O Convite
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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘O Convite’ a ‘George Washington’

As estreias de cinema, os filmes em exibição e os novos filmes para ver em streaming, incluindo ‘Toy Story 5’, ‘O Diabo Veste Prada 2’ ou ‘Michael’.

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Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.

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Filmes em estreia esta semana

  • Filmes
  • Comédia
  • Recomendado

Olivia Williams realiza e é uma das principais intérpretes, com Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, desta versão americana do filme Sentimental, do espanhol Cesc Gay (2020), baseado numa peça do mesmo e que já tem adaptações ao cinema em vários países. Em São Francisco, um casal em grave crise matrimonial (Williams e Rogen) convida para jantar no seu apartamento os vizinhos de cima (Cruz e Norton), que não são casados e fazem demasiado barulho quando estão a fazer amor, para grande embirração do marido.

  • Filmes

Nomes como Sir Ben Kingsley, Kelsey Grammer, Mary-Louise Parker e Andy Serkis acompanham os jovens Will Joseph e William Franklin-Miller, que interpretam o comandante militar e depois primeiro Presidente dos EUA, George Washington, respectivamente na sua infância e na adolescência. George Washington, de Jon Erwin, é um épico histórico sobre a primeira fase da vida daquele, em que manifestava já as qualidades que o tornariam numa figura central da luta dos americanos pela independência e pela liberdade.

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  • Filmes
  • Acção e aventura

Uma década depois da longa-metragem animada homónima, assinada por John Musker e Ron Clements, chega a versão com actores, prosseguindo o plano da Walt Disney de refilmar todos os seus sucessos de animação. Thomas Kail realiza, Dwayne Johnson retoma o papel do semi-deus Maui e Catherine Laga’aia substitui Auli’i Cravalho no de Vaiana.

  • Filmes

Polónia, Alemanha, República Checa, Turquia e França juntaram-se para produzir Franz, que segue a vida de Franz Kafka (interpretado por Idan Weiss), desde a juventude em Praga, até à sua morte prematura em Viena, em 1924, com apenas 40 anos. A realização é da polaca Agnieszka Holland. O filme começa quando o jovem Kafka se encontra dividido entre as expectativas profissionais que o seu rigoroso pai tem para ele, a rotina monótona e estéril na companhia de seguros em que trabalha, e o seu desejo ardente de escrever.

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Pelo Adam

Produzido pelos irmãos Dardenne e realizado por Laura Wandel, este filme tem Léa Drucker no papel de uma enfermeira que faz tudo para ajudar uma criança malnutrida de quatro anos e a sua mãe, mesmo que isso signifique desafiar a sua hierarquia.

Evil Dead Burn

Neste novo filme da série Evil Dead, uma mulher que perdeu o marido vai procurar consolo junto dos sogros, descobrindo que os votos que fez em vida persistem após a morte, e enquanto todos em seu redor vão sendo possuídos por demónios.

Filmes em cartaz esta semana

  • Filmes
  • Animação
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Lembram-se daqueles actores e actrizes que tinham vozes desagradáveis ou pouco atraentes ao ouvido e que acabaram por ficar sem carreiras quando o cinema passou de mudo a sonoro? É exactamente o que sucede aos Mínimos no seu novo filme animado de longa-metragem, Mínimos e Monstros. Realizado por Pierre Coffin, que também escreveu o argumento com Brian Lynch e participa a fazer as vozes dos Mínimos, e tutelada, como sempre, pela produtora Illumination, a fita é a terceira interpretada exclusivamente pelos Mínimos, contando também como a sétima da série Gru, o Maldisposto, em que as irresistíveis, barulhentas e caóticas criaturinhas amarelas aparecem. E é igualmente a mais ambiciosa e elaborada de todas em que eles surgem sem Gru e as suas crianças (ou quase…). 

Mínimos e Monstros é uma combinação de breve história dos Mínimos e de aventura em Hollywood, ou seja, quase dois filmes num só. Tudo começa num museu de história do cinema, onde é contada a história de dois dos principais Mínimos a um grupo de turistas. E a resenha histórica arranca com os Mínimos à procura de vilões a quem servir ao longo dos tempos. Só que, inevitavelmente, os Mínimos acabam sempre, e sem querer, por matar os seus mestres, deixando-os no desemprego, por assim dizer. Até que um dia, quando atravessam um deserto, algures no início do século XX, deparam com um comboio a ser assaltado. Ansiosos de terem um vilão que mande neles, os Mínimos perseguem o assaltante, para se oferecerem como seus seguidores. Mas afinal não há roubo nenhum. O que sucedeu é que os Mínimos interromperam a rodagem de um filme na Califórnia.

