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Filme, Cinema, Acção, Crime, Drama, Ambulância – Um Dia de Crime (2022)
©Universal StudiosAmbulância – Um Dia de Crime de Michael Bay

Filmes em cartaz

Saiba tudo sobre os filmes em cartaz, avaliados pelos críticos de cinema da Time Out

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Mais filmes em cartaz

  • Filmes
  • Comédia

Um abstado homem de negócios contrata uma realizadora consagrada para que esta rode um sucesso de bilheteira. E ela tem que lidar com os enormes egos de duas vedetas, um galã de cinema e um actor de teatro radical. Comédia satírica com Penélope Cruz, Antonio Banderas e Oscar Martínez.

  • Filmes

Chris Pine personifica aqui um antigo militar das Forças Especiais dos EUA que ingressa numa empresa de segurança privada e viaja até Berlim numa missão clandestina, que se transforma numa caça ao homem. E a presa é ele.

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  • Filmes
  • Drama

Nelly, de oito anos, acaba de perder a avó e está a ajudar a mãe a limpar a casa onde ela cresceu. No bosque circundante, conhece Marion, uma menina igualzinha a ela (os dois papéis são interpretados pelas gémeas Joséphine e Gabrielle Sanz), e descobre que está perante a mãe quando era da sua idade. Este novo filme de Céline Sciamma (Retrato de uma Rapariga em Chamas) é daqueles que ou se entra nele à primeira, ou nada feito. A realizadora não se preocupa sequer em criar uma atmosfera superficialmente fantástica para sustentar ou justificar o paradoxo temporal, optando por um naturalismo seco, rígido e átono, e as duas meninas parecem estar numa peça da escola. O que Sciamma faz aqui não é minimalismo, é nanismo cinematográfico. E de que fala Petite Maman – Mamã Pequena? Da natureza única da ligação entre mãe e filha? Da continuidade das gerações? Ficamos em ponto de interrogação. E não é bom sinal que um filme que dura só 70 minutos ainda vá a meio quando começamos a desejar que acabe depressa.

  • Filmes
  • Acção e aventura

No novo filme de acção de Michael Bay, um antigo militar condecorado (Yahya Abdul-Mateen II), sem dinheiro para pagar as contas do hospital da mulher, pede ajuda ao irmão adoptivo (Jake Gyllenhaal), e este propõe-lhe que assaltem um banco em Los Angeles.

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  • Filmes

Filme de terror passado em 1979, em que um grupo de jovens vai para uma quinta isolada no Texas para rodar um filme pornográfico, acabando perseguidos pelos seus anfitriões.

  • Filmes
  • Drama

Um rapaz vai visitar os pais na cidade costeira onde vivem há mais de 30 anos, e o pai diz-lhe que vai deixar a mãe no dia seguinte. William Nicholson escreve e realiza este drama familiar com Annette Bening, Bill Nighy e Josh O’Connor.

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  • Filmes

Um capitão da marinha mercante aposta com um amigo que casará com a primeira mulher que entrar no café em que estão. E é então que entra Lizzy. Léa Seydoux, Gijs Naber e Louis Garrel interpretam este filme do húngaro Ildikó Enyedi.

  • 1/5 estrelas
  • Filmes
  • Acção e aventura

O realizador é novo (Matt Reeves), o intérprete também (Robert Pattinson) e a acção agora passa-se no início da carreira de Batman como combatente contra o crime. Mas, de resto, The Batman continua e acentua a atmosfera lúgubre, pessimista, de negativismo e anti-heróica instaurada por Christopher Nolan nos filmes da série O Cavaleiro das Trevas, bem como a caracterização sorumbática e torturada do Homem-Morcego e a pose grave e pseudo-importante de toda a coisa.

