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Leonard Cohen. O nosso homem em 10 itens para a posteridade

Por Maria Ramos Silva
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Chamaram-lhe "príncipe dos vagabundos", "poeta do pessimismo", "vendedor do desespero", "padrinho da tristeza". Depois disto, alguém precisa de receber o Nobel? Nós é que precisamos da lista que se segue. Tome note, e vá em paz. 

You Want it Darker — Quanto mais negro, melhor. A despedida em disco

Uma coisa é dizer adeus aos discos, outra, ao alcance de uns quantos sad few, é dizer adeus aos discos em disco. Assim aconteceu, com o seu 14º título, lançado há menos de um mês, no ano em que completou 82 anos. Podíamos recuperar mil e uma canções muito mais intemporais e emblemáticas mas deixamos isso para si e para o mural do seu Facebook. Temos a certeza que foi mais rápido que nós.

Leonard Cohen on Leonard Cohen — As melhores frases

As mais fascinantes palavras extravasam os poemas. De tal forma que em 2015, o editor Jeff Burger compilava algumas das melhores tiradas de Leonard Cohen. Os momentos são retirados de mais de 50 entrevistas dadas pelo artista, entre 1966 e 2012. Vale a pena ir além do básico citador do motor de busca, mas sim, aquela da fenda e da luz é só incrível. Nem de propósito, leia um hino à vida num dos últimos textos sobre ele, na The New Yorker, antes da torrente de obituários. 

 

A Broken Hallelujah — Rock and Roll, Redenção e a Vida de Leonard Cohen, uma vida em livro

Liel Leibovitz teve acesso privilegiado a documentos de Cohen, e em 2013 traçava em livro a biografia do homem cuja carreira ao vivo se iniciava de forma tímida e titubeante, para poucos anos depois domesticar uma multidão de ensandecidos, como se já tivesse nascido a fazer isto. O episódio em causa é contado dentro de momentos.

 

Livro do Desejo — o regresso aos poemas e a parceria com Glass

Teve edição em português, da Quasi, por ocasião do lançamento internacional. Em 2006, Book of Longing, ou Livro do Desejotornava-se um acontecimento — era o primeiro livro de poesia de Leonard Cohen desde 1984. No ano seguinte, o compositor Philip Glass apresentava um trabalho musical baseado nesta obra de Cohen.

 

I'm Your Man — o documentário

Em 2005, a australiana Lian Lunson dirigia Leonard Cohen: I'm Your Man, o documentário sobre a vida e a obra do canadiano, entrevistado na sua casa de Los Angeles, e cujos relatos se cruzavam com versões das suas músicas, interpretadas por artistas como Nick Cave e Rufus Wainwright. Ao cair do pano, o músico junta-se aos U2 para cantar "Tower of Song".

 

Leonard Scrapbook — A vida e o mundo em desenhos

No final da década de 90, Cohen encetou o processo de digitalizar boa parte dos desenhos e ilustrações espalhados por inúmeros cadernos, acabando por contribuir para o recheio online da página The Leonard Cohen Files e por marcar presença em várias exposições. Fine Art, diga-se.  

 

Em Mt Baldy — a fase budista em filme

Corria o ano de 1994 quando o nosso homem se refugiu no Mt Baldy Zen Center, nos arredores de Los Angeles, disposto a tornar-se um monge budista e a receber o nome de Jikan, sinónimo de "silêncio". Foram cinco anos de retiro espiritual lado a lado com o mentor Kyozan Joshu Sasaki Roshi, que morreu em 2014, com a provecta idade de 107 anos. Em 2001, Cohen regressou aos discos com Ten New Songs.

Isle of Wight. Ao vivo e a cores para a posteridade. Amén

Murray Lerner, premiado documentarista, esteve prestes a fazer as malas e a fugir do recinto, mas graças a Deus (nestas coisas pensamos que Ele deve mesmo existir) ficou para contar a história. A 31 de Agosto de 1970, 600 mil almas, seis vezes mais do que o número de bilhetes vendidos, tornavam a terceira edição do festival Isle of Wight num verdadeiro inferno. Era o preço a pagar para atingir o éden frente a frente a Miles Davis ou The Who. À uma da manhã, acordam Cohen, a quem cabe a perturbante missão de actuar depois de Jimi Hendrix (e do incêndio de um piano.) O músico faz-se ao palco. Com um casaco estilo safari sobre o pijama que não chegara a despir. Se não se importar das legendas em  espanhol, recorde tudo no Vimeo. Em 1971, lançaria Songs of Love and Hate.

O Jogo Favorito — o primeiro romance

O romance de estreia do músico foi publicado pela primeira vez em 1963, pela Secker and Warburg. Quatro anos antes, Cohen recebera uma bolsa do estado canadiano e usou o dinheiro para passar uma temporada em Londres e na ilha grega de Hydra, e dar largas à escrita. Em Setembro de 2010, a editora Objectiva lançava uma versão de O Jogo Favorito, a história do jovem Lawrence Breavman e da sua busca por amor e beleza. A década de 60 ficou ainda marcada pela edição de Flores para Hitler, colecção de poemas traduzida entre nós, e por outro romance, Beautiful Losers

 

O guarda-roupa, senhores, o guarda-roupa

Em miúdos, tentam assustar-nos com o a figura do homem do saco. Depois crescemos e tudo piora (no tudo de bom que isto representa, atenção). Deixamo-nos raptar pelo homem do fato. Ele que nos habitou à dupla calças/casaco e ao chapéu, e que mesmo nos anos 60 não perdia de vista a gabardine. Hoje, só por causa dele, até usamos a palavra trench coat. Reveja-o em imagens, no dia do primeiro concerto de todos. O tal que não correu muito bem. Hallelujah.

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