novidades literárias 2026
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Livros: novidades a não perder em 2026

Se não resiste às novidades literárias, sugerimos-lhe 20 títulos para acrescentar à sua lista. Há ficção e não-ficção para todos os gostos.

Raquel Dias da Silva
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O ano novo não começa verdadeiramente sem as novidades literárias do primeiro semestre. Passámos tudo em revista e escolhemos 20 livros. Fresquinhos ou ainda em pré-venda, de autores consagrados e estreantes, de ficção e não-ficção, nos mais variados géneros, editados pelos grupos Porto Editora/Bertrand, Penguin e Leya, ou independentes como a Antígona, a Relógio d'Água, a Greta Edições e a Zigurate, são as leituras que temos planeadas para os próximos meses. Lembre-se: ler pede calma e dedicação, mas é uma das melhores formas de viajar sem sair do sítio.

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Novidades literárias a ter debaixo de olho

Guapa

Vencedor do prémio Polari, Saleem Haddad, escritor de ascendência iraquiano-alemã e palestino-libanesa que vive em Lisboa, conta a história de Rasa, um homem gay num país árabe não identificado, que vê a sua vida desmoronar quando a avó o apanha na cama com o amante, Taymour, e o seu melhor amigo, Maj, é preso. Entre a perda da esperança política e das suas relações mais íntimas, Rasa luta para encontrar o seu lugar numa sociedade que pode nunca aceitá-lo.

> Guapa, de Saleem Haddad. Vírgula d’Interrogação. Número de páginas e preço a anunciar (lançamento a 9 de Abril)

Os Nomes

A aclamada estreia literária de Florence Knapp explora três versões possíveis de uma mesma existência. A narrativa arranca no Inverno de 1987 e acompanha Cora, que se vê confrontada com uma decisão aparentemente simples: escolher o nome do seu filho recém-nascido. O romance materializa a ideia de que cada escolha abre um novo universo. O leitor acompanha, assim, três versões daquele bebé – da infância à idade adulta –, percebendo como identidade e destino podem ser moldados por decisões mínimas.

> Os Nomes, de Florence Knapp. Porto Editora. 296 pp. 18,85€

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À Flor da Língua

Depois do espectáculo, Gregorio Duvivier, membro da Porta dos Fundos e um dos mais importantes criadores contemporâneos de língua portuguesa, apresenta-nos o livro, uma nova forma inteligente, sensível e divertida de celebrar aquilo que nos une: a capacidade de falar e imaginar a partir das palavras e, claro, de contar histórias.

> À Flor da Língua, de Gregorio Duvivier. Tinta-da-China. 208 pp. 16,90€

Costa Sombria e Selvagem

Neste romance sobre escolhas impossíveis, que fazemos para proteger quem amamos, somos transportados para uma ilha remota não muito longe da Antárctida, onde Dominic Salt vive com os seus três filhos como guardão de Shearwater, que alberga o maior banco de sementes do mundo. Até que uma mulher dá à costa e todos terão de decidir até onde estão dispostos a confiar uns nos outros.

> Costa Sombria e Selvagem, de Charlotte McConaghy. Cultura. 336 pp. 19,45€

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Longe

É possível viver a dois quando não sabemos viver connosco próprios? Na sua mais recente obra, um “road-movie” intimista, Alicia Jaraba fala-nos sobre o medo de se sair da zona de conforto e da inércia de um relacionamento longo, cujo rumo já não se controla. Os protagonistas são Ulysse e Aimée, um casal na casa dos trinta, que atravessa uma fase difícil e que, depois de um ano complicado, espera reconectar-se numa viagem ao sul de Espanha.

> Longe, de Alicia Jaraba e Déborah I. Villahoz. Ala dos Livros. 144 pp. 27,50€

Páscoa Feliz

Neste seu livro de estreia, publicado em 1932 por um sindicato operário a seis escudos o exemplar, Rodrigues Miguéis inaugurou uma obra incontornável do século XX português. A novela acompanha a história de crime e castigo do órfão Renato Lima: começa no tribunal, com a personagem a ser publicamente humilhada, e regressa depois à origem dos acontecimentos, pela sua própria voz, para mostrar como um homem honesto, esmagado por um contexto social hostil, acaba por roubar compulsivamente o patrão e cometer um homicídio.

> Páscoa Feliz, de José Rodrigues Miguéis. Assírio & Alvim. 136 pp. 16,65€ (já nas livrarias)

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Quando o Mundo Dorme

Francesca Albanese dá-nos a conhecer histórias de dignidade e resistência na Palestina: as vidas de Ghassan Abu-Sittah, um cirurgião horrorizado pelo que presenciou; Malak Mattar, uma artista exilada mas movida por uma esperança inspiradora; Hind Rajab, uma criança de seis anos morta em Gaza enquanto aguardava por socorro; Alon Confino, um pensador judeu devastado pelo apartheid vigente, entre outros testemunhos, que alumiam reflexões mais amplas sobre colonialismo, traumas e genocídios.

> Quando o Mundo Dorme. Histórias, Palavras e Feridas da Palestina, de Francesca Albanese, com prefácio de Shahd Wadi. Antígona. Número de páginas e PVP ainda não divulgado

Ignorância e Felicidade – Sobre Querer Não Saber

Com erudição e vivacidade, o aclamado ensaísta e historiador das ideias Mark Lilla oferece um diagnóstico psicológico fascinante da vontade humana de não saber. Percorre desde o Livro do Génesis e os diálogos de Platão até às parábolas sufistas e a Sigmund Freud, revelando os paradoxos que nos levam a preterir a verdade e expondo as fantasias que esse impulso nos leva a cultivar. O resultado é uma meditação original que convida os leitores a considerar os seus próprios impulsos e tabus profundamente enraizados.

