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João Ricardo: actor para todo o serviço

Por Rui Monteiro
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Esteve para ser Hugo Válter em Crise no Parque Eduardo VII, a peça em cena no Teatro da Comuna. A doença já não deixou. João Ricardo morreu, aos 53 anos, depois de muito batalhar contra o cancro que o venceu na quinta-feira, e em Julho o levara a abandonar o elenco da telenovela Espelho d’Água.

Foi na televisão que se estreou (na série Caixa Alta, de Tozé Martinho e Manuel Arouca, em 1989) e foi principalmente na televisão que o seu trabalho foi reconhecido e o actor ganhou popularidade. O teatro e o cinema, porém, não lhe foram alheios. O teatro primeiro. Logo no ano seguinte à sua estreia televisiva, Hélder Costa chamou o antigo aluno da escola de palhaços do Chapitô para substituir um actor subitamente impedido de participar na sua adaptação do filme de Ettore Scola, O Baile.

Tão bem se saiu João Ricardo que, logo a seguir, o encenador o convidou a participar em Liberdade em Bremen, de Rainer Werner Fassbinder; passando boa parte dos cinco anos seguintes na companhia A Barraca, enquanto prosseguia a sua carreira televisiva, à qual se dedicou em quase exclusividade a partir de 2010, após integrar o elenco de Hannah e Martin, de Kate Fodor, encenação de João Lourenço para o Novo Grupo/ Teatro Aberto.

Após a saída da companhia, além de participar em filmes como A Costa dos Murmúrios, de Margarida Cardoso, A Passagem da Noite, de Luís Filipe Rocha, ou, de João Botelho, A Corte do Norte, Filme do Desassossego, e o controverso Corrupção (longa-metragem renegada pelo realizador depois da interferência do produtor da película), e de dirigir artisticamente o Teatro de Carnide (que, este mês, o homenageou com o espectáculo Carrossel de Histórias!), o seu percurso teatral tornou-se diverso.

Foi em Carnide que João Ricardo começou a encenar, escolhendo para estreia Os Ausentes, de Luz Franco, e, durante uma década, acumulou 22 encenações. Entre as mais importantes estão decerto Sonho de Uma Noite de Verão, em 2004, e A Ilha Encantada, no ano seguinte, ambas obras de William Shakespeare produzidas pelo Teatro D. Maria II, palco que também pisou como actor, mais uma vez com o dramaturgo inglês a fornecer os textos, participando, em 2005, em Ricardo II e, um par de anos depois, em Hamlet.

Apesar de mais de seis dezenas de interpretações e de duas dezenas de encenações no teatro, foi na televisão que João Ricardo mais se destacou. Aí, de permeio com a participação em “reality shows” e concursos de celebridades, como Toca a Mexer e Splash!, integrou o elenco de telenovelas e séries em todas as estações nacionais, como Todo o Tempo do Mundo, Mundo Meu, Tempo de Viver, ou Deixa-me Amar, sem esquecer Morangos com Açúcar e Equador, Bocage, Cruzamentos, Podia Acabar o Mundo, Laços de Sangue, Rosa Fogo, Dancin’ Days e Coração d’Ouro.

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