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Videojogos: Está aberta a época de caça ao nazi

Por
Luis Filipe Rodrigues
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É curioso que, numa altura em que o espectro da extrema direita volta a pairar sobre a Europa e os Estados Unidos da América, dois populares jogos de tiros na primeira pessoa – Wolfenstein II: The New Colossus e Call of Duty: WWII, ambos disponíveis para PC, PlayStation 4 e Xbox One – tenham como alvo nazis.

É curioso, mas não passa disso. Os nazis, tal como os extraterrestres ou os zombies, são alvos frequentes destes jogos porque é fácil desumanizá-los. Além disso, quando estes títulos começaram a ser produzidos, ninguém imaginava que em 2017 pessoas iam ser mortas na sequência de manifestações de extrema direita, como aconteceu em Charlottesville, nos EUA.

Tirando os nazis e algumas semelhanças mecânicas, os jogos não podiam ser mais diferentes. Wolfenstein II: The New Colossus encontra-se algures entre uma fita de série B alucinada e um blockbuster de Michael Bay. O jogador volta a encarnar B.J. Blazkowicz, o soldado americano de origem judaica que protagoniza a série e diminui a esperança média de vida dos nazis desde o seminal Wolfenstein 3D, em1992. Desta vez, a acção decorre numa América ocupada por nazis, bem integrados e sintonizados com uma sociedade supremacista branca.

A facilidade com que os americanos comuns cederam e assimilaram um fascismo racista é impressionante, e adquire um subtexto inesperadamente actual, mas isto não é um ensaio sobre o colaboracionismo e banalidade do mal; é uma aventura de acção anfetaminada. Eis um possível sumário: o protagonista começa numa cadeira de rodas, mas isso não o impede de limpar o sebo a nazis. Passado um bocado, adquire uma armadura mecânica criada séculos antes por uma sociedade secreta de místicos judeus, e ceifa ainda mais nazis. Por fim (vêm aí spoilers...) é decapitado, mas a resistência cola a cabeça a um novo e melhor corpo, e passado um bocado os nazis voltam a sentir a supremacia da dor.

Não há nada disto em Call of Duty: WWII. É um épico bélico que começa no desembarque na Normandia e acompanha um bando de soldados americanos até ao fim do conflito na Europa. A guerra é o pano de fundo, mas o coração da narrativa é a relação de camaradagem entre os militares – um pouco como na clássica minissérie Irmãos de Armas.

O militarismo jingoísta da franquia da Activision não foi refreado, mas é um dos capítulos mais bem conseguidos. Narrativa e sobretudo mecanicamente. Apesar de continuar a depender demasiado de sequências em que o jogador não tem qualquer agência, não é tão castrador. E a barra de saúde não se regenera automaticamente, como hoje é regra neste género de jogos, sendo necessário usar kits de primeiros socorros à antiga – tal como Wolfenstein II: The New Colossus. Parece pouco, mas é revigorante. Torna tudo mais tenso e visceral.

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