Acontece que os dois executivos donos do estúdio produtor do dito filme acham muita piada aos Mínimos, e em vez de os escorraçarem ou chamarem a polícia, decidem contratá-los. As fitas mudas dos Mínimos são enormes sucessos comerciais, e eles passam a viver o sonho da fama e da fortuna em Hollywood, mantendo-se sempre fiéis a si mesmos em termos de confusão. Mas tudo se desmorona com o advento do cinema sonoro, porque ninguém consegue perceber a algaraviada que é a linguagem dos pequenos amarelinhos. E depois de darem prejuízos de milhões de dólares aos estúdios, os Mínimos são despedidos e vêem-se desprezados e sem eira nem beira.

Esta situação vai dividir os Mínimos em duas facções. A dos que querem voltar à vida antiga e procurar mauzões que possam servir; e a dos que continuam a acalentar o sonho do cinema. Estes vão falar com o realizador que dirigiu todos os seus filmes nos bons tempos da celebridade e da riqueza, e decidem fazer um filme de grande impacto, uma grande produção de terror e ficção científica, intitulada… Mínimos e Monstros (esta terceira fita dos Mínimos é também a mais auto-referencial de todas, embora sem presunção, tudo pelo contrário). Os Mínimos usam então um livro que tiraram a um feiticeiro que serviram para invocar um monstro. Mas este, chamado Goomi, além de pequeno, é simpático e inofensivo, e propõe aos Mínimos ajudá-los a arranjar monstros como deve ser para o filme. Entretanto, o outro grupo de Mínimos encontrou um vilão para servir, Dort, um robô alienígena que quer conquistar a Terra. E agora sim, vai instalar-se a maior das confusões. 

Rodado com um opulento orçamento de 85 milhões de dólares, Mínimos e Monstros é fidelíssimo ao modelo de comédia anárquica, nonsense, em jacto contínuo, paródica e com piscadelas de cultura pop e cinéfilas a que esta série nos habituou (estas últimas abundam aqui, pela própria natureza da história e pela atmosfera hollywoodesca em que se passa), contando inclusivamente com uma aparição-surpresa de George Lucas e culminando com um gag que goza com o estereótipo das histórias “meta” em voga nestes tempos. E convém ficar até a ficha técnica final acabar, porque há uma surpresa envolvendo personagens bem conhecidas. Os Mínimos nunca falham nem desiludem.

  • Filmes
  • Drama

O filme de estreia de Daniel Roher é um thriller em que um jovem e talentoso afinador de pianos, que sofre de hipersensibilidade acústica ao ponto de sentir dores por causa de certos sons, vê a sua vida mudar radicalmente quando descobre que a sua precisão meticulosa na afinação de pianos pode ser igualmente aplicada na abertura de cofres. Só que os perigos ligados a esta última actividade são mais e muito maiores do que os da afinação de pianos. Com Leo Woodall, Dustin Hoffman, Jean Reno, Havana Rose Liu e Tovah Feldshuh.

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  • Filmes
  • Animação
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Tal como a Pixar não previa fazer Toy Story 4 (Quentin Tarantino chamou aos três primeiros filmes da série “talvez a mais perfeita trilogia da história do cinema”), também Toy Story 5 não estava inicialmente nos planos da produtora, cujos responsáveis queriam então centrar-se apenas em títulos originais. Mas a verdade é que logo em 2019, o ano da estreia de Toy Story 4, começou logo a falar-se na possibilidade de a saga dos brinquedos mais populares do mundo ser continuada em mais uma fita. Até que em 2023 a Pixar confirmou que haveria um Toy Story 5 e que Tom Hanks e Tim Allen voltariam a ser as vozes de Woody e de Buzz Lightyear, com Andrew Stanton a realizar e a assinar (mais uma vez) o argumento, em parceria com McKenna Harris.

A Pixar não poupou em nada para pôr Toy Story 5 de pé, nem na tecnologia informática de animação, tendo sido usada a mais avançada disponível (foi posto de parte o recurso à Inteligência Artificial, apesar do estúdio ter já feito algumas experiências neste domínio, segundo revelou Thomas Jordan, o coordenador de efeitos visuais da produção), bem como alguns inovações do seu sistema de animação em 3D do filme anterior, Saltitões; nem no orçamento, que atingiu a impressionante soma de 250 milhões de dólares, tornando este quinto Toy Story num dos filmes mais caros de toda a história do cinema animado. 

