Cinco coisas que tornam uma cidade vibrante

E três coisas que parecem incomodar menos do que imaginávamos
Largo do ingtendente
Fotografia: Manuel Manso
Publicidade

Fizemos 81 perguntas pessoais a cada uma das 20 000 pessoas que responderam ao nosso questionário, com vista a chegarmos mais perto da resposta à seguinte pergunta: o que faz de uma cidade um sítio vibrante?

Em que é que as cidades que ficaram no topo do nosso City Index diferem das que ficaram um pouco abaixo?

Os resultados podem surpreendê-lo.

Cinco coisas que tornam uma cidade vibrante

© Ben Duchac, Unsplash

São animadas

Uma grande cidade tem de ter vida com fartura.

As cinco cidades mais votadas no Time Out City Index – Chicago, Melbourne, Lisboa, Nova Iorque e Madrid – foram também as que tiveram as pontuações mais altas por serem “sítios inspiradores e revigorantes”, enquanto Kuala Lumpur (#18 do nosso ranking) teve a pontuação mais baixa.

Os meios de que as pessoas dispõem é o motivo que as leva a perdoar o stress e as tensões inerentes à vida na cidade. Menos de um em cada dez nova-iorquinos descreveu a cidade como um sítio “fácil” para se viver, contudo, não foi por isso que a mesma deixou de aparecer em quarto lugar do índex.

E as melhores cidades continuam a evoluir. São Paulo ficou em 7.º lugar no questionário, embora Paris tenha ficado em 15.º. Ambas receberam pontuações semelhantes relativamente a ofertas culturais, mas enquanto 70% dos paulistas dizem que existe sempre algo novo para se fazer, apenas 44% dos parisienses defendem o mesmo.

Têm sabor

Será que é a boa comida que torna uma cidade incrível ou será que são as cidades mais vibrantes que atraem os grandes chefs? Seja qual for a resposta, a verdade é que as pontuações que as cidades analisadas obtiveram pelos seus bares e restaurantes estiveram alinhadas de forma quase perfeita com o ranking geral – as que ficaram nos oito primeiros lugares relativamente à alimentação também foram as oito primeiras da classificação geral.

Chicago, a vencedora do nosso índex, e Melbourne, que vem logo atrás, tiveram as pontuações mais altas por terem “óptimos bares” e uma “grande oferta de restaurantes”.

Publicidade
© David Marcu

Valem a pena explorar

Um universo variado e característico de bairros em vez de zonas residenciais bonitinhas à volta de um núcleo urbano central é também uma vantagem importante para uma cidade – significa um maior número de sítios interessantes onde morar e zonas diferentes para conhecer.

Nova Iorque (#4) e Chicago (#1) são as cidades onde os habitantes mais gostam de explorar diferentes áreas, por oposição a Miami (#12) e a Singapura (#14), lugares onde há alguma indiferença relativamente às zonas locais dos inquiridos – com poucas opções agradáveis para caminhar até casa – e até falta de interesse em visitar outras.

© Davide Cantelli, Unsplash

Levam as coisas com calma

A vida na cidade é muitas vezes associada ao stress, correria e demasiado trabalho apesar de para as pessoas ser cada vez mais fundamental a existência de um equilíbrio entre o trabalho e a vida privada.

Pequenas diferenças nas horas de trabalho podem ter algum impacto, que o digam as seis cidades que lideram a nossa lista – nestas as pessoas ficam em média menos três horas no escritório do que nas últimas seis. (Curiosamente, não há qualquer relação entre a média de horas de trabalho numa cidade e a satisfação que é haver um equilíbrio saudável entre o trabalho e a vida social.)

A tendência de ficar horas a mais no escritório tem um impacto significativamente negativo – é difícil fazer planos para sair à noite ou ir jantar fora quando os horários de trabalho são imprevisíveis e ninguém gosta que amigos ou familiares se cortem. 45% das pessoas no Dubai (#17) disseram que trabalham por norma fora de horas, em contraste com 28% dos madrilenos (Madrid #5).

Publicidade
© Alexis Brown, Unsplash

São afáveis

As cidades podem ser paradoxais – aglomerados superdensos de humanos muitos deles solitários. Talvez seja por isso que um sorriso de um estranho faça toda a diferença.

As cidades com mais vida são os locais onde é mais provável conversar com um estranho. Chicago (#1) levou a melhor e Tóquio (#13) precisa de mudar muita coisa.

Na verdade, as quatro cidades onde as pessoas dizem que é mais fácil fazer amigos – Cidade do México (#6), Lisboa (#3) e São Paulo (#7) – estão todas no topo do nosso ranking.

© Chang Hsien, Unsplash

Mas não são necessariamente...

...baratas. Algumas destas cidades são caras, mas um custo de vida mais elevado não afecta necessariamente o sucesso que uma cidade tem para os seus residentes. Nova Iorque (#4) e Madrid (#5) ficaram apenas em 11.º e em 13.º no que respeita à acessibilidade de preços, embora os valores substancialmente inferiores em Singapura (#14) e Kuala Lumpur (#18) não tenham sido suficientes para influenciar a sua posição no ranking

...seguras. Segurança primeiro? Aparentemente não para as pessoas que responderam ao nosso questionário, no qual parece haver pouca ligação entre o perigo nas ruas e a satisfação com a cidade. Apenas 2% das pessoas afirmaram sentir-se inseguras à noite em Tóquio (#15 do ranking geral) em comparação com os 72% da Cidade do México (#6), por exemplo.

Em todas as cidades que fizeram parte deste questionário, apenas uns meros 3% contemplaram a possibilidade de devolverem uma carteira ou mala com dinheiro lá dentro – mas essa percentagem cresce até aos 30% no Dubai (#17), sem que isso beneficie a sua posição na lista.

...ou as mais boémias. 
Para nos divertirmos, parece ser necessário beber grandes quantidades de álcool (Sydney, #16, foi das cidades que mais pontos teve no que toca a ressacas), ficar a pé até ao nascer do Sol (Tóquio #13), tomar estupefacientes (Miami, #12), ter encontros de uma só noite (Sydney, #16) ou um romance no trabalho (Sydney, #16, novamente!).

Na verdade, Lisboa é mais conservadora do que Nova Iorque (#4) e Melbourne (#2), sugerindo inclusive que não interessa o quão louco se fica à noite mas sim a qualidade do programa.

Publicidade