Turvo
Rita Chantre | Tomate, mole, manjericão no Turvo
Rita Chantre

Os melhores novos restaurantes em Lisboa (e arredores)

É difícil acompanhar o ritmo? Juntámos os 25 novos restaurantes em Lisboa (e aqui ao lado) que vai querer ter debaixo de olho – e na ponta da língua.

Hugo Torres
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As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo há lugar para a alta-cozinha, para aproximações às culinárias asiáticas, a Marrocos, a Espanha, e até à Palestina, estéticas inspiradoras e, claro, para a moda das sandes e dos smash burgers, sem esquecer a comida portuguesa de autor. Preparámos um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores, abertos nos últimos meses. Não fique desactualizado e faça uma reserva – tem muito por onde escolher

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Os melhores novos restaurantes em Lisboa

  • Marroquino
  • Campolide

Arady significa "terras" em árabe e é uma homenagem das proprietárias à sua terra natal, Marrocos, mas também à terra que as acolheu, Portugal. Aterraram em Lisboa em Julho de 2023 e depressa o sonho de ter um negócio familiar se tornou mais sério. À cabeça deste trio está Mouna Soussane, a mãe, que conta com o apoio das filhas, Aya e Zeyna. A elas juntou-se o chef Hélder Martins, que fez uma road trip por Marrocos, que culminou numa formação intensiva em Casablanca. "Aprendi o máximo possível sobre a cozinha marroquina e, depois de muito estudo, o compromisso foi ter aqui as duas culturas. Alguns pratos têm uma ou a outra identidade mais vincadas, noutros as influências misturam-se." É o caso do camarão à Bulhão Pato com msyer, dos pastéis de bacalhau com emulsão de coentros, do arroz de polvo cremoso à portuguesa ou do cheesecake de figos (portugueses) com amlou

+ Arady: é uma casa marroquina, com certeza

  • Brasileiro
  • Grande Lisboa

A Lanchonete continua a crescer e instalou o quarto espaço no Restelo (depois de Belém, Benfica e Parede). Aqui, além dos clássicos que deram fama à marca – como os pães de queijo, as empadas, o açaí ou o pudim de leite condensado – há café de especialidade e bolos caseiros, como banana bread, coco molhado, bolo de cenoura com brigadeiro bolo de milho. Exclusivo deste espaço é também o brunch. Entre as opções estão o bagel de carne seca ou de queijo coalho, a sandes mercadão com mortadela de Bolonha IGP, queijo e mostarda Dijon, ou tapiocas (por exemplo de frango e palmito ou abacate e ovo.  

+ A Lanchonete tem agora um atelier, com café moído na hora e bolos novos a sair do forno

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  • São Vicente 

A Bica do Sapato renasce após o fecho em 2019, pelas mãos de Celso Assunção e Francisco Lacerda, que procuram honrar o legado e acrescentar novidades. Com capacidade para 300 pessoas, o espaço abre em fases: restaurante principal no piso de baixo, esplanada, bar, sala de eventos e, em breve, o Trinca o Sapato no andar superior, pensado para refeições rápidas. O ambiente impressiona com cortinas azuis que se abrem para o Tejo, azulejos artesanais, cadeiras de Daciano da Costa e detalhes desenhados por Manuel Aires Mateus. Na cozinha, Milton Anes revisita a gastronomia portuguesa com criatividade: dos peixinhos da horta com molho de coentros ao pombo royal com pimenta de timut e cerejas em amaretto. As sobremesas, a cargo de Joaquim de Souza, vão do chocolate com praliné de sementes de abóbora à bola de bolacha com espuma de café.

+ Não esquecendo o legado, Bica do Sapato reabre as portas para o futuro (e para o Tejo)

  • Italiano
  • São Sebastião

Depois do Bono Lisboa, dedicado aos grelhados, o chef-historiador brasileiro Robson Oliveira aposta num restaurante italiano. Afinal, foi num hotel da família em Itália que tudo começou. O repasto começa pelo Panne della Casa, com grissini, focaccia e taralli artesanais. Nas opções de antipasti destaca-se a Panzanella Toscana, uma salada rústica com tomate, pimentos, manjericão fresco e pão artesanal. Siga para o Risotto ai Funghi Porcini, com cogumelos porcini frescos, ou o Cappelletti di Gamberi all’Aglio Nero, uma massa com camarão e alho negro e flambada com Martini. A massa faz-se aqui com o método tradicional italiano, “com farinha 00 italiana e gema de ovo.” Passando do primi para o secondi piatti, está lá o típico Maiale alla Milanese e a Saltimbocca alla Romana. Nas sobremesas, há um bolo inspirado no Ferrero Rocher, mas não há como fugir ao tradicional: um Tiramisù Classico, servido directamente ao cliente de um tabuleiro, com uma colher generosa. A carta de vinhos italianos abre uma excepção para três portugueses: um rosé e dois brancos da Beira.

