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Livros: novidades a não perder nos últimos meses de 2025

Se não resiste às novidades, sugerimos estes 16 livros para ler até ao final do ano. Há ficção e não-ficção para todos os gostos.

Raquel Dias da Silva
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A rentrée não fica completa sem livros, e o que não nos falta são sugestões para leitores. Mas, porque sabemos que não há tempo para tudo, passámos em revista as novidades literárias e fizemos uma selecção apertada das que temos debaixo de olho. Ao todo, são 16 livros. Fresquinhas ou ainda em pré-venda, de autores consagrados e estreantes, de ficção e não-ficção, abrangendo os mais variados géneros, editadas pelos grupos Porto Editora/Bertrand, Penguin e Leya, ou independentes como a Antígona, a Relógio d'Água e a (não) edições, estas leituras estão prontas para ocupar um lugar de destaque na sua estante. Lembre-se: ler pede calma e dedicação, mas continua a ser uma das melhores formas de viajar sem sair do sítio.

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Novidades literárias a ter debaixo de olho

Novas Fases da Lua

A estreia de João de Melo – a comemorar 50 anos de carreira literária – no género diarístico. Escrito entre 2017 e 2024, nas suas páginas estão as inquietações e reflexões mais íntimas do autor sobre a realidade que o rodeia; os seus modos de ver e opinar sobre si mesmo e sobre os outros. Revelando um ar crítico e humanista sobre o nosso tempo, debruça-se sobre as tragédias e lástimas do mundo (guerras, prepotências, injustiças de toda a ordem), mas também os seus contrários (a fraternidade humana como ideologia, ética, criação, arte e literatura).

> Novas Fases da Lua, de João de Melo. D. Quixote. 304 pp. 21€. Já nas livrarias

Fora de Horas

O jornalista Hugo Geada, que também teve uma banda que não foi a lado nenhum, expõe agora a precariedade estrutural vivida pelos músicos em Portugal. A partir de dezenas de entrevistas e experiências reais, o seu livro de estreia dá voz a artistas – entre eles Blaya, David Bruno, Selma Uamusse e João Borsch – que conciliam empregos improváveis, estúdios improvisados e a constante luta pela sobrevivência num país que investe pouco na cultura. Entre desigualdades de género e sacrifícios pessoais, ergue-se um retrato cru, mas também uma homenagem à resiliência de quem insiste em criar música contra todas as probabilidades.

> Fora de Horas, de Hugo Geada. CISMA – Associação Cultural. X pp. 15€ (10€ para sócios da CISMA). Já online e na Livraria Snob

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Sexografias

Este livro reúne algumas das mais ousadas crónicas de jornalismo gonzo sobre sexualidade contemporânea. Da prisão peruana a rituais de ayahuasca na selva, passando por clubes de swingers e encontros com prostitutas e travestis, a autora guia-nos num percurso cru, íntimo e divertido, onde o preconceito, a imigração, o prazer e a finitude se cruzam sem filtros. Com humor e vulnerabilidade, Wiener transforma a reportagem em confissão e reflexão, abrindo espaço para uma conversa franca sobre o corpo, o desejo e a liberdade. A autora irá apresentar o livro em Lisboa, na Casa do Comum, a 19 de Outubro. Antes disso estará por Óbidos, a propósito do Fólio.

> Sexografias, de Gabriela Wiener. Antígona. 216 pp. 18€. Já nas livrarias

Os Nomes de Feliza

A 8 de Janeiro de 1982, Feliza Bursztyn morre num restaurante de Paris. Tinha 48 anos e, no momento da sua morte repentina, estava acompanhada pelo marido e quatro amigos. Um deles era o escritor Gabriel García Márquez, que se decide a investigar a vida da escultora colombiana e, ao mesmo tempo, pôr a descoberto as grandes tensões do século XX. O resultado está à vista neste livro, que entrelaça biografia e imaginação, e reconstrói a vida de Feliza, filha de pais judeus expatriados e artista radical, cuja obra em metal reciclado e esculturas monumentais desafiava convenções.