O enredo de The Batman é mais banal e estereotipadamente policial e detectivesco do que de acção, e forçadamente “esticado” para justificar as três horas de duração (e se dura, dura, dura, e finge que acaba mas afinal não acaba…). Um assassino em série está a matar de forma particularmente sádica vários altos dignitários de Gotham City, incluindo o presidente da Câmara, deixando mensagens sob a forma de enigmas (facilmente adivinháveis…) e postais para Batman, que ao investigar, juntamente com o comissário Gordon, descobre uma rede de corrupção, morte, fraude e tráfico de droga, que envolve retroactivamente o seu falecido pai. Nem a família de Batman escapa à degradação neste filme que patinha pesadamente no lugar-comum do negrume moral e da dissolução social. Para além de ser um dos mais escuros dos últimos tempos, parecendo ter sido rodado durante um eclipse do sol, ou uma longa greve da companhia de electricidade. É levar mesmo à letra o cliché do filme “dark”.

As personagens – sobretudo os vilões – estão vulgarizadas e descaracterizadas (o Riddler é agora um nerd psicopata e anarquista, o Pinguim um mero mafioso gordo e narigudo e a Catwoman de Zoe Kravitz debita frases da vulgata politicamente correcta, sendo sem dúvida a pior de todas, incluindo as da velha série de televisão com Adam West) e quando não está metido no uniforme de Batman (o que sucede, felizmente, durante grande parte da fita) Robert Pattinson parece um membro de uma banda gótica datada a imitar o pior Marlon Brando. Para mal dos nossos pecados, estão previstas duas continuações de The Batman e duas séries de televisão em modalidade de spin-off.

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  • 4/5 estrelas
  • Filmes

Basta olharmos para Rahim (Amir Jadidi), o protagonista de Um Herói, do iraniano Asghar Farhadi (Uma Separação, O Passado), para percebermos que é um pobre diabo, de ar cabisbaixo, modos reticentes e sorriso simpático mas a sugerir fraqueza. Ele vive na cidade de Shiraz e acabou de sair da cadeia com autorização para estar ausente por dois dias. Calígrafo e pintor de letreiros, tentou abrir um negócio do ramo com um sócio, que depois fugiu com todo o dinheiro. Falido, Rahim, que está divorciado da mulher e tem um filho com problemas de fala que vive com a irmã dele e o cunhado, pediu dinheiro emprestado ao irmão da ex-mulher para montar o negócio. E como não lhe conseguiu pagar, este fez queixa dele e o desgraçado foi parar à cadeia, onde é um preso modelar.

Rahim tem uma namorada, Farkhondeh (Sahar Goldust), a terapeuta da fala do filho. Esta achou na rua uma mala de senhora com moedas em ouro, que deu a Rahim para ele vender e angariar dinheiro para pagar parte da dívida. Mas a cotação do ouro está em baixa e Rahim decide procurar a dona da mala e devolver-lhe o ouro, fazendo de conta que foi ele que a encontrou, e não Farkhondeh, porque não quer que ninguém saiba da relação, nem sequer os familiares mais próximos.

Só que este acto de honestidade resignada, de probidade hipócrita, vai chegar aos ouvidos dos directores da cadeia. E em pouco tempo Rahim vê-se entrevistado pela televisão e com a fotografia nos jornais, apresentado à sociedade como um modelo de honestidade e decência (“Prisioneiro devolve mala com ouro”, lê-se numa manchete), aplaudido pelos vizinhos e pelos outros presos, e objecto de uma recolha de fundos por parte de uma associação que ajuda prisioneiros e condenados à morte, resgatando-os com dinheiro às autoridades. Da noite para o dia, passa de presidiário anónimo e carregado de dívidas a herói dos media e das redes sociais, e o seu credor a vilão de piquete.

Contar o resto da história é estragar o filme a quem o irá ver. Mas podemos dizer que, em Um Herói, Asghar Farhadi volta ao seu tema favorito: os pequenos erros cometidos por pessoas comuns, que vão desencadear e adensar o drama, selar o destino do protagonista e lançar estilhaços sobre todos aqueles que o rodeiam, quer lhe queiram bem, quer lhe queiram mal. E em Um Herói Rahim não pára de cometer pequenos erros, o que não convém nada a um herói popular. Sobretudo na era do Twitter, do Facebook e dos vídeos virais, e por mais que ele procure justificar-se, salvar a face, manter um mínimo de dignidade e evitar que o próprio filho seja precipitado na espiral de passos em falso, manipulação em série, falsas aparências e dilemas morais que se criou.