+ Não há amor como o primeiro – e o Bono Cucina é a prova disso

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  • Chiado

O ambiente informal e os tons terra são o primeiro sinal de que este não é um restaurante como o Cura, no Ritz, onde o chef esteve durante os últimos cinco anos e conquistou uma estrela Michelin. O Broto não é um restaurante tradicional, muito menos uma tasca. O serviço é cuidado, a apresentação dos pratos é exímia, os ingredientes são de alta qualidade e a preparação mostra muita técnica e criatividade. Tudo foi pensado ao pormenor – e isso também se sente no preço, que corresponde ao "segmento médio-alto" que Pedro Pena Bastos quer assumidamente conquistar. Ainda assim, vai encontrar na carta surpresas como patanistas, croquetes, açorda, coscorões, molhenga de tomate, borrego à colher, farturas e leite creme.

+ Broto. À mesa com as memórias e o Portugal de Pedro Pena Bastos

  • Oeiras

Os restaurantes do grupo Praia, dos quais se destaca o Praia do Parque, em Lisboa, são conhecidos pelas noites longas e animadas, que transformam jantares em festas. Mas o novo Bugio, em Oeiras, é diferente. Apresentado como "assumidamente para o dia" e pensado mais para famílias, desafia a tirar partido da belíssima vista para o Tejo e para o Atlântico – afinal, fica mesmo em frente ao Forte de São Lourenço do Bugio, onde o rio encontra o mar, e tem um amplo terraço, com capacidade para 40 pessoas. E o menu do chef executivo do grupo Praia, Lúcio Bastos, é uma viagem ao Mediterrâneo, com inspiração nas cozinhas do sul de Itália, da Grécia, de Ibiza e do Algarve.

+ O Praia no Parque convida-o a ir bugiar para a Linha

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  • Marvila

Estamos num dos grandes armazéns do Poço do Bispo, no seguimento do 8 Marvila e da Taqueria Paloma, onde todos os espaços são amplos e de escala sobre-humana. Este não é diferente. Ainda assim, houve um esforço para deixá-lo confortável e também para que não restassem dúvidas de qual o território que estamos a pisar: Marrocos. Com um chá, dá-se as boas-vindas e abre-se o apetite das visitas. Apetite para explorar o rol de entradas, que tendem a encher a mesa. É altura de reencontrar sabores já conhecidos, como o apetitoso húmus ou a salada fresca du jardin, com quinoa, frango, abacate, tomate e pesto. Outros pequenos pratos, também servidos numa lógica de partilha, começam por intrigar. É o caso do zaalouk, salada à base de beringela assada – pouco fotogénica, mas rica ao nível do sabor –, ou do briouat, pequenos pastéis de queijo e ervas, feitos com massa fina, de forma muito semelhante à de uma pequena chamuça. São servidos em quantidade e com chutney de tomate.

+ Marraquexe ou Lisboa? Agora, os sabores da Medina servem-se em Marvila

  • Grelhados
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

No Príncipe Real, Vítor Sobral inaugurou a Carvoaria, um restaurante de grelhados a lenha e carvão que privilegia a cozinha portuguesa com influências lusófonas. O chef aposta na simplicidade dos produtos e no aproveitamento integral de peixe e carne, sem desperdícios. O menu inclui entradas como moelas, pica-pau e línguas de bacalhau, pratos principais de carne e peixe na grelha, enchidos e queijos, mas também opções vegetarianas. Aqui, até o pão e algumas sobremesas passam pela grelha. O espaço tem 45 lugares, está aberto todo o dia e, nos dias úteis, serve menu de almoço com entrada, prato e bebida.