Ao longo destas três décadas, os brinquedos de Toy Story já passaram por muitos perigos e enfrentaram muitas situações difíceis. Em Toy Story 5, eles são postos perante um desafio completamente novo: o digital, sob a forma de um tablet para crianças chamado Lilypad, com a forma de uma rã verde, que os pais da pequena Bonnie, que é muito tímida e não consegue fazer amigos, lhe dão para que possa socializar mais. Só que Bonnie, que é a única criança da zona que ainda brinca com brinquedos tradicionais, de plástico e de corda, e nunca teve um tablet, um smartphone ou um computador, ao contrário das outras crianças, fica viciada no novo dispositivo, fazendo logo amigos – embora no mundo virtual. Por seu lado, a arrogante Lilypad fala de alto aos brinquedos da casa, dizendo-lhes que ela é que sabe o que é melhor para Bonnie e para a sua vida social, e que eles estão obsoletos – já não têm qualquer utilidade. 

Jessie, a esperta e irrequieta cowgirl que ficou a liderar os brinquedos, ajudada por Buzz Lightyear, desde que, no filme anterior, Woody partiu com Bo Peep para irem ajudar brinquedos perdidos, esquecidos ou postos de parte a terem novos donos, não se fica, e depois de confrontar Lilypad, pede ajuda a Woody, que regressa. E mete-se depois numa grande confusão com o seu fiel cavalo Bala, ao tentar que Bonnie trave conhecimento com Blaze, uma menina igualzinha a ela, que ainda adora brincar com os seus brinquedos, e vive numa quinta nos arredores da cidade. A mesma quinta em que morou Emily, a anterior dona de Jessie, que a traumatizou profundamente quando cresceu e se esqueceu dela. O enredo do filme vai adensar-se ainda mais, e acolher não só três animados dispositivos a pilhas com que Jessie e Bala travam conhecimento na quinta de Blaze, e que são um meio-termo entre o analógico e o digital, como também um esquadrão de Buzz Ligthyears que andam à procura do Comando Central.

Assente mais uma vez num dos temas centrais da saga, a inevitabilidade e as dores da separação, que no entanto podem trazer coisas novas e boas, Toy Story 5 recorre a todo o arsenal da comédia no melhor estilo da Pixar, desde as piadas verbais e os pequenos gags até aos grandes efeitos cómicos; mantém a alta qualidade narrativa e um sentido dramático que nunca resvala para o sentimentalismo e é personificado e defendido pelas vozes dos actores do elenco (e desta vez, quem brilha mais é Joan Cusack como Jesse); e mostra um primor magistral na animação e na estilística visual, para acautelar contra o excesso de dependência dos ecrãs, sobretudo entre as crianças, e fazer o elogio dos brinquedos tradicionais, do acto de brincar e da alegria e do convívio que lhe estão intimamente associados, e do uso dos poderes da imaginação e da capacidade de fantasiar que ele implica. 

O apocalipse dos brinquedos anunciado por um deles no início do filme revela-se assim ser fake news. E convém ficar a acompanhar a ficha técnica final de Toy Story 5, para ver o que sucede à esquadrilha de Buzz Ligthyears perdidos.

  • Filmes
  • Acção e aventura

Depois de Helen Slater na fita original de 1984, cabe agora à australiana Milly Alcock vestir, no cinema, o uniforme de Supergirl, neste novo filme realizado por Craig Gillespie. Sentindo-se inútil na Terra, já que o seu primo Super-Homem não precisa da ajuda dela, Supergirl está refugiada com Krypto, o super-cão, num planeta distante, a beber demais, desleixada e a lamentar a sua sorte. Até que aparece Ruthye, uma menina de 13 anos cuja família foi massacrada por um grupo de piratas do espaço, que lhe pede para a ajudar a vingar-se e a matar o líder. 

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  • Filmes
  • Suspense
  • Recomendado

Brendan Fraser interpreta o general Dwight D. Eisenhower e Andrew Scott o capitão James Stagg, director da Unidade de Meteorologia dos Aliados, nesta fita baseada na peça de teatro de David Haig. A acção passa-se em 1944, ao longo das 72 cruciais horas antes da marcação do Dia D, em que tudo dependia da previsão meteorológica o mais exacta possível. Realização de Anthony Maras.

