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"Todo o Palco é um Mundo" estreia esta sexta. Um encontro na tradução

Por Miguel Branco
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Marco Martins e Beatriz Batarda abdicam das legendas em Todo o Mundo é um Palco, espectáculo que estreia esta sexta no Teatro da Trindade, que celebra 150 anos. É ver isto e ir aprender línguas. 

Se ‘A’ diz, ‘b’ traduz. Na colecção de letras tradutoras que ocupam este palco encontramos antigos operadores de call center, ex-campeões nacionais de iô-iô, músicos, jornalistas, realizadores. Neste Todo o Mundo é um Palco cabemos todos. 

Foi esta a ideia de Marco Martins e Beatriz Batarda, que a propósito dos 150 anos do Teatro da Trindade decidiram chamar 17 pessoas que, de alguma maneira, ocupam a área de incidência da Fundação Inatel (Santa Maria Maior, Mouraria, por aí). A estes juntaram Romeu Runa, Miguel Borges e Carolina Almeida, intérpretes profissionais que se confundem com gente normal. Gente para quem o teatro sempre foi a vida, uma rua sem bastidores, gente para quem o palco é sobretudo um risco. Estreia esta sexta-feira e por aqui fica até 10 de Dezembro. 

 

Fizeram-se 180 entrevistas ao longo de dois meses, a que se  seguiu a selecção das pessoas e um período de acção de formação em disciplinas como a música, dança, improvisação. Nesse processo contaram-se histórias, expuseram-se vidas, vidas de gente de etnias e latitudes distintas, que quase podiam representar o mundo na sua totalidade. 

De palco despido – onde se podem observar as entranhas do Teatro da Trindade, os janelões, as escadas de acesso aos camarins – o espectáculo assume-se como um conjunto de biografias entrelaçadas e contadas na língua de cada elemento. Caso para dizer que aqui não ficaremos perdidos na tradução: “O espectáculo está construído sobre a tradução, sobre o desejo do encontro e da partilha, seja entre quem está no palco ou quem está na plateia. Começa por ser traduzido por todos eles, em palco, em parelhas. E, gradualmente, o papel de tradutor vai-se transformando num papel de intérprete até apropriar por completo a história do outro e ser transformada neste objecto artístico para além deles, para além das suas biografias”, explica Beatriz Batarda. 

E também os profissionais disponibilizam as suas memórias, como o solo de Runa, onde liberta a raiva nos microfones, aquela que sobrou da sua adolescência na Margem Sul. E Runa é a chave desta criação. É mestre de cerimónias, DJ, provocador, e cria, através de um sem fim de cadeiras e de microfones, uma coreografia, constantes e novos dispositivos cénicos que ajudam a arrumar a casa ou a desarrumar a história. As histórias.

E apesar de estarmos no campo da celebração, com direito a uma espécie de flashmob e tudo, não podíamos também deixar de estar no terreno da reflexão. “É uma reflexão sobre o momento de estar em palco e sobre esta relação entre observador e observado; o teatro constrói isso. Durante o espectáculo vão-se criando, com as cadeiras, várias plateias em que as pessoas alternam entre as duas funções. O ser observado é o ser que está implicado e que tem que fazer escolhas; o ser observador é o que tem algum distanciamento e a possibilidade de reflectir.”, afirma Batarda. E há lá melhor possibilidade na vida.

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