+ Vítor Sobral não quer ser trendy. No Príncipe Real, é o homem da grelha

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  • Estrela/Lapa/Santos

O restaurante abriu em Agosto de 2025 e, por enquanto, abre apenas para servir jantares. Num menu de página única, propõe receitas de conforto, mas também iguarias para partilhar. Uma cozinha de clássicos, a começar pelo prato que já se tornou numa estrelinha da casa – uns ovos rotos de carabineiro, com batata frita às rodelas, misturado à vista, como é da praxe, mas não sem antes espremer os sucos das cabeças que, afinal, não são apenas adereços cénicos. O bar, com balcão corrido a mármore branco e bancos altos para sete pessoas, resgata o charme de outros tempos. Quem quiser, pode nem passar daqui e entreter-se com um aperitivo de fim de tarde, ou retomar a conversa depois de jantar, principalmente às sextas e sábados, dias em que o Fauna fica aberto até às 02.00 e com DJ a aquecer o ambiente.

+ Entre a Estrela e São Bento, começa a ser tempo de conhecer outra fauna

  • São Sebastião

Depois de Madrid e Barcelona, o restaurante da família La Ancha instalou-se no hotel Me Lisboa by Meliá, na esquina da Fontes Pereira de Melo com a António Augusto Aguiar. A carta do espaço – que não é de tapas nem é de fine dining, fica algures no meio – não é exactamente igual à de Espanha. Não é sequer igual todos os dias: varia consoante a estação e o produto disponível (e é impressa diariamente para distribuir pelos clientes). Mais de 640 pratos já foram criados, provados, testados e vendidos no Fismuler, que abriu em 2016, mas apenas entre 20 e 30 chegam ao menu a cada dia. A estrela é o escalope San Román, um panado XXL servido com uma surpreendente cobertura de ovo cozinhado a baixa temperatura, trufa e cebolinho, mas há outros pratos que raramente desaparecem, como a bocata de orelha crocante com salsa brava, a tarte tatin de alho francês com mortadela trufada ou o robalo confitado com gazpachuelo de codium. Nas sobremesas, brilha a tarta de queso Fismuler, bem cozida por fora e líquida no interior. 

+ Fismuler: de Espanha para as Avenidas Novas, com um panado XXL

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  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

As pinsas estilo romanas são, sem dúvida, o que mais se pede aqui. São sete no total e os sabores não têm nada que enganar – não falta a burrata, nem o presunto ou o manjericão. É de destacar a Giro’Giro, que tem uma base de molho de tomate, como a maioria, e, por cima, burrata, presunto, tomate seco e rúcula; a diavola, que leva mozzarella, pepperoni e manjericão; e a tunna, com atum, cebola roxa, alcaparras e azeitonas. Há também a bianca funghi, com molho branco, mozzarella, cogumelos portobello e azeite trufado, e a pesto, com o molho genovês, mozzarella e tomate seco.

+ O Giro'Giro levou pinsas, cocktails e rodas de samba para o jardim do Campo Grande

  • Chiado/Cais do Sodré

Estamos numa cantina argentina e se a refeição tomar o rumo certo, a bela da empanada, quente e gordinha, é a primeira coisa a vir para a mesa. O recheio é de vitela, suficientemente suculento para que se tenha alguma cautela a comer. Segundo Farrell é o jovem argentino responsável pelo que aqui se come. A carta é breve, visualmente neutra e sofre alterações frequentes – pratos que entram e saem para melhor agradar aos comensais. Contudo, há receitas que não vão a lado nenhum – nem poderiam, tal a quantidade de pedidos. De um país onde referências espanholas e italianas compõem uma grande parte da cozinha doméstica, chega uma milanesa de vitela, um bife tenro, panado e frito, com mostarda e limão. Se o dia estiver a pedir algo mais fresco, peça a salada de frango, batata e pimentão. No pódio entra ainda uma outra iguaria. O gnocchi é servido com simplicidade extrema, apenas temperado com molho de limão e sálvia. Num prato aparentemente banal, sabor e textura elevam a experiência.

+ Nesta cantina argentina, comida é conforto e serve-se em travessas de inox

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  • Parque das Nações

Ao fim de 27 anos a servir a melhor comida cantonesa da Linha, o Mandarim abriu um segundo restaurante, dentro do Casino Lisboa. A carta inclui alguns dim sum clássicos, sopas, mariscos e especialidades de barbecue chinês. A carta é uma verdadeira montra de pratos cantoneses, que combina clássicos que, há anos, fidelizam clientes no Estoril com novas receitas pensadas por Ku Yan, o recém-empossado chef executivo, de origem malaia. As sopas de noodles, ou massas ensopadas, segundo reza o menu, – nas versões com carne de vaca, porco, marisco picante e wonton de camarão são novas entradas. O dim sum também têm uma secção própria, embora incomparável ao rol de opções de quem almoça no Estoril. Há fritos, como o trio de bolinhos de carne de porco e camarão seco, e ao vapor, caso do Xiu Long Bao, ou bolinhos de porco.

