Novidades literárias 2.º Semestre de 2026
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Livros: novidades a não perder em 2026

Se não resiste às novidades literárias, sugerimos-lhe 26 títulos para acrescentar à sua lista. Há ficção e não-ficção para todos os gostos.

Raquel Dias da Silva
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A rentrée não começa verdadeiramente sem as novidades literárias do segundo semestre. Passámos tudo em revista e escolhemos 26 livros. Fresquinhos ou ainda em pré-venda, de autores consagrados e estreantes, de ficção e não-ficção, nos mais variados géneros, em prosa, verso ou banda desenhada, editados pelos grupos Porto Editora/Bertrand, Penguin e Leya, ou por editoras independentes como a Crosta, a Antígona, a Relógio d’Água e a Kiala, estas são as leituras que temos planeadas para os próximos meses. Lembre-se: ler pede calma e dedicação, mas é uma das melhores formas de viajar sem sair do sítio.

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Novidades literárias a ter debaixo de olho

A Solidão de Sonia e Sunny

Finalista do Booker Prize e de Kirkus Prize e Livro do Ano para publicações como The Guardian, The New York Times e The New Yorker, entre outras, é um romance épico sobre o amor e a família, a Índia e a América, a tradição e a modernidade. Os protagonistas são, naturalmente, os titulares Sonia e Sunny, dois jovens cujos destinos se cruzarão e se separarão ao longo de continentes e anos. Ela, uma aspirante a romancista. Ele, um jornalista em dificuldades. Alienados e incertos quanto ao futuro, embarcam juntos em busca pela felicidade, começando a questionar a sua compreensão das relações humanas e do lugar onde pertencem.

> A Solidão de Sonia e Sunny, de Kiran Desai (Penguin, 720 pp, 27,75€). Já nas livrarias

Antologia de Poesia Poética e Satírica

Publicada pela primeira vez em 1965, esta antologia de poesia erótica e satírica – como anuncia o próprio título – alia a vasta erudição de Natália Correia à mais acutilante crítica de costumes. Estendendo-se dos cancioneiros medievais a poemas dos anos 60, a obra reúne nomes célebres e inesperados, como Camilo, Antero e Pessoa, além de poetas ignotos, surpreendentes pela sua ousadia. A sua publicação levou à apreensão pelo regime e a um processo judicial da PIDE que envolveu a organizadora, o editor Fernando Ribeiro de Mello e vários autores.

> Antologia de Poesia Poética e Satírica, de Natália Correia (Antígona, 492 pp, capa dupla à escolha, 24€). Já nas livrarias

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Uma Vida em Canções

Com uma voz incomparável e uma energia arrebatadora em palco, Freddie Mercury foi um músico e letrista excepcional. Quando morreu, em 1991, deixou à sua confidente e companheira de vida, Mary Austin, não só a sua imensa fortuna, mas também um espólio criativo único: documentos originais que percorrem a sua carreira desde as primeiras composições até à pouco conhecida carreira a solo. A partir desse legado extraordinário, e com a colaboração de quem o conheceu intimamente, nasce este livro, que inclui versões alternativas de “Bohemina Rhapsody”, esboços de “Don’t Stop Me Now”, fotografias pessoais e canções nunca antes divulgadas.

> Uma Vida em Canções, de Freddy Mercury e Mary Austin (Marcador, 320 pp, 36,90€). Já nas livrarias

Passo a Passo

Andar a pé é o mais banal dos gestos e, ao mesmo tempo, aquilo que nos define enquanto espécie. Neste ensaio que cruza ciência, filosofia, história e literatura, Jorge Pinto parte do fóssil de Lucy e chega às cidades dos nossos dias, para mostrar como o simples acto de pôr um pé à frente do outro moldou o corpo, a mente e a imaginação humanas. De Aristóteles a Rousseau, de Balzac a Virginia Woolf, dos peregrinos aos flâneurs, convida-nos a redescobrir a riqueza de um gesto que damos por adquirido.

