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Um D. João Português, a nova peça de Luís Miguel Cintra

Por Miguel Branco
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Com produção da Companhia Mascarenhas-Martins, e com um elenco que lhe é próximo, o fundador do Teatro da Cornucópia volta ao palco pela primeira vez depois do encerramento

Até parece que o Dia Mundial do Teatro tem dois dias. Ou, pelo menos, com boas novas como esta, é de continuar as celebrações. Depois do fim atribulado do Teatro da Cornucópia – que foi a casa de Luís Miguel Cintra durante 43 anos – o encenador e dramaturgo português volta à acção com Um D. João Português, a partir de uma tradução portuguesa anónima vendida nas ruas como literatura de cordel. Será justo dizer que esta adaptação de D. João, de Molière, se deve, em grande parte, ao teatro de cordel setecentista português.

Com a produção da Companhia Mascarenhas-Martins (radicada no Montijo), Luís Miguel Cintra rodeia-se daqueles que conhece (muitos dos actores do elenco cruzaram-se com o Teatro da Cornucópia) para um projecto visionário. O espectáculo vai dividir-se em quatro fases diferentes, em quatro cidades distintas durante 2017. Em cada paragem, o grupo de trabalho vai partilhar com os espectadores locais a fase que se encontra a trabalhar na própria cidade, para, a partir do início de 2018 regressar a cada local para apresentar a sequência total desta espécie de digressão de uma banda de rock’n’roll. 

A primeira paragem, onde vai ser lido o primeiro trecho, “Na Estrada (da vida)”, dá-se no Montijo, numa colaboração com a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia da União das Freguesias do Montijo e Afonseiro (é, de resto, no pólo da freguesia do Afonseiro que vai ser apresentado, este sábado, dia 1 de Abril, pelas 21.00, o processo da coisa). 

Relativamente aos outros apeadeiros, já se sabe que o terceiro bloco vai ser apresentado no Teatro Viriato, em Viseu, desconhecendo-se, até agora, a localização do segundo e quarto capítulos do projecto. Que, convém dizer, era um desejo antigo de Luís Miguel Cintra. 

Ele que decide agora adaptar-se aos novos veículos de produção teatral, só que em vez de se fechar numa casa emprestada para ensaiar, dá-lhe a volta, fazendo disto uma viagem, a várias velocidades, que não é independente do espectáculo. Uma provocação e um venha-para-junto-de-nós directo ao público. “Queremos que os espectadores sejam cúmplices deste jogo, desta mistura que é igual a como funcionam as nossas cabeças nos seus melhores momentos. Para nós o Teatro é como um campo de treinos do desporto favorito dos seres humanos, aquele que o distingue dos animais: pensar. E aceitar ou não, ser moral e ser feliz”, pode ler-se no comunicado. 

Antes que se disparem perguntas, é bom esclarecer: isto não é um espectáculo do Teatro da Cornucópia, que cessou actividade em Dezembro de 2016. Com encenação e dramaturgia de Luís Miguel Cintra, este é um espectáculo de André Pardal, Bernardo Souto, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Guilherme Gomes, Joana Manaças, João Reixa, Leonardo Garibaldi, Luís Lima Barreto, Nídia Roque, Rita Cabaço, Rita Durão, Sílvio Vieira, Sofia Marques e da Companhia Mascarenhas-Martins. 

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