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É assim que se quer o peixe fresco, aconselham os avós: sangue na guelra e olhinhos brilhantes. É com esta vivacidade que começa sexta-feira o Sangue na Guelra, a celebrar as origens da gastronomia nacional e o rodopio que vai nas cozinhas e restaurantes portugueses. A abrir, o festival e os chefs convidados marcam o ponto em que estamos e assentam para onde vamos: o “Manifesto para o futuro da cozinha portuguesa” ou “Manifesto 0.0” é uma espécie de dez mandamentos que afirma que a nova cozinha quer ser mais do que sabor. Quer sustentabilidade, olho nas raízes mas também em novos caminhos e afirmar-se “tão importante como ler e escrever”.
Antes de partir para a acção — com a primeira edição do Blood n’Guts, festival de comida de rua em que chefs são desafiados a confeccionar pratos dignos de rulotes, e os jantares orientados por jovens chefs promissores — o festival que tem este ano a quinta edição tirou um minutinho para se sentar e pensar. Sexta-feira foi dedicada ao III Simpósio Sangue na Guelra que juntou no Hub do Beato uma colecção de chefs e personalidades ligadas à gastronomia e misturou a visão mais tradicional com as impressões de quem está a olhar para a alta cozinha portuguesa.
No princípio era Maria de Lourdes Modesto, neste simpósio como na cozinha tradicional portuguesa, já que a ela todos os que se seguiram podem agradecer a pesquisa e inventariação do que há de mais popular e identitário. Depois da conversa com Duarte Calvão, crítico e director do Peixe em Lisboa, vieram sessões com chefs como Henrique Sá Pessoa, João Rodrigues, Alexandre Silva ou José Avillez, sobre o pão, o sangue, as frituras e o sal — tudo essenciais da cozinha nacional — e as intervenções do jornalista francês Andrea Petrini, do chef turco Semi Hakim e de Nuno Mendes.
O dia terminou com a revelação do manifesto trabalhado nos últimos meses pelos chefs convidados pelo Sangue na Guelra — Henrique Sá Pessoa, José Avillez, Alexandre Silva, João Rodrigues, Milton Anes, Kiko Martins, Hugo Nascimento, Pedro Pena Bastos, Tiago Bonito, Luís Barradas, Leandro Carreira, Hugo Brito, Manuel Maldonado, Tiago Feio, Rodrigo Castelo, David Jesus e Carlos Fernandes.
Os contributos foram todos recebidos e digeridos por Ana Músico, da Amuse Bouche, que organiza o festival. “Acreditamos que é chegado o momento de estabelecer as bases de um movimento colectivo que defina os princípios da nossa cozinha e proteja os produtos e produtores, as técnicas, os profissionais e o saber fazer que lhe conferem solidez e identidade, garantindo que este conhecimento não é privilégio de alguns mas um direito de todos”, lê-se em comunicado de imprensa.
Para proteger o produto e tentado envolver todos numa cultura gastronómica, estes são os 10 pontos que querem orientar as decisões do futuro.
Manifesto para o futuro da cozinha portuguesa ou Manifesto 0.0
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