> Passo a Passo, de Jorge Pinto (Livros Zigurate, 184 pp, 17,30€). Já nas livrarias

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Puro

Vencedor do Costa Book Award de “Livro do Ano” em 2012, leva-nos até à Paris de 1785, onde um jovem e ambicioso engenheiro, Jean-Baptiste Baratte, chega à cidade com a missão de esvaziar o sobrelotado cemitério de Les Innocents, um local ancestral cujo cheiro está a envenenar o ar e a água do bairro. Racionalista, Baratte vê nesta tarefa uma oportunidade para libertar o presente do peso do passado. Mas depressa começa a suspeitar que a destruição do cemitério poderá ser um prenúncio do seu próprio destino e do colapso da ordem social.

> Puro, de Andrew Miller (Relógio d’Água, 344 pp, 21€). Já nas livrarias

A Arte na Era da Guerra Civil Planetária

Artista, cineasta, escritora e professora de novas mídias na Universidade de Artes de Berlim, Hito Steyerl debruça-se criticamente sobre a circulação acelerada de imagens e dados digitais na contemporaneidade, desmontando as perversidades do mundo globalizado. O tom é provocador e a reflexão urgente.

> A Arte na Era da Guerra Civil Planetária, de Hito Steyerl (Crosta, 264 pp, 16,50€). Já nas livrarias

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Só o Incêndio Lavra

Foi em 1978, há quase 50 anos, que Diogo Pires Aurélio se estreou na poesia, com A Herança de Hölderlin, um dos primeiros títulos da recém-criada colecção Poesia Inédita Portuguesa da Assírio & Alvim. De lá para cá dedicou-se a outras áreas, como a filosofia, a tradução e a política, ocupando relevantes cargos públicos. Este – que é apenas o seu segundo livro de poesia – é, por isso, um regresso inesperado ao verso, numa espécie de balanço dos anos e de uma vida intelectual construída, entretanto, noutros campos.

> Só o Incêndio Lavra, de Diogo Pires Aurélio (Assírio & Alvim, 88 pp, 14,40€). Já nas livrarias

Tinta e Sangue

Num estilo que oscila entre a delicadeza e a brutalidade, Han Kang mostra-nos como nunca conhecemos inteiramente a vida dos que nos são próximos. A protagonista é In-ju, uma pintora que viveu sempre a sua arte de forma intensa e poderosa. Quando morre num acidente de automóvel, a sua melhor amiga, Lee Jeong-hee, recusa-se a acreditar no que afirma um crítico de arte que dela escreverá uma biografia: que a artista, afinal, se suicidou. Jeong-hee embarca então numa investigação obsessiva que a levará a descobrir aspectos desconhecidos de uma vida marcada pela fragilidade e pelo desamparo.

> Tinta e Sangue, de Han Kang (Dom Quixote, 368 pp, 19,90€). Já nas livrarias

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Um Defeito de Cor

Distinguido com o Prémio Casa de Las Américas e recentemente eleito por leitores e crítico da Folha de S. Paulo o melhor livro de literatura brasileira do século XXI, Um Defeito de Cor conta a saga de Kehinde, mulher negra que, aos oito anos, é sequestrada no Reino do Daomé, actual Benin, e levada para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia. Ambientada num contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrada de forma original, a história inspira-se na vida de Luísa Mahin, que teria sido mãe do poeta Luís Gama e participado na célebre Revolta dos Malês, movimento liderado por escravizados a favor da abolição.

> Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves (Bertrand, 960 pp, 29,90€). Lançamento a 17 de Setembro

Gente Como Nós

Dissecando o país, encontrando problemas e propondo soluções, Miguel Herdade questiona a meritocracia e escreve sobre como a classe social, a geografia e a família em que se nasce condicionam a vida e a liberdade, ao mesmo tempo que defende que a mistura entre pessoas de contextos diferentes – ricos e pobres, nacionais e estrangeiros – é uma possível resposta para a pobreza e desigualdade. 