Paralelamente à história do protagonista, Farhadi vai-nos mostrando relances da vida e das particularidades da sociedade iraniana contemporânea, onde as pessoas podem ir para a cadeia por dívidas, como na Inglaterra vitoriana, mas toda a gente tem iPhones e televisores de plasma como nos países ocidentais. Além de nos alertar para a crónica imperfeição do ser humano e do mundo, que longe de ser a preto e branco é feito de matizes de cinzento (veja-se como o realizador vai, progressivamente, mudando a imagem que fizemos à primeira vista do credor), Farhadi diz-nos ainda que Rahim não está sozinho nos seus erros.

Porque os directores da prisão também querem, através dele, dar uma boa imagem da gestão do estabelecimento, e escamotear os suicídios que ali acontecem; a associação da ajuda aos presos, fazer exibicionismo do seu trabalho; e os cidadãos comuns sentir-se virtuosos ao comoverem-se com o belo gesto do preso e contribuir com dinheiro para aliviar a sua dívida e tirá-lo da cadeia, enquanto vertem gordas lágrimas perante o menino que consegue elogiar o pai e apelar em seu favor, apesar da sua gaguez.

Vencedor do Grande Prémio em Cannes e candidato ao Óscar de Melhor Filme Internacional, Um Herói é filmado por Asghar Farhadi com um enorme sentido da vida tal como ela é vivida, um naturalismo nunca árido e tão atento aos pequenos pormenores humanos como do quotidiano, e um controlo narrativo que não admite o mais pequeno deslize de verosimilhança, ritmo ou sentimental. E os resultados dos longos e detalhados ensaios a que se dedica com os intérpretes antes de começar a filmar, são bem visíveis num elenco em que, dos actores principais aos papéis mais secundários e às crianças, todos sabem perfeitamente o que fazer e formam parte integrante e fundamental desse grande e minucioso verismo aturadamente procurado pelo realizador.

No final, apenas resta a Rahim o amor da namorada e do filho. E apesar de Farhadi o fazer pagar as consequências das suas más escolhas, também nos diz que é preciso dar- -lhe algum desconto. Porque um mundo onde não há lugar para a compreensão dos erros alheios, é um mundo cada vez mais cruel e falho de humanidade.

  • Filmes

Um antigo Ranger (Channing Tatum) e o cão que este treinou e tutelou no Exército embarcam numa viagem de carro para tentarem chegar a tempo ao funeral de um antigo camarada de armas, mas vão ter vários percalços pelo caminho.

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  • Filmes

Longa-metragem de animação americana sobre um quati bem-humorado, uma borboleta destemida e um sapo hiperactivo, que descobrem que a floresta tropical em que vivem está ameaçada por uma malvada cobra coral.

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  • Filmes

A história de como o mimo francês Marcel Marceau, quando era jovem, durante a II Guerra Mundial e antes de se tornar famoso mundialmente, ajudou a salvar crianças órfãs judaicas dos campos de concentração alemães. Com Jesse Eisenberg e Ed Harris.

  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

Quem for ver Belfast, de Kenneth Branagh, pensando que trata da violência sectária entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte nos anos 60 e 70, mais vale pedir o dinheiro do bilhete de volta. Passado em 1969 na cidade do título, em que Branagh nasceu e viveu parte da infância, o filme é feito de recordações do realizador e a contextualização político-social é só a estritamente necessária para nos situar. Belfast é um filme sobre a família e a sua força e importância, em tempos de paz como de conflito. No caso, a família do pequeno Buddy (Jude Hill), protestante e em minoria no bairro católico em que vive, e que antes do eclodir da violência é pintado por Branagh como um modelo de boa convivência.

Buddy vive com o irmão mais velho, Will (Lewis McAskie), a mãe (Caitriona Balfe) e o pai (Jamie Dornan), operário que passa grande parte do tempo a trabalhar em Inglaterra. Há ainda o avô (Ciaran Hinds) e a avó (Judi Dench), dos quais é muito próximo, e os tios e a prima, que moram mesmo ao lado. A família tem problemas de dinheiro, deve grandes somas ao fisco e o pai joga nos cavalos de vez em quando. O filme é rodado a preto e branco (cliché da representação cinematográfica das recordações do passado, que Kenneth Branagh atenua sempre que eles vão ao cinema, mostrando os filmes a cores) e visto do ponto de vista de Buddy, todo filtrado pela percepção do menino, o que, naturalmente, condiciona o impacto dos acontecimentos e a sua importância numa escala maior.

