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Óscares. A passadeira vermelha é mesmo vermelha? Mais ou menos

Por Maria Ramos Silva
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Há quem defenda que está mais próxima do bordeaux, e na verdade até tem direito a um nome especial, o "Vermelho Academia". Esta é apenas uma das muitas curiosidades sobre o longo tapete, tão famoso nesta cerimónia como as estrelas que o pisam.

Mas afinal quem faz a passadeira?

A resposta é Signature Systems Group, uma empresa de pavimentos sediada em Santa Fe Springs, a quem cabe garantir duas coisas desde o ano de 2008, quando assumiu esta responsabilidade: que a passadeira vermelha se apresenta mais brilhante que nunca, e que nenhuma das celebridades que por ela desfilam na cerimónia dos Óscares corre o risco de enfiar um salto numa ruga e protagonizar uma queda aparatosa.

Oh, mas isso até tem graça. 

Nós sabemos. Fique descansado que de vez em quando sucede, para gáudio de quem está quase a adormecer lá em casa. Aconteceu com Jennifer Lawrence em 2014, um ano depois de a actriz se estatelar quando caminhava ao palco para receber uma estatueta dourada por Guia para um Final Feliz. Tomou-lhe o gosto.

Desenrolá-la dá tanto trabalho como parece?

Acreditamos que sim. Não se esqueça que estamos a falar de quase 275 metros, mais tapete menos tapete, e de uma equipa de 18 trabalhadores convocados para esta missão ao longo do Hollywood Boulevard, mesmo em frente ao Dolby Theater, onde a cerimónia decorre. E se aspirar os da porta de casa já é uma maçada, imagine este.

Ok, mas 18 pessoas chegam e sobram para despachar tudo no Domingo.

Olhe que não, caro leitor. Não tem visto televisão? Os homens andam no terreno desde 21 de Fevereiro e a empreitada ronda as 900 horas de duros trabalhos manuais. De tal forma que só dão as funções por terminadas praticamente em cima da hora, quando começam a chegar as primeiras estrelas. Uma pausa mais demorada para ir à casa de banho e sabe-se lá a tragédia que não é.

Está-se mesmo a ver que os fornecedores devem passar o resto do ano a gabar-se da passadeira.

Vá lá, são os Óscares, e isso tem um sabor especial, tal como os Globos de Ouro ou os Grammy, mas isto para eles até nem é nada. Está a ver o Super Bowl? Já aconteceu pedirem-lhes uma passadeira com 650 mil metros quadrados. É como visualizar os actores enfileirados para entrar no Dolby e depois aparece o Tom Brady e abalroa-os a todos. 

Dizem-me que eles trabalham desde 2008, mas antes disso já havia passadeira. 

Bem observado. A história de Hollywood cruza-se com a de um senhor chamado Sid Grauman, um empresário do sector que se lembrou de usar algo do género em 1922, na estreia do clássico Robin dos Bosques. Foi em 1961 que a passadeira vermelha fez a sua estreia no contexto do Óscares, e desde então tornou-se elemento indiscutível do espectáculo. O que seria da cerimónia sem corte e costura? Falamos da má língua sobre os vestidos que por aqui passam, claro, não da confecção dos figurinos em si. 

Vendo bem, também não serve para muito mais, pois não? 

A questão não é assim tão simples. De tal forma que o jornal LA Times até consultou um historiador para explicar a existência do comentado tapete. Segundo Marc Wanamaker, há três razões primordiais. Primeiro: a passadeira funciona como um trilho e orientação para quem caminha. Segundo: contribui para o equilíbrio das estrelas e respectiva passada. Terceiro: tem um evidente lado glamoroso. 

Eu gostava mesmo era de tocar no tecido para ver se o material é bom. Pronto, é uma mania que a pessoa herda da avó.

Pois fique a saber que aquilo é nylon. Nylon fabricado em Dalton, no estado da Georgia, uma espécie de Mealhada dos tapetes, mais conhecida como "A Capital Mundial das Passadeiras". Fique de olho nele de Domingo para segunda e tente que o sono não o leve ao tapete.

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