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Amazónia: a ecologia da sobrevivência chega esta quinta ao São Luiz

Por Miguel Branco
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Uma telenovela ecológica gravada na Amazónia. Eis a proposta da mala voadora para o espectáculo que esta quinta estreia no São Luiz. Cuidado com a selva. 

Se é uma mala voadora é normal que seja uma mala viajada. Depois de Moçambique, onde um grupo de actores explorava, com fracasso, uma fábrica de concentrados de tomate, vem a Amazónia, onde as mesmas pessoas vão rodar uma telenovela ecológica. “O mundo precisa, é urgente, é ético, vai ter audiências”, explica o autor e encenador Jorge Andrade. No fundo, é a mala voadora a explorar outras possibilidades de ficção, em geografias mais aprazíveis do que aquelas onde estão quase todo o ano. Amazónia estreia esta quinta-feira no São Luiz Teatro Municipal. 

Ideia que, obviamente, surge de um encanto pela natureza bruta, indomável que habita aquela região do globo. “Já há algum tempo que queríamos fazer um espectáculo sobre a Amazónia, não exactamente enquanto espaço físico, mas enquanto espaço selvagem”, confessa Jorge Andrade. O mesmo que se despacha a confirmar que esta ecologia não é aquela dos três érres, não é aquela de publicidades com crianças de vozes fofas e sensibilizadoras, não é aquela que poupa água no duche. É antes a ecologia que impede a originalidade, que fomenta o plágio: “Para fazermos este espectáculo ecológico, quisemos ser ecológicos, e, portanto, não tem uma única ideia nova. O que fizemos foi ver outros espectáculos, ler livros, pedimos um cenário emprestado, comprámos figurinos de outros espectáculos, o desenho de luz e a música também”, diz. E quando se recupera algo que já estava mumificado, a múmia renasce, e aí segurem-se, que há organismos que nem o mais encantador dos humanos consegue controlar. 

Esta telenovela é isso mesmo: um enredo que nos/lhes foge dos guiões, que transforma aquela produção numa espécie de survivor na selva, como confirma o encenador: “Ao pegarmos no formato de telenovela, que obedece a uma narrativa sempre muito perceptível, aqueles actores e personagens acabam por ser afectados pela selva e acaba por ser mais um argumento-delírio que se confunde com a realidade”. 

Apesar do delírio, há coisas palpáveis, como a recuperação da história da Amazónia “seja através do desmatamento, da exploração dos seus recursos naturais, seja através da extinção dos povos indígenas”, afirma. Estamos todos em extinção. Sobra a história.

São Luiz Teatro Municipal. Qua-Sáb 21.30, Dom 17.30. 12€-15€.

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