Cinemateca: ciclo tira série B da sombra em Dezembro

A série B foi um dos pilares de Hollywood. Compreende-se. Por um lado rendibilizava equipamentos e profissionais; por outro alimentava a enorme rede de cinemas norte-americana e europeia. E, como efeito lateral, revelava actores e realizadores

Driftwood (1947)

O ciclo dedicado à série B pela Cinemateca prossegue a viagem por esse cinema baratinho e, principalmente, rápido de fazer, que Hollywood usou para as famosas sessões duplas, e, mais tarde, para contrariar a pressão da televisão. Sendo a maioria irrelevantes, muitos têm com as suas virtudes. Dez seguem já.

Cinemateca: ciclo tira série B da sombra em Dezembro

Jack, o Estripador (1953)

É preciso ser um cinéfilo muito persistente para recordar o nome do realizador argentino Hugo Fregonese e a sua passagem por Hollywood. Mais fácil, tão discreta foi a sua presença, apesar de ter ainda realizado número considerável de filmes, será alguém recordar o seu trabalho mais conhecido e comercialmente mais bem sucedido, Jack, o Estripador, com Jack Palance, Constance Smith e Byron Palmer. A película, que adapta o livro de Marie Belloc, que também foi inspiração de Hitchcock para The Lodger, é uma das muitas variações sobre a figura de Jack, o Estripador, filmada em ambiente – como dizer? – atmosférico e com Palance brilhante na mistura de frieza e vulnerabilidade que a sua personagem sugere.

Sábado, 2, 21.30; Terça, 5, 15.30.

O Crime do Doutor Crespi (1935)

O Crime do Doutor Crespi (1935)

Mais do que John H. Auer, o realizador deste estimulante filme de terror, interessa, nesta obra, a interpretação de Erich von Stroheim (acompanhado por Dwight Frye e Harriet Russell), actor e realizador que, então, como intérprete começava a especializar-se no papel do cientista maléfico. A película é muito livremente inspirado em Enterro Prematuro, de Edgar Allan Poe, narrando como um médico envenena o seu rival romântico, através de uma droga cujos efeitos se assemelham à morte, mas deixando o paciente consciente.

Quinta, 7, 15.30.

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Driftwood (1947)

Allan Dwan, que muito trabalhou para a Republic, tinha o dom de filmar como deve ser crianças, provavelmente adquirido nos filmes que fez com Shirley Temple ainda menina. Aqui, a criança é Natalie Wood, aos nove anos, portanto muito antes de se tornar a estrela que foi, no papel de uma órfã que adopta um cãozinho. É, claro, história para verter a sua lágrima, ou mesmo encharcar um lençol.

Segunda, 11, 15.30; Quarta, 13, 19.00.

Friendly Enemies (1942)

Friendly Enemies (1942)

Allan Dwan, como muitos dos realizadores contratados para dirigir a série B, foi pau para toda a obra e não era director dotado apenas para o trabalho com crianças, como demonstra esta comédia dramática com Charles Winninger, Charlie Ruggles, James Craig e Nancy Kelly. Por pano de fundo está a I Grande Guerra e a história de dois alemães, naturalizados americanos, vivendo em Nova Iorque, que tomam posições opostas no conflito, acabando um deles emaranhado na teia tecida por um espião alemão.

Quinta, 14, 15.30.

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Zombie (1943)

Ao segundo filme, Jacques Tourneur, que só muito, muito mais tarde viu o seu trabalho criticamente reconhecido, dirigiu uma obra-prima para o experimentado produtor de cinema de terror Val Lewton. Com Frances Dee, Tom Conway, James Ellison e Edith Barrett, a fotografia, jogando com as sombras e os medos que potencialmente despertam, é a peça chave na construção da atmosfera desta película passada nas Caraíbas, onde uma enfermeira é encarregada de velar uma mulher que a vai transformar em zombie.

 

Sexta, 15, 15.30.

Voodoo Man (1944)

E aqui está mais um exemplo de como, às vezes, interessam mais os actores do que o realizador. Pois, se a carreira de William Beaudine nunca passou da cepa torta, Bela Lugosi e John Carradine já eram alguém e maiores se tornaram. Aqui, Lugosi é um cientista que, com a ajuda de colaboradores, como a personagem de Carradine, rapta raparigas com a intenção de transferir as suas “essências vitais” para o cadáver da sua mulher e, assim, ressuscitar a senhora.

Segunda, 18, 19.00; Quarta, 20, 15.30.

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A Marca do Renegado (1951)

Mais uma vez, Hugo Fregonese, que, embora discreto realizador, fartou-se de trabalhar com actores que se tornariam mais ou menos famosos, como é o caso, aqui, de Ricardo Montalban e, principalmente, de Cyd Charisse. Este filme, cruzamento de cóboiada e de pirataria, situada no lado latino de Los Angeles, no princípio do século XIX, quando a Califórnia ainda fazia parte do México, é uma interessante embrulhada onde Montalban desmascara a conspiração de um pretendente ao trono de – nem mais – o Imperador da Califórnia, no entretanto atirando-se a Cyd Charisse.

Quinta, 21, 19.00; Quarta, 27, 15.30.

Beyond the Time Barrier (1960)

Ao contrário de Fregonese, Edgar G. Ulmer ganhou o seu nome relativamente cedo e, neste filme, que é um dos seus últimos trabalhos, com Robert Clarke, Darlene Tompkins e Vladimir Sokoloff, não precisou de mais de 100 mil dólares para irromper pela ficção científica. Apesar do preço de saldo (para Hollywood, claro), a longa-metragem é bastante representativa dos sentimentos populares e do ambiente na época da Guerra Fria, com a sua história de um piloto da Força Aérea americana que, no regresso de uma experiência com um avião supersónico, encontra a sua base transformada numa cidade subterrânea e distópica, pois a sua quebra da barreira do som fê-lo viajar no tempo.

Sexta, 22, 19.00.

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A Terra em Perigo (1956)

Antes de se tornar um eficaz e experimentado director de filmes de acção mais endinheirados, Don Siegel andou pela série B, já na altura mostrando que não era um realizador qualquer. Neste clássico de terror (no original Invasion of the Body Snatchers, que teve inúmeras versões), com Kevin Mccarthy, Dana Wynter, Larry Gates, King Donovan e Carolyn Jones, filmado em “superscope” (formato até então vedado à série B) para melhor mostrar os corpos roubados a que o título original alude, a abstracta atmosfera de horror segue o rastro dos habitantes de uma pequena cidade, aos poucos sendo substituídos por duplos extraterrestres. A obra tornou-se controversa na altura pelo seu suposto subtexto mccarthista, embora também houvesse quem achasse que o filme era uma alegoria anti-mccarthista.

Sexta, 29, 15.30.

Arrojada Aventura (1953)

Poucas mulheres, mesmo já na década de 1950, dirigiam filmes, e Ida Lupino foi uma dessas pioneiras, dirigindo mais de duas dezenas de longas-metragens, além de participar em mais de uma centena de películas como actriz. Esta Arrojada Aventura (The Hitch-Hiker, no original), com Edmond O’Brien, Frank Lovejoy e William Talman, é um dos seus mais conhecidos exercícios de medo e suspense, inspirando-se nas acções de um assassino serial que aterrorizou a Califórnia no princípio dessa década.

Sexta, 29, 19.00.  

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