> Os Nomes de Feliza, de Juan Gabriel Vásquez. Alfaguara. 288 pp. 19,45€. Já nas livrarias

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A Justa Desproporção

Ao mesmo tempo que a Assírio & Alvim publica o seu novo livro de poesia, A Idade da Pedra, o premiado poeta portuense estreia-se na prosa para a colecção de não-ficção literária da Companhia das Letras. A Justa Desproporção apresenta-se como uma “quase-ficção” e reúne um conjunto de textos que nos convidam a pensar o mundo e a linguagem. As temáticas e as geografias são várias – da biologia à astrologia, de Paris a Massamá –, e a escrita balança entre crónica, ensaio e diário, mas o todo promete fazer-nos reflectir sobre a inesperada relação de causalidade entre fins trágicos e más interpretações.

> A Justa Desproporção, de Daniel Jonas. Companhia das Letras. 272 pp. 17,45€. Já nas livrarias

Gaspar Ruiz e Um Par de Outras Histórias

Joseph Conrad mergulha nas contradições da alma humana com a intensidade de um mestre do conto. Com os Andes e a guerra de independência da América do Sul como cenário, Gaspar Ruiz narra a vida de um herói marcado pela luta interna e pela traição, dividido entre ideais e sobrevivência. As outras histórias do volume exploram igualmente dilemas morais, conflitos pessoais e escolhas impossíveis, revelando a habilidade de Conrad em dissecar o carácter humano com precisão psicológica e intensidade narrativa. Uma leitura que combina aventura, drama e reflexão sobre o destino e a consciência de cada indivíduo.

> Gaspar Ruiz e Um Par de Outras Histórias, de Joseph Conrad. Minotauro. Lançamento a 25 de Setembro

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Hyperion

No planeta Hyperion, onde o tempo se curva no Vale dos Túmulos, sete peregrinos embarcam numa viagem perigosa, cada um carregando segredos e esperanças. À medida que a galáxia se aproxima do Armagedão, as suas histórias entrelaçam-se, revelando destinos pessoais e o futuro da humanidade. A história – que foi a estreia de Dan Simmons e lhe valeu um Prémio Hugo e um Prémio Locus – é inventiva e profundamente emocional, consagrando-o como um dos grandes mestres do género. Uma leitura obrigatória para quem procura ficção científica de qualidade, rica em suspense, filosofia e imaginação.

> Hyperion, de Dan Simmons. Relógio D'Água. 504 pp. 24€. Lançamento a 24 de Setembro

Águalisa

30 anos após o seu lançamento, em 1995, Águalisa chega pela primeira vez a Portugal como “testemunho da extraordinária imaginação de Anne Carson”. Fundindo o ritmo e a metáfora vívida da poesia com o carácter discursivo do ensaio, a canadiana expande os limites da linguagem e da forma literária: tanto oferece pequenas palestras sobre temas tão diversas como orquídeas e Ovídio, como recria a musa de um pintor do século XV numa conferência de fenomenologia em Itália. O lançamento acontece a 11 de Outubro, pelas 17.00, no espaço-galeria messieurs-dames,.

> (não) edições. 15€ (pré-venda), 18€ (livrarias). Pré-venda através da editora até final de Setembro (nao.edicoes@gmail.com)

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A Escrita Como Uma Faca

Durante cerca de um ano, o escritor Frédéric-Yves Jeannet enviou a Annie Ernaux perguntas e reflexões sobre os seus textos. Foi esse o ponto de partida para este livro, que se assume como um relato introspectivo sobre o modo como a autora, vencedora do Prémio Nobel de Literatura em 2022, olha para a palavra e o seu registo.

> A Escrita Como Uma Faca, de Annie Ernaux. Livros do Brasil. 152 pp. 16,65€. Lançamento a 2 de Outubro

Um Dia, Sempre Teremos Sido Todos Contra Isto

Um testemunho urgente sobre a Palestina e as contradições morais do Ocidente. Partindo de um tuíte viral escrito em Outubro de 2023, o autor expõe a distância entre as promessas de liberdade e justiça e a realidade de guerras, massacres e exclusões sistemáticas. Entre a memória pessoal e a crónica jornalística, El Akkad oferece um relato cru e vulnerável que é, ao mesmo tempo, carta de ruptura e apelo à consciência: um livro essencial para quem recusa aceitar a desumanização como destino.

> Um Dia, Sempre Teremos Sido Todos Contra Isto, de Omar El Akkad. Tinta-da-China. 160 pp. 16,90€. Lançamento a 2 de Outubro

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Três Mundos. Memórias de um judeu árabe

Crítico assumido de Israel e das suas políticas, Avi Shlaim combina memória pessoal e reflexão política para nos contar a história dos judeus iraquianos. Em Julho de 1950, aos cinco anos, o autor foi forçado a deixar Bagdad com a família e a enfrentar um futuro incerto no recém-criado Estado de Israel, onde o passado dos judeus árabes era muitas vezes apagado ou reescrito. Narrado em primeira pessoa, o livro oferece uma perspectiva comovente sobre deslocamento, identidade e memória, revelando um mundo quase esquecido e as complexidades de viver entre o sionismo e o nacionalismo.