> Ignorância e Felicidade – Sobre Querer Não Saber, de Mark Lilla. Edições 70. 240 pp. 18,90€ (já nas livrarias)

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Cadelas Vadias

Crítica social temperada com humor sombrio, é uma estreia estrondosa de uma das escritoras mais emocionantes do México contemporâneo. Cru, urbano e perversamente engraçado, retrata as realidades da violenta narcocultura mexicana de forma autêntica, honesta e até terna. Da filha todo-poderosa de um chefe de cartel à vítima de transfeminicídio, de uma casa cheia de costureiras solteironas a uma socialite que sustenta o marido político fingindo ter raízes indígenas, estas mulheres recusam a sua própria redução e inventam novas formas de sobrevivência.

> Cadelas Vadias, de Dahlia de la Cerda. Greta Edições. 152 pp. 18€

Melancolia de Classe

Conjugando memórias pessoais, teoria cultural e uma assinalável veia polémica, Cynthia Cruz analisa como a escolha entre assimilação ou aniquilação teve um papel importante na vida de músicos, artistas, escritores e cineastas vindos da classe trabalhadora, como Amy Winehouse, Ian Curtis e Clarice Lispector. Emerge dessa análise o retrato de uma melancolia freudiana: o sujeito da classe trabalhadora abandona as suas origens para “se tornar alguém”, vindo a descobrir, não raro, que se perdeu no processo. Mas o que significa hoje fazer parte da classe trabalhadora?

> Melancolia de Classe, de Cynthia Cruz. Zigurate. 216 pp. 18,70€

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O Lugar da Incerteza

Depois da biografia de Maria Teresa Horta – Prémio Livro do Ano Bertrand e mais de 10 mil exemplares vendidos –, Patrícia Reis volta ao romance. O palco é Lisboa, o cenário principal um consultório de psiquiatria. As personagens são várias: o psiquiatra, o padre, uma arquitecta e tantos outras, todas a braços com as suas crises de fé.

> O Lugar da Incerteza, de Patrícia Reis. Companhia das Letras. 256 pp. 17,45€

Olá, Bom Dia! Tudo Bem?

Vencedor do Prémio do Livro Alemão, do Grande Prémio do Fundo Alemão de Literatura e do Prémio Literário de Wiesbaden, este romance comovente e bem-humorado fala-nos sobre a solidão e as complexas dinâmicas do amor na era das redes sociais e das aplicações de encontros. A protagonista é Juno, uma artista performativa, que passa os dias a cuidar do marido, Júpiter, que está gravemente doente. As noites, passa-as a conversar com burlões que tentam o golpe romântico na Internet.

> Olá, Bom Dia! Tudo Bem?, de Martina Hefter. Minotauro. 244 pp. 18,90€

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Cais do Sodré. Das Tavernas de Marinheiros à Revolução Jamaica e Tokyo

Como chegou ao estatuto infame de red light district? Como se rejuvenesceu nos anos 1980‑90? Como alcançou o sucesso turístico no século XXI? Com coordenação de João Macdonald, que também assina o texto com Guiomar Belo Marques, este livro começa na Idade Média e acaba na madrugada do próximo sábado. É uma história vertiginosa e embriagante do Cais do Sodré noctívago, das tavernas do passado longínquo às discotecas transformadoras dos anos 1980 e mais além.

> Cais do Sodré. Das Tavernas de Marinheiros à Revolução Jamaica e Tokyo, AAVV. Tinta-da-China. 200 pp. 25,90€

Tu & Eu e Tu & Eu e Tu & Eu

Jules e Adam Hole estão casados há quase um quarto de século. Com o passar dos anos, a rotina instalou-se e a paixão deu lugar a uma relação confortável, mas monótona. O regresso de um velho amigo desenterra fantasmas do passado e desencadeia uma discussão violenta. Abalado, Adam encontra no barracão do jardim antigas mixtapes que o casal gravou ao longo dos anos e, ao carregar no play, o impossível acontece. O casal pode, à vez, reviver momentos marcantes, na esperança de recuperar a chama que os unia. Só há uma regra: não mudar o passado. Porém, a tentação é grande.

> Tu & Eu e Tu & Eu e Tu & Eu, de Josie Lloyd e Emlyn Rees. Singular. 308 pp. 19,99€

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Cães Pretos

Tendo como cenário a queda do Muro de Berlim, Cães Pretos recua no tempo até à Europa do pós-guerra e mostra como a violência armada e os seus demónios mudaram o destino de uma família. Metafórica e literalmente, os cães pretos do título percorrem a paisagem deste romance – a Europa e a família Tremaine, que começa com June e Bernard, dois jovens do Partido Comunista que se conhecem em Londres em 1946.

> Cães Pretos, de Ian McEwan. Gradiva. 216 pp. 17€

Caderno Proibido

Planeado pelo autor, que morreu antes de o publicar, este livro reúne poemas inéditos de um dos poetas mais marcantes e mais polémicos da História da poesia portuguesa. São poemas sem subterfúgios, carnais e explícitos, podendo mesmo – tudo dependendo da linha vermelha que se escolha – ser considerados pornográficos e obscenos.

> Caderno Proibido, de António Botto. Guerra & Paz. 152 pp. 16€

Para leitores ávidos

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