+ O clássico Estoril Mandarim chegou a Lisboa e serve até às duas da manhã

  • Libanês
  • Chiado/Cais do Sodré

No Cais do Sodré, o Maída celebra a partilha à mesa, inspirando-se no espírito da palavra árabe que lhe dá nome: reunir amigos para comer, beber e rir. Criado por Anthony Riachy e Anna Maria Baydoun, o restaurante traz raízes libanesas mas abre-se a todo o Mediterrâneo, com influências gregas, turcas e sírias. O menu convida a dividir wraps, saladas, dips e pratos mais robustos como o Kebab pistachio com melaço de romã e húmus, a Lasagna com chili de carnes, o Shawarma de vaca em pão saj ou o frango marinado servido com batatinhas salteadas e molho de iogurte. Nas sobremesas, o destaque vai para o Znoud el set, pastel crocante recheado com ashta e pistácio, e nos copos brilham cocktails de assinatura como o Fatouch on the Rocks (bourbon, melaço de romã e hortelã) ou o Soraya (arak, rum e ginjinha).

+ Maída. Uma viagem pelo Mediterrâneo com sabores libaneses, tradições e memórias 

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  • Beato

Após cinco anos a vender bolos por encomenda nas redes sociais, Eduarda Meireles abriu um espaço na Penha de França. Aos bolos que tornaram a brasileira de Minas Gerais conhecida (e que agora vende à fatia), junta-se o pão de queijo, a estrela do novo espaço. E aqui, conselho de Eduarda, é para comer recheado. Com pernil, linguiça, frango ou cogumelos, com doce de leite ou goiabada – ou simples, vá, uma opção sempre segura para quem não gosta de arriscar. Os cogumelos são comprados num mercado local e a carne vem de um talho da vizinhança.

+ Matuta: sai um cafezim, um bolim e um pão de queijo recheado

  • Lisboa

O japonês Shin Koike abriu em Picoas um omakase intimista com apenas 14 lugares, para mostrar que este tipo de restaurante, em que ficamos totalmente nas mãos do chef, não tem de se resumir a sushi e sashimi. Natural de Tóquio, Koike construiu uma carreira sólida no Brasil antes de se fixar em Portugal em 2018 (passou pelo Bonsai e pelo by Koji). No primeiro espaço em Lisboa onde pode assumir frontalmente o protagonismo, apresenta um menu único (100€) com entradas, sashimi variado, grelhados, nigiris, rolls, sopa e sobremesa, criando variações na ementa a partir de um total de cerca de 20 pratos, que mudam consoante os produtos do dia. No balcão, com ambiente sereno, guia os clientes numa viagem à cozinha japonesa mais clássica, onde a técnica, a frescura e a simplicidade vêm em primeiro lugar.

+ Na agitação de Picoas, o MITSU oferece tranquilidade e comida japonesa tradicional

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  • Lisboa

Tal como se podia esperar, é um sítio descontraído. Tem pinta, tem boa “vibe”. O estilo industrial, onde não falta o inox, é finalizado com cor-de-laranja, que preenche os posters de uma das paredes, ilumina o letreiro néon a dizer No.Sense e percorre os bancos. Mas são os hambúrgueres, apelidados com os nomes de celebridades, aquilo que mais distingue o No.Sense de outros restaurantes de smash burgers. A base é a mesma, os ingredientes são mais inesperados. O Pirlo, de clara inspiração italiana, leva molho de manjericão, rúcula, queijo fumado, tomate seco e vinagre balsâmico; o Monet, que vai buscar sabores à cozinha francesa, inclui molho trufado, coleslaw, queijo fumado e cogumelos marron salteados; já o Benito, mais latino, leva molho de pimento vermelho fumado, queijo branco, cebola roxa em lima e jalapeños. Ainda assim, é de destacar os clássicos: o Kennedy, com ketchup, mostarda, cebola picada e pickles; e o mais vendido, o Brad, que tem cebola, queijo cheddar em dose dupla, bacon, pickles e o molho da casa.

