Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right 34º Festival de Almada: a importância do tamanho
Notícias / Arte

34º Festival de Almada: a importância do tamanho

História do Cerco de Lisboa
(c).RuiCarlosMateus.1954 História do Cerco de Lisboa

Quem pensa que o tamanho importa tem muitos exemplos para contrariar essa ideia disponíveis entre as 44 produções de teatro, dança e música que fazem a programação do Festival de Almada, este ano dividida por 14 espaços daquela cidade e de Lisboa. Por outro lado, o número de espectáculos e as suas duas semanas de duração fazem deste evento o maior festival de teatro em Portugal, o que decerto satisfará quem dá importância ao tamanho. Embora o melhor seja a oportunidade de conhecer ou reencontrar criadores e obras geralmente afastados destas paragens, o que não tem nada a ver com tamanhos e sim com o encantamento gerado por uns actores sobre as tábuas de um palco.

Já se sabia que o espectáculo de honra da edição 2017 seria Hedda Gabler, de Ibsen. O que não se sabia é que a encenação de Juni Dahr, apresentada o ano passado, foi a escolhida pelo público para regressar agora; melhor, o intimismo da sua apresentação numa sala onde cabem apenas uns 70 espectadores foi – disse Rodrigo Francisco, director do festival – a “inspiração” para uma programação baseada em “espectáculos de pequeno formato, assentes na proximidade entre os actores e o público”. Entre esta longa colecção de obras, que se estende de 4 a 18 de Julho, seja qual for o tamanho, apresentadas em sala e ao ar livre, encontram-se trabalhos de criadores com a dimensão do italiano Pippo Delbono (Evangelho) e do suíço Christoph Marthaler (Uma Ilha Flutuante), Pierre Guillois (Apre – Melodrama Burlesco), Gianina Cărbunariu (Gente Comum), ou companhias como a inglesa 1927 (Golem) e, vinda da Bélgica, a Peeping Tom (Mãe). E ainda há espaço para cinco estreias de companhias nacionais e um ciclo destinado ao Novíssimo Teatro Português.

 

Hedda Gabler, de Ibsen

 

 

É no lado português do cartaz que se encontra uma das mais importantes estreias do ano, História do Cerco de Lisboa, dramaturgia de José Gabriel Antuñano, a partir do romance de José Saramago, encenada por Ignacio García. Produção, aliás, só possível graças a uma rara e exemplar colaboração entre companhias, juntando a Acta – Companhia de Teatro do Algarve, a Companhia de Teatro de Almada e o Teatro dos Aloés, no processo assegurando, para já, quatro dezenas de representações por todo o país. É neste capítulo que também se poderão ver as novas criações de Miguel Moreira e Romeu Runa, Operários, e Ela Diz, de Carlos J. Pessoa, sem esquecer a reposição de Moçambique, de Jorge Andrade, pela companhia Mala Voadora, nem Primeira Imagem, concepção e encenação de John Romão, interpretada por alunos da Escola Superior de Teatro e Cinema.     

 

Operários

 

 

O que é apenas parte de um cartaz que inclui concertos (já agora: gratuitos, na Esplanada da Escola D. António da Costa, mesmo ao lado do Teatro Municipal Joaquim Benite) de Waldemar Bastos, Aldina Duarte, Irmãos Catita, Bruno Pernadas e Samuel Úria; apresentações de música flamenca dos Flamen4Tet, de fusão ibero-americana por Andando Caminos, “mix balcânico” pelos Opaz, uma festa mexicana com Los Chapulines, música kletzmer por conta do Tchekhov Trio), jazz com a Orquestra Geração, e repertório erudito, responsabilidade do Opus 22, sem esquecer Flor do Lácio, sessão dedicada à poesia em português. E já que estamos a falar em espectáculos de borla, aproveita-se e inclui-se os imaginados para serem representados na rua, que, neste caso, é a Cândido dos Reis, em Cacilhas, onde se encontraram Ez Aviador, de Projeto Ez, Haute Cuisine, de Il Cataldo, de Lapso Producciones, Proyecto Voltaire, e também Crasssh Duo Circus. No meio disto ainda sobra tempo para o festival homenagear a obra do artista plástico António Lagarto com uma exposição e uma instalação, a que se junta outra exposição, esta de Jorge dos Reis (autor do cartaz desta edição), e para a encenadora norueguesa Juni Dahr dar o curso de formação teatral O Sentido dos Mestres, ou João Carneiro moderar um debate sobre “novíssimo teatro português”, com a participação de Diogo Tavares, Ricardo Boléo, Teatro do Eléctrico, Teatro da Cidade e Companhia Mascarenhas-Martins. 

Publicidade
Publicidade