Cinco peças essenciais de "Utopia/Distopia" na reabertura do MAAT

Utopia/Distopia é a grande exposição de reabertura do MAAT. Pedro Gadanho, director, resume a mostra em cinco peças

©Paulo Alexandrino

Na reabertura do MAAT olha em todos os sentidos: para o passado, para o futuro, para o presente, para os futuro possíveis, para os futuros que já foram imaginados e para os que foram temidos.Utopia/Distopia – Mudança de Paradigma coloca em confronto o entusiasmo e a disforia face à tecnologia e ao futuro, com obras desde os anos 1960 – o momento em que se deixa a euforia face ao futuro e florescem os olhares mais críticos com o final da segunda guerra mundial e as revoluções sociais dessa década, explica-nos numa visita guiada Pedro Gadanho, director do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia - MAAT e curador desta exposição, ao lado de João Laia e Susana Ventura. Na mostra, 60 peças ocupam todo o espaço expositivo do museu da Fundação EDP e com isto, pela primeira vez, o público que já tinha feito do edifício de Amanda Levete um fenómeno das redes sociais, pode agora conhecer-lhe todo o interior. Com a reabertura do MAAT, fechado desde Fevereiro para obras, o acesso às exposições deste edifício e da Central, que inaugurou quarta-feira a exposição “O Que Eu Sou” e era anteriormente e entrada livre, altera-se: para cada edifício, um bilhete de 5€ e o bilhete conjunto tem o valor de 9€.

Pedimos a Pedro Gadanho uma ronda pela galeria principal (comprida e com muita arrumação) e o director seleccionou cinco obras que encapsulam o universo mais distópico do que utópico patente no MAAT até 21 de Agosto.

Cinco obras chave deUtopia/Distopia, no MAAT

Cities of the Avant-Garde, WAI Think Thank

Cities of the Avant-Garde, WAI Think Thank

“Cidades Ideais” é o primeiro momento desta exposição e nível zero em que se pensa quando se fala de utopias. Depois da Utopia de Thomas More, muitos foram os planos para cidades perfeitas, de Brasília à mais recente Arena O2. O atelier de arquitectura de Pequin WAI Think Thank pensa sobre os grandes problemas da arquitectura contemporânea e aproxima-se por vezes do campo artístico. Um bom exemplo é esta colagem de projectos utópicos que resulta num resumo de como o espaço urbano foi pensado e desejado nos últimos 100 anos.

Metrópole, Rodrigo Oliveira

Metrópole, Rodrigo Oliveira

É açúcar, senhor, é açúcar. É um castelo que não é de areia mas que é igualmente precário, feito de torrões mais vulneráveis do que a maioria dos materiais da exposição: desfaz-se com água ou com uma praga de formigas, o que é uma boa metáfora para a forma como as cidades são frágeis, diz Pedro Gadanho na secção “Ruinas da Modernidade” e avança a forma como se guarda uma peça tão frágil: desmonta-se em duas partes e guarda-se em caixas que protegem da humidade e seladas contra bichos.

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Robot Redable World, Timo Arnall

Robot Redable World, Timo Arnall

O vídeo mais sinistro de Utopia/Distopia é de autoria de Timo Arnall. E só é sinistro porque não aponta para o futuro mas usa uma realidade presente. O artista montou vários clips da leitura que robots fazem de imagens do dia a dia para reunir informação e criar padrões – pessoas a andar na rua, carros nas cidades, a expressão de pessoas enquanto falam. A isto juntou uma músicas enigmáticas que parecem saídas dos ficheiros secretos e, na secção “Visões Tecnológicas” de “Utopia/Distopia”, basta ficar uns segundos a olhar para o vídeo para nos sentirmos observados.

Corpos em Trânsito, Didier Faustino

Corpos em Trânsito, Didier Faustino

Em 2000, antes da crise dos refugiados que vivemos, Didier Faustino criou uma caixa que permitisse a uma pessoa viajar ilegalmente no porão de um avião, prevendo a necessidade de protecção num mundo em crise. Deitou-se no chão do seu atelier e os colegas desenharam-lhe a forma do corpo em posição fetal e desse esforço construiu uma caixa de alumínio. Na secção “Utopias Pessoais”, está exposto esse primeiro desenho que perante os acontecimentos dos últimos meses (e no exercício de imaginar-se lá dentro numa viagem longa) ganha uma aura perturbadora. Nesta secção, Utopia/Distopia quer reflectir sobre “a constante necessidade de uma utopia individual, um escapismo que permita resistir à distopia generalizada”, explica Pedro Gadanho.

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The Sky Exists, Diogo Evangelista

The Sky Exists, Diogo Evangelista

A notícia de que o nascer do Sol iria ser transmitido num écran gigante na praça Tiananmen porque a poluição já não deixava ver o grande astro deu a volta à internet em 2014. Mas a notícia era falsa. Porém, apontou a Diogo Evangelista uma possibilidade de futuro e até a oportunidade de fazer um registo do presente ao reportar-se a essa informação viral. A pedido do MAAT criou para esta exposição a peça de The Sky Exists, que mostra o nascer do Sol tal como seria transmitido na China. A secção de fecha a mostra pensa os dias presentes e de certa forma tem implícito que chegámos ao futuro. “Situação Corrente” pede o nome emprestado à peça de Pedro Barateiro, The Current Situation, em que o artista uma a praga que atingiu as palmeiras lisboetas como metáfora para as manifestações que aconteciam à porta da sua casa.

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