+ Brad Pitt ou Monet? Nos smash burgers do No.Sense, a diferença está nos ingredientes

  • Chiado/Cais do Sodré

A Palms trouxe para Lisboa o espírito das pizzarias nova-iorquinas: pizzas gigantes (com mais de 50 centímetros de diâmetro) vendidas à fatia, hip-hop e punk a ecoar na sala e uma atmosfera descontraída que contamina a rua. A primeira abriu em Margate, Inglaterra, tendo entrado na lista das 50 melhores pizzarias britânicas do jornal The Times. Esta é a segunda loja. O menu é curto mas certeiro: seis pizzas, com destaque para a Sausage & Pesto, a House Pie! e a Vodka Pie. Há IPA própria, vinho natural produzido em Portugal e até shots de whisky com sumo de pickles. O espaço tem 14 lugares, funciona só ao jantar e fecha cedo para não perturbar a vizinhança – mas é ponto de encontro para pizza e boa disposição.

+ Hip-hop, shots e pizza americana à fatia: bem-vindos à Palms

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  • Alvalade

A pista está no nome. Aqui, a carne não é de vaca, como habitualmente, nem de porco. É de pato. Mas escusa de torcer o nariz, até porque quem pensou nestas sandes ao pormenor sabe bem o que está a fazer. Trata-se de Rodrigo Castelo, estrelado chef do Ó Balcão, em Santarém, que esteve quase um ano a desenvolver os três hambúrgueres no menu. O Quack Burger tem duas versões – normal e double – e arriscamos dizer que quem as experimentar vai estar mais entusiasmado com o excesso de queijo americano do que a tentar identificar diferenças na carne. A cebola confitada e o pão brioche “extra soft”, que é feito propositadamente para aqui e é tostado no momento da preparação. O Quack Signature é outra fruta. Neste, vai conseguir saborear o hambúrguer de pato em todas as suas potencialidades de sabor e textura. Crocante por cima, este “bun’n’roll tostado” transporta, além da carne, queijo americano, cebola confitada, alho-francês laminado, pickles de pepino “extra finos” e pickles de laranja.

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  • Pizza
  • Alcântara

Sob a Ponte 25 de Abril, um casal de artistas transformou um espaço abandonado num local onde a criatividade se revela à mesa. Enrico Donaruma, norte-americano de ascendência italiana, e Carolina Carvalhal, brasileira de ascendência portuguesa, fazem as suas saborosas pizzas de estilo nova-iorquino com massa de fermentação lenta e têm dez à escolha: a Regular, a Tomato e Burrata, a Pepperoni (a que mais sai), a Cogumelos, a Spianata Picante, a Vodka Pancetta (em que o molho de tomate é preparado com vodka e natas, como em Nova Iorque), a Curgete, a Alcachofra Pancetta, a Vegan Regular e a Espinafres e Limão (a mais heterodoxa e a nossa favorita). Para entrada tem pão de alho (com o dito cujo a sério) e para a sobremesa um tiramisù leve e pouco doce e uma cookie americana gigante cortada às fatias – ao contrários das pizzas, que só saem inteiras, com 30 centímetros de diâmetro. Os donos da casa sugerem que acompanhe tudo com vinho, embora haja cerveja Musa na carta.

+ Em Alcântara, seguimos o nariz e entrámos na Rico Pizza: “Now you’re in New York”

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  • Grande Lisboa

Não estamos apenas a comer num restaurante. Estamos sentados à mesa de Hind e Ersin Kurhan, um casal que, em Setembro do ano passado, abriu o Rumi. Especialidades das cozinhas palestiniana e turca não se fundem – apenas convivem numa mesma extensa carta, cheia de opções para partilhar e sabores que desafiam as convenções palatais. Sobre a mesa, acumulam-se pequenos pratos. É o mezze – batalhão de entradas servidas nas cozinhas grega, turca e do Médio Oriente – no seu melhor. Não faltam clássicos como húmus, aqui enriquecido com pinhões torrados, o labne ou a própria moussaka, aqui em versão vegana, com cogumelos. No segundo separador, a intensidade sobe de tom – o ali nazik, um puré de beringela fumada, iogurte e alho, ou os rolinhos de musakhan, de massa filo, levemente fritos, com recheio de frango desfiado, cebola caramelizada, pinhões e sumac. Da Turquia, chega Adana kebab, espetada de carne de borrego e vaca, servido com cebola e pimentos assados.