> Três Mundos. Memórias de um judeu árabe, de Avi Shlaim. Zigurarte. 356 pp. 22,80€. Lançamento a 2 de Outubro

Raving

Neste livro, Mckenzie Wark mergulha no coração da cena rave trans e queer nova-iorquina, onde a pista de dança se torna vício, ritual e resistência. Entre auto-ficção e auto-teoria, a autora descreve a rave como prática colectiva que reinventa tempo e som, em espaços transitórios erguidos por DJs, designers de luz e corpos em movimento. Combinando pensamento crítico e experiência vivida, Wark capta a intensidade de uma estética feita de batidas, drogas, sexo e fumo, e revela a rave como gesto político: dançar entre as ruínas de um capitalismo em colapso.

> Raving, de McKenzie Wark. Orfeu Negro. 176 pp. 17€. Lançamento a 6 de Outubro

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Corpo de Cristo

Em Corpo de Cristo, Bea Lema cria uma obra sensível que mistura memórias, trauma e amor filial. Através de desenhos delicados e bordados feitos à mão, a autora retrata a infância de Vera, marcada por episódios de doença mental e superstição, e a relação profunda com a mãe, onde o amor se mantém inabalável apesar das tormentas e do estigma social. Com uma ternura crua, o livro aborda o papel muitas vezes invisível das mulheres como cuidadoras e revela as pressões de uma sociedade patriarcal, pobre e católica. Premiado internacionalmente – do Festival d’Angoulême à Comic-Con de Nápoles –, este romance gráfico é um relato íntimo e universal sobre sofrimento, resiliência e laços familiares que resistem ao tempo.

> Corpo de Cristo, de Bea Lema. Iguana.184 pp. 20,45€. Lançamento a 6 de Outubro

Cicatrizes

Metade de um século passou sobre a independência da sua terra ancestral, altura em que o seu pai já emigrara da ilha cabo-verdiana de Santiago para Portugal. Meia centena é também o número de textos que compõem a estreia literária de Dino D’Santiago. Com honestidade – e afecto, como assegura Lídia Jorge, que assina o prefácio –, o músico português partilha a sua história de vida, que é uma história de sucesso, mas também de provações, como sugere o próprio título.

> Cicatrizes, de Dino D’Santiago. Arena. 296 pp. 18,45€. Lançamento a 6 de Outubro

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Recordações e Andorinhas

J. Rentes de Carvalho oferece-nos um olhar afiado e bem-humorado sobre Portugal, entre memórias e pequenas crónicas. Com humor, cumplicidade e atrevimento, o autor retrata personagens e vidas comuns – rurais, populares, desconhecidas – e revela o país nas suas nuances, ora rindo, ora macambúzio. Este diário de 2007-2008 é também um retrato de um escritor atento ao mundo à sua volta, que observa e comenta com proximidade, mostrando que a melhor forma de viver em Portugal é entre a ironia e a empatia.

> Recordações e Andorinhas, de J. Rentes de Carvalho. Quetzal. 200 pp. 17,70€. Lançamento a 9 de Outubro

Wicked

Em Wicked, Gregory Maguire reinventa o mundo de Oz com uma imaginação vertiginosa e irresistível. Antes da chegada de Dorothy, conhecemos Elphaba, a menina de pele verde-esmeralda, inteligente e indomável, que cresce numa terra empobrecida e supersticiosa. Na Universidade de Shiz, junta-se a jovens promissores, mas rapidamente percebe que o poder tem um preço: a polícia secreta do Feiticeiro vigia tudo, e os Animais – dotados de voz e alma – enfrentam a ameaça do exílio. Determinada a protegê-los, Elphaba desafia o Feiticeiro e arrisca o amor, até que o mundo a rotula como bruxa. Mais do que um conto de fantasia, é uma fábula sobre coragem, injustiça e identidade – uma obra que conquistou milhões de leitores e inspirou o musical vencedor de um Tony.

> Wicked, de Gregory Maguire. Cultura Editora. 496 pp. 22,90€. Lançamento a 16 de Outubro

Para leitores ávidos

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