O que importa aqui é que, para Buddy, o início dos conflitos entre católicos e protestantes, e a intervenção dos militares ingleses, significa o fim da harmonia que reinava no modesto bairro, pode pôr o seu pai, um homem de bom senso, moderado e avesso à violência, numa posição delicada perante os protestantes mais fanáticos, e, pior que tudo, obrigar a família a mudar-se para Inglaterra. E assim fazê-lo deixar para trás o seu pequeno mundo: a casa, a rua, o bairro, a escola, a colega de turma de longos cabelos loiros de quem gosta, o avô e a avó, os tios e a prima mais velha, a qual ajuda um dia a roubar chocolates de uma mercearia, acabando por ficar com um pacote de Delícias Turcas de que ninguém gosta (por falar em roubos, numa das melhores sequências do filme, a mãe de Buddy obriga-o a ir repor o pacote de detergente para a roupa que ele tirou durante o saque do supermercado católico do bairro, enquanto este ainda está a decorrer!).

Apesar de todas as coisas complicadas, violentas e tristes que acontecem a Buddy e à sua volta, bem como aos familiares, Belfast mantém-se, do princípio ao fim, um filme de uma enorme doçura, que por vezes ameaça perigosamente caramelizar no mais descarado sentimentalismo, com uma ajudinha da banda sonora de Van Morrison. Uma armadilha que Branagh consegue evitar graças ao impressionismo telegráfico da realização (menos os planos gerais feitos a partir de drones, que agora parecem obrigatórios...), à sinceridade emocional que atravessa o filme, a um elenco em que cada personagem é interpretada exactamente pelo actor que ela pedia (o cinema não teve nos últimos tempos um avô e uma avó tão carismaticamente singelos e afectuosos como os de Ciarán Hinds e Judi Dench), à naturalidade e espontaneidade de Jude Hill, e ao subtil sentido da época na evocação do microcosmo do bairro, e que abrange mesmo os brinquedos de Buddy (ver a farda completa de membro dos Thunderbirds que ele recebe no Natal).

Branagh embute ainda no filme, através do destino da família de Buddy, um elogio da capacidade de resistência e superação dos compatriotas irlandeses, o que lhe confere um optimismo cada vez mais raro no cinema nos dias que correm. Com Belfast, Kenneth Branagh consegue limpar-se – se bem que não totalmente – de alguns dos horrores que assinou recentemente, como é o caso de Jack Ryan: Agente Sombra, Artemis Fowl e em especial do hediondo Morte no Nilo, em que atenta miseravelmente contra a memória de Agatha Christie e a integridade de Hercule Poirot. Que os seus próximos filmes sejam mais como Belfast, e não como estes, são os meus mais sinceros e fervorosos desejos.

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  • Filmes
  • Acção e aventura

Mark Wahlberg, Tom Holland e Antonio Banderas são os protagonistas desta fita de aventuras baseada num jogo de vídeo. Um caçador de tesouros, um rapaz despachado que trabalha com ele e um ganancioso vilão procuram o lendário tesouro de Fernão de Magalhães.

  • Filmes

Apesar de já estar em exibição há bastante tempo na Netflix, o filme de Jane Campion nomeado para 12 Óscares estreia-se agora também nos cinemas. Benedict Cumberbatch, Kirsten Dunst, Jesse Plemons e Kodi Smit-McPhee interpretam este falso western rodado na Nova Zelândia, que passa pelo Montana dos anos 20 do século passado. Uma história de homossexualidade reprimida, masculinidade postiça e vingança.

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  • Filmes

Para salvar dois membros da sua família das mãos de Mila Starr, a caçadora de monstros, os Wishbone vão ter de se transformar outra vez nos ditos. Segundo filme desta série de animação de longa-metragem de produção alemã e inglesa.