+ Entre pratos turcos e palestinianos, esta história de amor encontrou lugar à mesa

  • Lisboa

Em Maio de 2023, abriram o primeiro Stack em Alcântara. O espaço era pequeno, estilo pop-up, e havia apenas duas opções no menu. Cedo vieram os elogios e, volvido cerca de ano e meio, os três sócios, Louis Bayle, Paul Cukierman e Malcolm Granath, decidiram abrir um restaurante propriamente dito na Rua Jacinta Marto, nos Anjos. A carta acabou por crescer, com mais um hambúrguer. Ao original, que leva pickles, cebola, mostarda e ketchup, e ao house, mais apimentado, com alface iceberg, maionese e o molho da casa, junta-se o exit, uma ode ao hambúrguer norte-americano, inspirado no “animal style” vendido pela cadeia de fast-food In-N-Out. Este último leva cebola caramelizada, pickles e o molho stack. Todos unidos por duas fatias de pão de batata artesanal. 

+ Os smash burgers do Stack comem-se como mandam os americanos. E o segredo está no pão

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  • Japonês
  • Chiado

O Afuri, no Chiado, fechou portas para se transformar. O Japão tradicional dá lugar a uma versão cosmopolita e frenética, inspirada em Tóquio, mas a carta preserva bestsellers como o ramen. A tarefa pode ser dura: escolher entre as novidades e as heranças (ou arranjar espaço para provar tudo). Há duas entradas do Afuri que se mantêm no menu do Stage 35: o Chef Special (8 peças de sushi), com pasta de salmão, robalo braseado e batata doce em cabelo de anjo frita, muito usada na gastronomia japonesa; e o Crispy Egg com ovos de ramen panados com molho picante, chicória e vinagrete de shio. As novas apostas chegam, por exemplo, na forma de donburis, as estrelas da carta – bowls de arroz servidas com carne, camarão, salmão ou tofu. Um dos mais pedidos é o Steak Don: à base de arroz japonês, junta-se novilho, uma gema de ovo corada em soja, cebolete, batata cabelo de anjo e relish de gengibre. Os baos têm um carimbo personalizado do gato da sorte, o protagonista da nova marca e nas sobremesas vai encontrar a Janoffee, uma tartelete com praliné de amêndoa, caramelo de miso salgado e creme de banana, e o Choux au Craquelin, com massa choux, morangos e creme de baunilha, servido com chocolate quente e molho de sésamo. A massa é tão leve que quase se derrete na boca.

  • Areeiro/Alameda

No Turvo, Vasco Lello concretiza um sonho antigo: ter um restaurante próprio, onde a cozinha não se deixa limitar por rótulos. Instalado no Bairro dos Actores, o espaço recupera parte da memória do antigo Viseu mas abre-se a uma nova vida, com carta curta e dinâmica, vinhos menos previsíveis e um ambiente descontraído. A inspiração é sobretudo portuguesa, embora o chef não tenha pruridos em cruzá-la com técnicas e sabores de outras latitudes. Entre petiscos ou refeições completas (35€-40€ por pessoa), o Turvo distingue-se pela ambição de ser um restaurante “com substância, mas nunca óbvio”. Entre as opções encontra tomate, mole, manjericão; chicharro, ajo blanco; escabeche de perdiz; dourada grelhada com tomatada de mexilhão e batata doce; pica-pau; ou cachaço de porco confitado com guisado de feijão maduro.

+ No Turvo, o risco de Vasco Lello é o nosso lucro

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  • Santos

Segundo João Guedes de Sousa, Tomás Pires de Lima e Frederico Mayer, os hambúrgueres são feios e imperfeitos, porque são autênticos. Então, que melhor nome para chamar ao seu restaurante do que Ugly? Há três opções de hambúrguer à escolha, feitos com pão de batata, em que se destaca o ugly, com duas fatias de carne esmagadas na chapa com cebola, queijo e o molho ugly. Depois, conte com o clássico, com queijo, cebola picada, pickles, ketchup e mostarda, e o bacon, com queijo, molho especial e, claro, bacon. Para acompanhar, além das batatas fritas normais, também há batatas fritas picantes. E como sobremesa, o menu inclui os bombons de salame de chocolate d'O Lisboeta.   

+ Prometem ser feios e imperfeitos, mas saborosos. São os smash burgers do Ugly

Mais que comer

Não são moda de agora – ainda nos lembramos de ver mimosas e mesas fartas em séries como O Sexo e a Cidade –, mas continuam a ser uma tendência em Lisboa. Um maravilhoso mundo de possibilidades que tanto serve de pequeno-almoço reforçado como almoço ou refeição para qualquer hora.

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