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Com uma vasta experiência como sushiman (incluindo uma passagem pelo Nobu, na Grécia), Francisco Duarte quer oferecer sushi de qualidade a preços acessíveis. O projecto está a correr tão bem que vai ganhar um irmão até ao Verão.

O novo vizinho do bairro de Alvalade é pequeno e discreto, mas já anda a conquistar quem por ali vive ou passa. Fica numa rua perpendicular à Avenida da Igreja e chama-se o Temakiko.
A primeira parte do nome revela logo o que se come nesta casa: temakis (mas não só). A segunda vem do chef que está à frente do projecto: Francisco Duarte. “Não achei muita piada inicialmente porque não queria focar-me em mim, mas [os sócios] fizeram-me ver que, nesta fase inicial, dado o meu background e experiência, seria uma boa associação.”
Francisco, de 29 anos, aprendeu tudo sobre sushi no Miss Jappa e no Yakuza, em Lisboa. Esta não é a sua primeira experiência em nome próprio: teve um restaurante durante a pandemia. “Abri em Benfica, mas passado um ano estava cansado. Não tinha sócios, fazia tudo sozinho. Depois recebi uma proposta para ir para o Nobu, na Grécia, que era irrecusável.”
Quase cinco anos depois, o regresso a Portugal levou-o até Alvalade, uma zona que conhece bem, já que o pai teve restaurantes no bairro nos últimos 15 anos. “A única coisa negativa que eu vejo é o estacionamento, porque o resto é muito bom. Estudei aqui perto, no Colégio Moderno, portanto é uma zona que me diz muito.”
Foi um dos sócios de Francisco que passou pelo local e achou que o que até então tinha sido um espaço de açaí tinha potencial. O chef sabia bem que conceito queria, mas estava a pensar em algo maior. Ainda assim está satisfeito por ser bem mais funcional do que ambicionava inicialmente. “Tem menos custos, portanto é mais fácil de gerir.”
Em Novembro fecharam o contrato com o senhorio, começaram as obras e a 4 de Janeiro entraram os primeiros clientes.
A carta é a cara sushiman. “São sabores e pratos que eu trago comigo, de toda a minha experiência no estrangeiro e dos anos que trabalhei aqui em Portugal. Isto é o resultado.”
Nas entradas há sopa miso (3,90€), salada de algas (3,90€), gyoza (5,90€, quatro unidades) ou tempura de camarão (5,90€, três unidades). Seguem-se os tacos, servidos sempre em dupla. Os de yuzu, miso e salmão (9€) têm também mel, ovas tobiko e cebolinho. O recheio cremoso é envolvido pela crocância do taco e, acompanhados por uma das sugestões de entradas, servem na perfeição para um almoço. Há também tacos de atum e molho ponzu (11€) e de ceviche (11€), que junta peixe branco, salmão, leite de tigre, abacate, cebola, masago arare e cebolinho.
Para o chef é muito clara a vontade de ter sushi para todos. “Quero que as pessoas tenham a possibilidade de vir provar, por isso os preços não são muito altos. Acho que é possível uma pessoa vir com a família e cada um gastar 15 euros.”
Nas pokebowls é possível escolher entre a pure (8,90€), com arroz, tofu, abacate, edamame, pepino, salada de algas, takwan, cebola frita, sésamo, amêndoas laminadas, masago arare e alho frito; e salmão (7,50€), com arroz, abacate, edamame, takwan, ovas masago, salada de algas, omelete japonesa, cebola frita e sésamo. Já as opções de rolls incluem sempre oito peças. Os de salmão cozido (5,50€) foram criados a pensar na cunhada de Francisco, que está grávida. “Cozemos aqui”, garante o chef. Têm sésamo, teriyaki, maionese e abacate, tal como cebola frita no topo. Há também os típicos California roll (5€) ou tempura roll (5,50€) com sésamo, camarão tempura, abacate e maionese picante.
O primeiro trabalho que Francisco teve foi num dos restaurantes do pai, mas acabou despedido. Tinha 18 anos e prefere não partilhar os motivos. Mas, já sabia nessa altura que o caminho não era por ali. “Era um restaurante italiano, a Mercantina, e apesar de gostar muito de Itália – a minha namorada é italiana, inclusive – não era essa a minha paixão. O sushi era o que estava sempre na minha cabeça.”
Especializou-se então naquilo que o fascinava realmente. “Para quem quer aprender a fazer sushi, Portugal talvez seja o melhor país da Europa para aprender, talvez no mesmo patamar de Espanha. Temos o melhor peixe da Europa e os melhores profissionais”, afirma.
No Temakiko é isso mesmo que pretende mostrar aos clientes. No espaço, onde cabem cerca de 16 pessoas divididas por dois balcões altos e algumas mesas, a decoração é despretensiosa e quase inexistente (preto, vermelho e branco dividem-se entre paredes, mobiliário e balcão), porque o que interessa aqui é mesmo a comida e o takeaway é uma grande aposta. “Claro que há quem se demore a comer aqui, mas o mais comum é as pessoas virem buscar para levar para casa ou para o escritório.”
Os temakis, que dão o nome ao restaurante, dominam a carta. O de peixe branco fumado (5,90€) tem também abacate, ovas fumadas e sésamo e o de atum picante (6,50€) vai buscar o picante à maionese, embora seja perfeitamente suportável para os estômagos mais sensíveis. Há ainda de salmão abacate (4,50€), de camarão tempura (5,50€) ou de salmão fumado (5,50€). Em todos o arroz fica em segundo plano para dar espaço e protagonismo ao restante recheio, que ocupa grande parte do interior.
Durante a semana, existe a opção de um menu de almoço (9,50€), que inclui sopa ou salada de algas, temaki california, refrigerante e café.
Se, depois de tudo isto, restar espaço, há sobremesas, claro. Os mochis apresentam-se com várias cores e sabores (3,90€, duas unidades) e o sweetemaki (4,90€) junta um cone de bolacha morangos, banana, chocolate líquido e amêndoas laminadas.
Para já, o Temakiko está fechado à segunda-feira, mas o mais provável é que no Verão esteja aberto todos os dias. Por essa altura está também prevista a abertura de um segundo espaço – fique atento.
Rua Acácio de Paiva, 8C (Alvalade). 926 500 500. Ter-Dom 12.00-22.00
A Gala Michelin aproxima-se – e nós já sabemos alguns detalhes sobre a cerimónia de 10 de Março. O relançamento de Henrique Sá Pessoa, fora do grupo Plateform, deve acontecer antes – e o chef espera nada menos do que duas estrelas Michelin. "Até ambiciono mais", disse em entrevista à Time Out. Leia ainda sobre os novos Polémico e Entropia.
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