  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

Assentar na vida. É tudo o que quer Julie, prestes a entrar na casa dos 30, e heroína de A Pior Pessoa do Mundo. Este é o último filme da chamada Trilogia de Oslo, do norueguês Joachim Trier, escrito com Eskil Vogt, seu habitual colaborador e velho amigo – e à qual pertencem também Reprise, de 2006 (dois jovens amigos, ambos escritores, tentam perceber o que o futuro lhes reserva, ao mesmo tempo que começam a levar encontrões da vida), e Oslo, 31 de Agosto, de 2011, baseado em Le Feu Follet, de Drieu La Rochelle (um toxicodependente em tratamento aproveita um dia livre para reencontrar amigos em Oslo, percebe que o futuro não lhe reserva nada e decide matar-se).

Ao que parece, Trier só se deu conta de que estes filmes formavam uma trilogia, pelos temas, personagens e por se passarem todos em Oslo, quando um dos actores lhe chamou a atenção para o facto após ler o argumento de A Pior Pessoa do Mundo. Pouco importa se isto é verdade e se houve intenção consciente de fazer um trio de filmes interligados. Mas parece inegável que em todos eles Joachim Trier dá voz, rostos e representação à geração dos chamados millennials, às suas ambições, dúvidas, ansiedades e desejos de estabilidade social, sentimental e profissional, num mundo em que a pressão e os estímulos para o fazerem não pára de aumentar, e onde a sensação de que o tempo está a correr contra eles é cada vez mais intensa (como disse recentemente um economista: “Já não são os fortes que comem os fracos, são os rápidos que comem os lentos”).

A Pior Pessoa do Mundo é um retrato em 12 tempos, e ao longo de quatro anos, de Julie (Renate Reinsve, Prémio de Interpretação Feminina em Cannes), uma verdadeira salta-pocinhas em termos de vocações, empregos, projectos de vida e amores, e cada vez mais angustiada por ir passar a barreira dos 30 anos sem ter arrumado a vidinha e acalmado os sentimentos, conseguido um trabalho de que gosta minimamente, arranjado (ou não) um namorado ou um marido, e tido (ou não) filhos. E apesar de viver numa época em que, como mulher, tem uma liberdade e uma disponibilidade como nenhuma outra da sua família teve (há uma altura do filme em que Julie passa em revista-relâmpago o destino das mulheres da família pelo menos até ao século XIX, através das fotografias que a mãe tem em casa), ela só tem falsas partidas. Mesmo no amor, já que depois de se juntar com Aksel, um autor de comics underground quarentão (Anders Danielsen Lie, cara habitual nas fitas de Trier), acaba por o deixar pelo mais jovem e sedutor Eivind (Herbert Nordrum).

Tudo isto considerado, A Pior Pessoa do Mundo é uma comédia romântica com feitio indie, na qual Joachim Trier consegue, ao mesmo tempo, manejar temas, convenções, personagens e dispositivos consagrados deste formato, e virá-los do avesso ou pô-los em perfeita sintonia com os tempos (ver o gráfico do artigo sobre sexo oral que Julie escreve, publica e é amplamente debatido nas redes sociais, ou a sequência em que Aksel tem um ácido debate na rádio com uma feminista da era #MeToo e descobre que os seus aclamados e subversivos comics afinal são sexistas, ofensivos e misóginos).

Trier fá-lo lançando mão de um estilo visual tão dinâmico e inquieto como a própria personagem, que nos presenteia com um par de achados (a cena em que Julie corre através de uma Oslo congelada para ir ao encontro de Eivind – e a única no filme em que o tempo está do seu lado, ao parar para a deixar fazer o que deseja); e com tracção a cargo de Renate Reinsve, senhora de uma capacidade e uma versatilidade de expressão emocional a perder de vista, e que consegue que continuemos a interessar-nos por Julie até ao final. Até nas alturas em que, se ela existisse na vida e a conhecêssemos, nos apetece pregar-lhe um par de estalos e dar-lhe um berro para que pare de andar feita barata tonta e atine de uma vez por todas. (Mas era mesmo preciso que o já tão castigado Aksel acabasse como acaba?)

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  • Filmes

Jennifer Lopez e Owen Wilson encabeçam o elenco desta comédia romântica sobre uma super-estrela da canção que, pouco antes de dar o nó, descobre que o noivo, também uma vedeta da música, lhe foi infiel, e casa com um desconhecido que viu entre a multidão de fãs que assistiam à cerimónia.

