poder ter um ambiente mais moderno e tecnológico. As redes sociais já dão algumas pistas do que aí vem. Tudo está a ser pensado ao pormenor: desde as taças de ramen, que estão a ser produzidas e pintadas à mão numa fábrica portuguesa, à nova carta, cujos testes estão a ser finalizados. 

Stage 35
DRO chef executivo do Stage 35, Carlos Santiago

Prestes a estrear-se, por exemplo, está a Takoxinha (preço a definir), uma mistura entre o takoyaki, uma espécie de croquetes de polvo muito popular no Japão, e uma coxinha brasileira. “É uma brincadeira nossa”, diz o chef executivo, Carlos Santiago. “Basicamente é um pastel feito como se faziam as coxinhas brasileiras, mas com um recheio igual ao takoyaki.” Acompanha com maionese japonesa e flores de peixe fumado laminado. 

O Spicy Toro Crispy Rice (preço a definir) também está quase a chegar. “É um bolinho de arroz de sushi frito, uma cama de abacate, molho picante e um tártaro de toro, o atum mais caro que existe. Em cima temos um pickle para balançar o sabor e umas ovas de peixe voador”, descreve o chef.

Stage 35
DRChef Special, Stage 35

Quem não quiser esperar, já tem pela frente uma dura tarefa: escolher entre as novidades e as heranças (ou arranjar espaço no estômago para provar tudo). Há duas entradas do Afuri que se mantêm no menu do Stage 35: o Chef Special (8 peças de sushi, 15€), com pasta de salmão, robalo braseado e batata doce em cabelo de anjo frita, muito usada na gastronomia japonesa; e o Crispy Egg (6€) composto por ovos de ramen panados com molho picante, chicória e vinagrete de shio. “Têm uma cura de dois dias e cozem durante exatamente seis minutos”, conta Tiago Pimentel, responsável de operações da marca. Passou por cadeias como o Starbucks e o Honorato e por restaurantes como o Aprazível, mas foi no Afuri, projecto que acompanhou desde o início, que encontrou espaço e liberdade para desenvolver ideias e crescer. Agora, distancia-se da marca internacional (criada no Japão e presente em vários países), para ter autonomia total.

As novas apostas chegam, por exemplo, na forma de donburis, as estrelas da carta – bowls de arroz servidos com carne, camarão, salmão ou tofu. “Enquanto Afuri fomos pioneiros no ramen, que continuamos a ter com a mesma qualidade que nos destacou. Mas sabemos que, por exemplo, no Verão não são opções muito procuradas. Os donburis são pratos mais frescos, mas muito polivalentes”, afirma Tiago Pimentel. 

Stage 35
DRSteak Don, o donburi mais pedido no Stage 35

Um dos mais pedidos está a ser o Steak Don (14€). À base de arroz japonês, junta-se novilho, uma gema de ovo corada em soja, cebolete, batata cabelo de anjo e relish de gengibre. Quem prefere peixe, pode escolher o Sake Don (12€), bowl de arroz com sashimi de salmão, abacate, cebola, tamagoyaki, shiso, ikura e alga nori. Já o Tofu Don (12€) tem, como o nome indica, tofu panado, molho sweet chilli, japanese slaw com molho de sésamo, pickle de cenoura e cebolete. Tudo disposto por cima de uma generosa cama de arroz.

Antes de seguir para outras sugestões, há que explicar o novo nome, Stage 35 — que tem uma ligação a outra marca do grupo, presente em centros comerciais. “Sanjugo, em japonês, significa 35, um número muito associado à prosperidade, às boas energias e à sorte. E, apesar de talvez as pessoas não fazerem esta associação entre as duas marcas, é importante para nós. É quase como se fosse uma mãe e uma filha”, explica Tiago Pimentel. A palavra “stage” remete para o mundo digital. “Stage significa palco e faz-nos entrar no mundo dos níveis, dos píxeis. Vamos ter bastantes apontamentos no restaurante ligados à tecnologia”. E mais, Priscila Azenha, da Uma Agency, que desenvolveu o conceito, não pode dizer. Certo é que os elementos tradicionais que predominavam no Afuri vão dar lugar a um Japão mais tecnológico, fazendo lembrar a vibração, a rapidez e as luzes de Tóquio.

O menu de bar terá também uma grande renovação. “Ainda está em estudo de mercado, é sempre um complemento à carta”, descreve Tiago Pimentel. Há sake e cocktails, mas o calor pede algo ainda mais fresco. O Ginger Ale (4€), com gengibre caseiro, adapta-se a qualquer prato. Para quem gosta de gengibre, a Watermelon Soda (4€), com melancia, lima, gengibre e água com gás é a escolha mais acertada. Qualquer uma das bebidas acompanha na perfeição uma das opções mais cobiçadas da carta, o Soft Shell Crab Bao (7€), com caranguejo de casca mole, batata cabelo de anjo frita, maionese de alho assado e cebolete. “O caranguejo vem da Tailândia e, durante algum tempo, não houve reprodução. Deixámos de ter o prato e os clientes ficavam muito tristes porque vinham de propósito à procura dele”, recorda Tiago Pimentel. 

Stage 35
DRSoft Shell Crab Bao, Stage 35

O bao tem um carimbo personalizado do gato da sorte, o protagonista da nova marca. O molde foi feito por uma empresa portuguesa e cada um é queimado no momento, antes de ir para a mesa, como se fosse um leite creme. Há mais três opções de baos, com barriga de porco, coxa de frango e berinjela. Além disso, o incontornável ramen continua a ter espaço na ementa, com opções de galinha, porco e caldo vegetariano. 

Tanto na esplanada como no interior, há dois menus executivos (12,90€ cada) que podem ser pedidos ao almoço, de segunda a sexta-feira. O Bento Box é composto por dois nigiri, dois sashimi, taça de arroz, salada kaiso, duas peças de karaage, tofu donuts e uma bebida. Já o Ramen/Donburi tem um ramen ou um donburi à escolha e uma bebida.

Stage 35
DR

Seria um erro ir embora sem falar das sobremesas. A Janoffee (7€) é uma tartelete com praliné de amêndoa, caramelo de miso salgado e creme de banana. Polvilhada com kinako (farinha de soja tostada) e um creme de chantilly com baunilha, é uma opção fresca, sem ser excessivamente doce. Por falar em doce, também encontra o incontornável chocolate. Aqui apresenta-se ao serviço num Choux au Craquelin (7€), com massa choux, morangos e creme de baunilha, servido com chocolate quente e molho de sésamo. Parece um bolo consistente, mas a massa é tão leve que quase se derrete na boca, transportada pelos restantes sabores. 

Rua Paiva de Andrada, 7 (Chiado). Todos os dias 12.00-23.00

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