  • Filmes
  • Documentários
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Marianne Faithfull morreu algum tempo antes da conclusão deste documentário biográfico em que é entrevistada no enquadramento ficcional de um Ministério do Não-Esquecimento, estabelecido de fresco pelo governo inglês. Os realizadores são Iain Forsyth e Jane Pollard, autores de Nick Cave – 20.000 Dias na Terra (2014), e o dispositivo formal que conceberam para o filme é não só intrusivo como completamente desnecessário, tal como o grupo de mulheres britânicas célebres que, sentadas à volta de uma mesa, pontuam com encómios e comentários, as histórias da biografada. Basta-nos ouvir Marianne Faithfull falar da sua vida cheia de alegrias e tragédias, de altos muito altos e de baixos muito baixos, e da sua carreira artística, acompanhada por imagens e sons de arquivo, e vários depoimentos de colegas, amigos e colaboradores.

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  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

O novo filme do cineasta ucraniano Sergei Loznitsa passa-se na União Soviética, em 1937. Estamos no auge das purgas estalinistas e Kornyev, um jovem e recém-nomeado procurador de província recebe, por puro milagre, uma carta de um prisioneiro falsamente acusado que não foi destruída pelos agentes da NKVD. Bolchevique convicto e íntegro, o jovem procurador consegue falar com o prisioneiro, que foi maltratado e torturado. A sua busca por justiça levá-lo-à até ao gabinete do procurador-geral em Moscovo. Esta jornada por dentro da máquina trituradora do totalitarismo na era de Estaline levará Kornyev a aperceber-se da perversidade desumana intrínseca ao regime. Mas só tarde demais o idealista que se dirigiu atrevida e ingenuamente ao coração do poder em busca de justiça, vai entender que esta não existe tal como ele a concebeu.

Sergei Loznitsa prossegue aqui a sua meticulosa e arrepiante exploração do tema do funcionamento da justiça soviética no tempo do comunismo que encontramos nalgumas das suas fitas anteriores, juntando agora a abordagem ficcional à documental.

  • Filmes
  • Ficção científica

Steven Spielberg ambienta O Dia da Revelação num mundo à beira da II Guerra Mundial e onde um perito em cibersegurança e génio da matemática quer revelar um segredo sobre vida extraterrestre e visitas de alienígenas à Terra que roubou a empresa ultra-secreta em que trabalhava, e que pode mudar para sempre o destino da humanidade. O enredo envolve também o director daquela empresa, que quer capturar o seu ex-funcionário dê por onde der, e uma apresentadora de meteorologia da televisão, que descobre ter dotes aparentemente sobrenaturais. Com Josh O’Connor, Emily Blunt e Colin Firth.

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  • Filmes

A viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães (personificado por Gael García Bernal), a sua personalidade e a época histórica em que viveu, são vistas pelo olhar crítico, e também controverso, do realizador filipino Lav Diaz, um dos nomes mais considerados do slow cinema, nesta fita anti-heróica e sem espectacularidade.

  • Filmes
  • Terror
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Kane Parsons transpõe para o cinema, num filme de longa-metragem e com produção da A24, o fenómeno de terror que criou na Internet – baseado numa creepypasta que se tornou viral há alguns anos –, numa série de curtas-metragens, que por esta altura somam já quase três horas de duração e podem ser vistas no YouTube.

Um arquitecto falhado (Chiwetel Ejiofor) que dirige uma loja de mobiliário falida onde mora  por se ter separado da mulher, descobre, na cave daquela uma entrada para o universo paralelo dos backrooms, uma sucessão aparentemente infindável de salas (vazias ou não), e pelas quais vagueia uma presença inquietante. Também com Renate Reinsve no papel da psiquiatra do arquitecto, que o segue na exploração da dimensão paralela descoberta. Parsons dá mais nexo, consistência narrativa e uma explicação mais clara ao inquietante e labiríntico universo das suas curtas, embora à custa da perda de algum do mistério e do denso clima de suspense existente nestas.

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Leibniz – Crónica de Uma Pintura Perdida

Autor da monumental saga Heimat, Edgar Reitz assina, aos 94 anos, e em parceria com Anatol Schuster, esta fita em que o filósofo e matemático Leibniz conversa sobre arte, filosofia, Deus e a vida com a jovem pintora holandesa Aaltje van der Meer, enquanto esta o retrata para a rainha Carlota da Prússia, que foi pupila do pensador e tem uma enorme admiração por ele. Interpretações de Edgar Selge, Anne Schwartz, Antonia Bill e Barbara Sukowa.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Em vez de uma nova temporada da série The Mandalorian, a Disney optou, devido à greve de argumentistas e actores de Hollywood de 2023, por fazer um filme de longa-metragem com as personagens do Mandalorian (Pedro Pascal) e do seu aprendiz Grogu, entregando a realização a Jon Favreau.