  • 1/5 estrelas
  • Filmes
  • Suspense

Depois de ter desfigurado Um Crime no Expresso do Oriente, Kenneth Branagh vai ainda mais longe neste pavoroso remake de Morte no Nilo: desfigura o próprio Hercule Poirot, ao “desconstruir” o imortal detective de Agatha Christie, na caracterização psicológica e física, e na forma de sentir e agir. E qualquer semelhança entre esta nova adaptação do livro com a soberba versão de John Guillermin para cinema, com Peter Ustinov, e a televisiva com David Suchet, é pura coincidência. Branagh e o argumentista Michael Green deturpam o enredo, eliminam e inventam personagens e adulteram outras, e criam anacronismos absurdos ao cederem à agenda politicamente correcta.

O elenco é uma parada de canastrões e canastronas quase todos desconhecidos, ou martelados em papéis onde não cabem (ver o par cómico French e Saunders a fazer pateticamente as personagens que foram de Bette Davis e Maggie Smith na fita de Guillermin em 1978) e a ideia de Branagh interpretar Poirot (sem ter, nem de perto nem de longe, o físico da personagem) é pôr um bigode falso e fazer um sotaque francês digno dos Monty Python. E dizer que este Morte no Nilo, abundante e toscamente encharcado em efeitos digitais, parece realizado por um robô, é insultar os robôs. Kenneth Branagh perpetrou um atentado à memória de Agatha Christie e a um livro que é património da literatura policial.

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  • Filmes

Longa-metragem animada alemã sobre um ouriço corajoso e um esquilo tímido que vão recuperar a pedra mágica que mantém a água na floresta verdejante onde vivem com os outros animais seus amigos, e que foi roubada por um urso ganancioso.

  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Comédia

O novo filme de Paul Thomas Anderson está tão solida e convictamente instalado nos anos 70, que parece que veio de lá numa máquina do tempo. Passado quase todo na zona do Vale de San Fernando, em Los Angeles, Licorice Pizza é uma sucessão de episódios na vida de Gary Valentine (Cooper Hoffman, filho de Philip Seymour Hoffman), um finalista do secundário, jovem actor e fura-vidas, e de Alana Kane (Alana Haim), uns anos mais velha do que ele e pela qual está apaixonado. Enquanto Gary tenta convencer Alana a ser mais do que uma grande amiga e a tornar-se na sua namorada, e ela lhe resiste, vivem ambos uma série de peripécias descosidas, insólitas e hilariantes, desde vender colchões de água pelo telefone até terem um encontro surreal com o exaltado e engatatão ex-cabeleireiro, produtor e namorado de Barbra Streisand, Jon Peters (Bradley Cooper), em plena crise do petróleo e da falta de combustível. Filmado por Anderson em alegre ritmo de mata-cavalos e interpretado com piada e despretensão por Hoffman e Haim (do grupo com o mesmo nome, as duas irmãs dela na vida real fazem o mesmo papel aqui, tal como o pai e a mãe), Licorice Pizza é uma história de amor assolapado e relutante (ficarão Gary e Alana juntos?), e de agitação juvenil benigna (em que mais andanças disparatadas eles se irão meter?), tão aleatória e desconcertante como afável e folgazona.

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  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Acção e aventura

O Homem-Aranha interpretado por Tom Holland não só tem que enfrentar vilões provenientes de linhas temporais alternativas, neste novo filme, como o espera uma enorme surpresa em termos da sua própria identidade. O que o vai levar a pedir ajuda ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), embora o contacto não corra lá muito bem. Mesmo contemplando os temas estandardizados, as situações feitas e o gigantismo habituais das fitas de super-heróis, Homem-Aranha: Sem Regresso a Casa consegue manter a bonomia simpática, a ausência de peneiras e um sentido de humor que têm marcado quase todos os títulos desta série, o que o destaca do ramerrame da pomposa, elefantina e estereotipada oferta deste género.

