José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno

Arte, Pintura
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A Fundação Gulbenkian abre alas para Almada Negreiros, 24 anos depois da última grande exposição

“Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser.” Foi o próprio mestre que o disse e é à boleia desta verdade sobre a arte (e também sobre styling) que a Gulbenkian dedica duas salas à exposição “José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno”. Na verdade, o título permite-nos outras liberdades. Afinal, quantas maneiras de ser moderno encontramos na vida e na obra de Almada Negreiros? No mínimo, várias, se pensarmos na excentricidade que levava à rua, nos manifestos desbocados, nas ilustrações novelescas, nos estudos geométricos, no cinema. E já lá vão cinco.

Por essas e por outras é que Mariana Pinto dos Santos e Ana Vasconcelos, as curadoras de serviço, quiseram passar ao lado de uma viagem toda certinha (cronologicamente falando) pela obra de Almada Negreiros. De facto, muito mais interessante do que isso é olhar para trabalhos nunca antes mostrados ao público, nem a exposição que inaugurou o Centro de Arte Moderna, em , nem na que marcou a abertura do Centro Cultural de Belém, em  (o que só nos faz pensar que o artista é um óptimo inaugurador).

Aqui, no limite, inaugura-se todo um novo capítulo para quem apenas conhece a superfície da obra de Almada Negreiros. Ao longo de oito núcleos, distribuídos por duas galerias, sucedem-se as várias linguagens introduzidas e revisitadas pelo mestre, da abstracção geométrica às inúmeras representações dos saltimbancos, personagens de circo altamente apetecíveis aos olhos de vários artistas da época. Das  obras agora expostas, apenas um quarto faz parte do acervo da Fundação, numa amostra que vai da pintura à escultura, do cinema ao desenho. Pelo meio, há trabalhos que nos confundem. A curadora Mariana Pinto dos Santos chama-lhes “híbridos entre o estudo e a obra plástica” ou, se se preferir, projectos de alguma coisa que só por si se tornaram objectos artísticos.

Com um artista assim no topo da agenda, a programação complementar faz jus à ocasião. A partir de  de Fevereiro, o ciclo de mesas redondas explora diferentes facetas da obra de Almada. A 3 de Março, as atenções viram-se para um outro autor. Almada, Um Nome de Guerra, de Ernesto de Sousa, é projectado no espaço da Colecção Moderna.

Por Mauro Gonçalves

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Excelente colecção de cerca de 400 obras.
No próximo fim de semana estará aberto até às 0h.
As filas têm sido enormes, mas vale a pena.
Os auto retratos, os cartazes, as cores...
Um artista completo  em várias áreas.

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Este homem não foi um homem. Foi um génio. Um génio que não cabe na Fundação Calouste Gulbenkian. Ele é tão maior que uma só exposição não chega. Ali encontramos tantos trabalhos, tantos percursos, tantos Almadas. E é tão bom ver o museu repleto de gente para admirar o trabalho do artista. Mas saí de lá com um amargo de boca. O que eu gostava de ter conhecido Almada Negreiros!

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Visita obrigatória, para amantes de arte e não só! Esta é um exposição muito completa, em que se conhece o percurso do artista de uma forma nunca de antes exposta. Ao visitar a mostra de trabalhos, ensaios e experiências de Almada Negreiros conseguimos por breves instantes entrar na cabeça deste génio da Arte Portuguesa do séc. XX. São trabalhos belíssimos e que marcam a história, das mais diversas formas. Interessante para miúdos e graúdos. Atenção às filas de fim de semana, no entanto, vale toda a espera que se perde na fila. Adorei e fiquei com vontade de rever, adoro este pintor. E é sempre um gosto, passear pela Gulbenkian.