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Pesto
©Jules/Flickr

Aquela pizza de pesto

Por
Mariana Morais Pinheiro
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Esta é uma história de amor. A minha por um prato de comida. Por um esparguete al dente, afogado num pesto verde vivo, granuloso e gorduroso, esmagado à mão por uma nonna num almofariz de pedra. Comi-o em Génova, há muito tempo. Da cidade, pouco me lembro. Do prato é que eu nunca me esqueci.

Nessa tarde regressei a Parma, onde vivia (cidade que cheirava a prosciutto crudo e a queijo Parmigiano-Reggiano, e que me fez regressar com mais sete quilos no corpo e outros tantos de queijo na mala), de barriga cheia e carregada de frascos. Enquanto uns levavam bustos de gesso do Colombo, eu levava pesto para a minha mãe.

A minha cozinha não voltou a ser a mesma. De repente, as latas de conservas, os pacotes de arroz, os sacos de grão começaram a perder terreno para um exército temerário de pestos que procriavam nas prateleiras. Havia pestos originais, outros com nozes, com tomate seco ao sol, com ricota, com alho ou sem alho. Com uma data de coisas. O pesto era incrível. O pesto tudo resolvia. Ficava bem em massas para impressionar, ou em massas para despachar. Era massa com pesto para o almoço. Era massa com pesto para o jantar.

Com o tempo aprendi a domar a paixão. O pesto virou amor e eu passei a comê-lo com parcimónia. Todas as quintas-feiras jantávamos juntos nos restaurantes de Lisboa. Eu enrolava o esparguete no garfo, e o pesto, escorregadio, volta e meia escapulia-se. Compreendíamo-nos e tudo ia bem. 

Até que o vi, lânguida e gulosamente, estendido sobre um redondo pedaço de massa. E eu que não sabia que o pesto, esse vagabundo, se prestava a tais preparos. 

Pedi, então, a pizza da pizzaria In Bocca Al Lupo, na Praça das Flores, rica em pizzas biológicas e vegetarianas, e tive a certeza que comia um dos pratos da minha vida. 

Vinha mergulhada no pesto mais saboroso de que lembro, caseiro, fresco, aromático, biológico, inesquecível. Por cima, levava grossas rodelas de mozarela de búfala, e por baixo, a massa mais fina (é esticada três vezes), leve e estaladiça. Simples. 

Volta e meia passo por lá, como-a em dias de festa. 

Peço sempre a lista na tentativa que outra pizza me tente. Mas em vão. Roubo sempre um pedaço da pizza de quem vai comigo. Mas não vale a pena. Esta ficou-me no coração. 

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