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‘Um Julgamento, depois do Inimigo do Povo’ estreia-se em Outubro no Brasil, primeiro em Salvador e depois no Rio de Janeiro. Chega ao CCB em Julho de 2026.

Wagner Moura vem duas vezes a Portugal esta temporada. Confirmado como convidado especial no LEFFEST, que acontece entre 7 e 16 de Novembro – vai ser alvo de uma retrospectiva, com programa ainda por anunciar –, o actor e realizador brasileiro regressa a Lisboa poucos meses depois. Da segunda vez, o cinema dará lugar ao teatro e ao palco do Centro Cultural de Belém, onde vai estar com Um Julgamento, depois do Inimigo do Povo.
A peça é um marco para Wagner Moura, que não faz teatro há 16 anos. Apresentada na segunda-feira em Salvador da Bahia, de onde o actor de 49 anos é natural e onde vai acontecer a estreia de 3 a 12 de Outubro, é uma adaptação do original de 1882 do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Depois subirá à cena no Rio de Janeiro, de 23 de Outubro a 3 de Novembro. Em Lisboa, a carreira será ainda mais curta, entre 2 e 4 de Julho, no Grande Auditório do CCB. Os bilhetes (18-30€) ainda não estão à venda.
Em Um Julgamento, depois do Inimigo do Povo, Wagner Moura dá vida ao protagonista, Thomas Stockmann, que é julgado por prejudicar a economia da sua cidade, depois de alertar para a contaminação das águas termais, tentando proteger locais e turistas. O júri mudará a cada récita, sendo composto por elementos da audiência. “Mais de um século após sua criação, a peça permanece urgente e actual: Ibsen aborda temas como verdade, fake news, ciência, democracia, ecologia e até o cancelamento – levantando o dilema entre o imperativo moral e o capital”, lê-se na sinopse brasileira do espectáculo.
A adaptação do texto é do argumentista e dramaturgo Lucas Paraizo, em conjunto com a encenadora Christiane Jatahy e o próprio Wagner Moura. O elenco conta também com Danilo Grangheia e Júlia Bernat in loco, e com Marjorie Estiano, Jonas Bloch, Salvador Moura, Antonio Falcão, Henry Soares Paes Leme e José Moura em vídeo.
O trabalho de Wagner Moura em teatro não é extenso, concentrando-se entre a segunda metade dos anos 1990 e a primeira década de 2000. Com estreia em 2008, Hamlet, de William Shakespeare, era, até agora, a sua última aventura de palco. Antes, além de um punhado de peças brasileiras, esteve em cena com O Que Diz Molero, aclamado romance do português Dinis Machado (jornalista de profissão que também escreveu policiais sob o pseudónimo Dennis McShade e não deixou de dar uma perninha em cinema e televisão).
A primeira vez que Wagner Moura despertou verdadeiro interesse fora do Brasil foi em 2003, quando Carandiru, filme de crime e violência de Hector Babenco, se estreou. Viriam duas telenovelas, A Lua me Disse (2005) e sobretudo Paraíso Tropical (2007), com nomeações e conquistas em prémios de interpretação, mas o seu rosto só se cimentou verdadeiramente na memória colectiva com Tropa de Elite (2007), de José Padilha, que venceu o Urso de Ouro em Berlim e fez correr muita tinta e já então muita conversa online. “Pede pra sair!”, “Nunca serão!”, “Pega a vassoura!” ou “Vai pro saco!” são frases que ouvimos do Capitão Nascimento que ainda ecoam.
O estrelato à escala planetária só viria com Narcos, série da Netflix em que interpreta o narcotraficante Pablo Escobar. Mais recentemente, participou em Shining Girls (Apple TV+) ou Mr. & Mrs. Smith (Prime Video). Em Cannes, este ano, foi distinguido com o prémio do festival para o melhor actor, por O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho que é o candidato brasileiro aos Óscares.
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