> Gente Como Nós, de Miguel Herdade (Ideias de Ler, 256 pp, 17,75€). Lançamento a 17 de Setembro

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Território de Luz

Até agora inédita em Portugal, Yüko Tsushima é uma das mais importantes autoras japonesas da segunda metade do século XX – Annie Ernaux escolheu inclusive uma citação sua para epígrafe de O Acontecimento –, e neste Território de Luz fala-nos sobre a maternidade, o desamparo social e o caminho de transformação de uma mulher fora da estrutura do casamento. Construída a partir dos 12 momentos que traçam o retrato do primeiro ano de uma separação, a história tem início na Primavera e acompanha uma jovem a começar uma nova vida, com a filha de dois anos, num apartamento em Tóquio.

> Território de Luz, de Yüko Tsushima (Livros do Brasil, 176 pp, 11,99€). Lançamento a 17 de Setembro

A Beleza das Coisas Imperfeitas

Num convite a reflectir sobre os perigos do fundamentalismo religoso, a sede de poder e os sacríficios feitos em nome do amor, Richard Zimler apresenta-nos uma nova trilogia, O Voo dos Anjos Caídos, que estreia com este A Beleza das Coisas Imperfeitas, a que se segue os já anunciados segundo e terceiro volumes, No Abismo das Ilusões e O Último Golpe de Asa. Catapultados para 300 anos após as guerras do Juízo Final que devastaram a Terra, os leitores acompanham o jovem Falcão, que vive numa pequena vila resistente à então chamada Aliança, uma ordem religiosa nascida das ruínas da civilização.

> A Beleza das Coisas Imperfeitas, de Richard Zimler (Porto Editora, 200 pp, 17,75€). Lançamento a 17 de Setembro

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Nazarena

Depois dos premiados Cai a Noite em Caracas e O Terceiro País, a escritora venezuelana Karina Sainz Borgo compõe uma saga familiar em que se mescla realidade e alucinação. Com a povoação caribenha de La Airara como pano de fundo, este livro leva-nos até uma casa de família, onde vivem oito irmãs à sombra de uma mãe morta-viva e de uma linhagem em decadência. Quem narra a história é Nazarena, a sétima filha, que todos consideram doida e que leva os dias a varrer obsessivamente o pátio. Pensa assim poder afastar o azar, mas nessa casa-prisão não faltam ressentimentos nem violências nem fantasmas para destapar.

> Nazarena, de Karina Sainz Borgo (Alfaguara, 192 pp, 19,95€). Lançamento a 21 de Setembro

O Divórcio

Inebriante e de leitura compulsiva, assim é amplamente reconhecida uma das obras mais aclamadas de César Aira. O protagonista é um homem recém-divorciado, que procura descontrair na esplanada de um café, num dos bairros mais na moda de Buenos Aires. Mas uma conversa trivial com conhecidos torna-o o centro de um sem-número de acontecimentos e de excêntricas casualidades que transpõem as fronteiras do espaço e do tempo.

> O Divórcio, de César Aira (Cavalo de Ferro, 112 pp, 15,15€). Lançamento a 21 de Setembro

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Terra dos Homens

Clássico da literatura universal, Terra dos Homens é uma das obras mais marcantes de Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Principezinho. Nesta edição especial, enriquecida pelas ilustrações de Riad Sattouf, o texto ganha uma dimensão visual através do traço único e da sensibilidade do autor de O Árabe do Futuro, que aqui acompanha Saint-Exupéry numa viagem intemporal, capaz de tocar novas gerações de leitores.

> Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry, com ilustrações de Riad Sattouf (Gradiva, 296 pp, 22€). Lançamento a 22 de Setembro

A Distância

Do autor do fenómeno A Catarina e a Beleza de Matar Fascistas, cuja encenação Tiago Rodrigues também assina, A Distância – peça estreada no Festival d'Avigon em 2025 e que chega a Portugal este ano, com sessões na Culturgest até 20 de Setembro – atira‑nos para uma ilha perdida na vastidão do cosmos, onde um pai com os pés assentes na Terra e uma filha com a cabeça já em Marte se esforçam por manter uma relação. Em órbita, colocam‑se frente a frente dois mundos que se atraem e se estranham, bem como duas gerações separadas por milhões de quilómetros, mas unidas ainda por "um amor constante".

> A Distância, de Tiago Rodrigues (Tinta-da-China, 56 pp, 4,90€). Lançamento a 24 de Setembro

Para leitores ávidos

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