  • Filmes

Imagens reais e animação digital combinam-se nesta comédia sobre Emily, uma menina que vive em Nova Iorque e recebe de presente um cão vermelho, gigante e mágico chamado Clifford. Com ele e mais o seu divertido tio Casey, Emily vai viver uma grande aventura na cidade.

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  • 2/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

Em Mães Paralelas, novo filme de Pedro Almodóvar, Janis (Penélope Cruz), uma fotógrafa de moda de meia-idade e solteira, engravida por acidente. Na maternidade, quando está prestes a dar à luz, conhece a jovem Ana (Milena Smit, uma boa revelação), também solteira, que vive com a mãe, uma actriz, e que também ficou grávida, embora em circunstâncias mais dramáticas. Janis está contente por ir ter um bebé, Ana está apreensiva e assustada. Ficam amigas e não fazem ideia da forma como as suas vidas irão ficar ligadas a partir do momento em que se encontraram nos corredores da maternidade.

Almodóvar é muito gabado (e quase sempre justamente) por compreender como poucos cineastas o funcionamento emocional e psicológico das mulheres, pela sua capacidade de sondar em profundidade o mundo sentimental e mental feminino em toda a sua complexidade e nas suas múltiplas idiossincrasias, e depois traduzir tudo em personagens, situações e histórias cativantes, entusiasmantes e intrincadas nos seus filmes. Em Mães Paralelas, onde o realizador vai buscar, para dar combustível narrativo e sentimental ao enredo, a troca inadvertida de bebés, um dos mais velhos, fáceis e batidos tropos da literatura de cordel, do melodrama barato e das telenovelas de fabrico industrial, esse dom falha-lhe.

Apesar das incontestáveis qualidades de representação das actrizes que as incarnam, Ana e Janis são personagens menos convincentes, consistentes e empaticamente almodovarianas do que é habitual, e circulam por uma intriga que Pedro Almodóvar não consegue evitar ser rasa e choramingona, emocionalmente calculista e reiterativa, que deixa o espectador distante em vez de operar a desejada identificação e envolvimento. E na qual as duas personagens principais mudam de preferências sexuais de um plano para o outro, com a leveza de quem muda de marca de detergente da roupa ou de canal quando se está a ver televisão.

Isto já sem falar nos subenredos de Mães Paralelas, para Almodóvar demonstrar preocupação social e mostrar virtude ideológica, sobre a violência sexual e a controvérsia da memória histórica em Espanha, este último apresentado de forma descaradamente tendenciosa, e com clima em “inho”, a lágrima sempre a tremer no canto do olho das personagens, tal como o próprio filme.

Mães Paralelas não deixa de ter dois ou três momentos brilhantemente almodovarianos (ver a sequência em que Janis e o seu amante arqueólogo estão a fazer amor e o realizador foge do quarto e filma, da rua, as cortinas brancas do quarto a bater ao vento). Mas, do tratamento superficialmente lacrimal do tema da maternidade à intromissão oportunista e deslocada da agenda política, é uma senhora decepção.

  • 2/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

O novo filme de Ridley Scott arrebatará os admiradores de séries como Dallas e Dinastia, e os apreciadores de histórias reais de faca e alguidar passadas no seio de famílias ricas e conhecidas. No caso vertente, a dinastia italiana Gucci. Baseando-se no livro de Sara Gay Forden, Casa Gucci recria a luta pelo poder dentro da família fundadora desta marca de luxo, entre os anos 70 e 90, destacando a figura da ambiciosa e astuta Patrizia Gucci, a mulher de Maurizio Gucci, o herdeiro de metade do império, que acabaria por mandar matar o marido e a quem a imprensa alcunhou de “Viúva Negra”. Metida no papel de Patrizia como ervilha numa vagem, Lady Gaga domina esta soap opera impessoalmente realizada por Scott. Também com Adam Driver, Jeremy Irons, Al Pacino, Salma Hayek e um Jared Leto irreconhecível e hilariante no papel do piroso e tonto Paolo, o Gucci sem pinga de gosto, talento ou jeito para o negócio.

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  • Filmes
  • Animação

Buster Moon e os seus amigos animais cantores estão de regresso nesta longa-metragem de animação, em que tentam convencer uma estrela do rock reformada a voltar ao activo e cantar com eles num novo espectáculo.

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