• Arte, Pintura

Barahona Possollo

O pintor está de volta ao Príncipe Real e, desta vez, trocou o erotismo de grande escala pelas pequenas paisagens

Mauro Gonçalves
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A Time Out diz

Depois do retrato oficial do ex-presidente da República, já muita tinta correu do pincel de Carlos Barahona Possollo. Ainda assim, esta é a primeira exposição do pintor, desde que a obra-prima veio a público, momento a que o próprio chama de “impacto mediático”. Se o nome continua fresco na cabeça dos lisboetas, isso só o número de entradas no Espaço Cultural Mercês o dirá. O que garantimos, desde já, é que Barahona Possollo volta ao Príncipe Real em preparos bem diferentes dos da última vez. O homoerotismo esbateu-se. Há corpos sim, mas muito mais próximos do nu mitológico, daquele que tem as curvas e protuberâncias todas no sítio, mas que não faz corar tanto.

Dado o primeiro aviso, o segundo: aqui, o pintor diversificou o formato. Mal entramos, tanto damos de caras com o rapaz saudável com meia melancia (do mais próximo dos trabalhos anteriores de Possollo que vai ver por aqui), como nos apercebemos da quantidade de pequenas telas espalhadas pelas paredes. É caso para dizer que o artista se rendeu ao encanto das coisas pequenas. “Sinto que nos quadros pequenos posso arriscar mais do que nas grandes telas. Nessas, acho que não me dou tanta liberdade”, explica.

E quando olhamos de perto, o realismo de Barahona Possollo ganha outros ares. Atraído pela mancha impressionista, passou o último ano de volta de paisagens: falésias, rochedos, colinas e, em dois casos muito particulares, a cidade de Lisboa. Ao longo dos quase 30 quadros, a figura humana ficou para segundo plano, numa tentativa de se desprender da realidade. Mas até nesta, a lupa diz-nos que o traço está diferente. Subidas as escadas, o trio final. Um dos quadros é uma representação de Avalokiteshvara, à Barahona Possollo, claro. Segundo o budismo, esta é a personificação máxima da compaixão. O pintor, não fez por menos e acentuou a mensagem (que não deixa de ter o seu quê de natalício) com um poema em sânscrito tibetano na moldura. E foi mais além. Imbuído do espírito, abre a galeria no sábado e no domingo, não vá faltar o calor da arte ao fim-de-semana mais fraternal do ano.

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