Em Star Wars: The Mandalorian and Grogu, a Nova República recorre aos serviços de Din Djarin, o Mandalorian, e do pequeno Grogu, a seguir à queda do Império Galáctico e numa altura em que alguns senhores da guerra imperiais restantes ameaçam a galáxia. A missão: capturar um destes e salvar um dos membros da cruel e traiçoeira família Hutt, que ele tem em cativeiro.

Star Wars: The Mandalorian and Grogu, é, basicamente, uma combinação de elementos e situações de alguns episódios da série de streaming, e o resultado é uma movimentadíssima space opera sem outras pretensões do que a de entreter durante um par de horas – e felizmente livre das arengas pseudo-místicas de outros filmes ou séries da saga Star Wars.

Sigourney Weaver aparece no papel de uma oficial da Nova República e Martin Scorsese tem uma breve participação, dando a voz a uma criatura de características simiescas que tem uma rulote de comida e fala pelos cotovelos.

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  • Filmes
  • Drama
  • Recomendado

Realizado por Saeed Roustayi, autor de A Lei de Teerão e Leila e os Irmãos, Uma Mãe e o Seu Filho põe em cena uma enfermeira de 40 anos, viúva e com um filho adolescente problemático e uma filha mais pequena, que vê o noivo, um paramédico, trocá-la pela sua irmã mais nova. É então que se dá um trágico acidente envolvendo o rapaz, que pouco antes tinha sido expulso da escola.

  • Filmes
  • Suspense
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

George Fahmy (Fares Fares), o protagonista de As Águias da República, de Tarik Saleh, é o mais popular actor do Egipto, de tal forma que é conhecido como “O Faraó do ecrã”. Fahmy tem tudo: fama, fortuna, privilégios de “estrela”, a admiração do país em peso, dos mais humildes aos mais poderosos, um agente que lhe faz todas as vontades, um apartamento luxuoso, uma namorada, também actriz, bastante mais nova do que ele, e controlo absoluto sobre os filmes que faz. Mas nem tudo são rosas na sua vida. Fahmy está divorciado da mulher, que vive com o filho adolescente de ambos, para o qual tem muito pouco tempo, o que tenta compensar dando-lhe presentes caros e vistosos, como o relógio que acaba de comprar para lhe oferecer nos anos.

O actor acabou de rodar mais um filme e, juntamente com o realizador, está a tentar fazê-lo passar pelos censores (todos mulheres, e muito sisudas e exigentes) sem ser preciso cortar nem refilmar nada, e já a preparar a próxima produção. Uma noite, quando está num bar com a namorada, um pequeno grupo de pessoas de aspecto sofisticado interroga-o sobre o seu patriotismo e a sua lealdade ao Presidente da República, Abdel al-Sisi. Fahmi, que é cristão copta e não muçulmano, responde com humor e sarcasmo, pensando tratar-se apenas de uma brincadeira de mau gosto, e vai-se embora.

A partir daí, tudo muda na sua vida. É retirado do filme que ia protagonizar e substituído por um actor de menor valia, a sua imponente caravana é removida do estúdio e o seu agente diz-lhe que os militares o contactaram e querem que ele interprete el-Sisi numa superprodução patriótica. Fahmy responde que nem pensar. Não só ele e o presidente não têm a menor parecença como também a sua fé não é a islâmica, e nunca aceitaria participar num filme desse teor. As coisas pioram a partir daí. Começa a ser seguido, percebe que o seu apartamento está sob escuta, homens armados com ar de polícias secretos dizem-lhe que o filho pode sofrer graves consequências da sua recusa, e a sua colega e amiga Rula Haddad é, primeiro, pressionada num programa de televisão a dizer mal dele, e depois privada de papéis, ao ponto de ter que lhe ir pedir auxílio e dinheiro. 

Fahmy tem então que aceitar o papel, assim como um convite, feito durante um jantar em casa do ministro da Defesa, para discursar perante el-Sisi nas comemorações do Dia das Forças Armadas. É nesse jantar que um dos civis presentes lhe diz serem os poucos e selectos convidados conhecidos como As Águias da República. Eles são o garante da segurança, da paz e da prosperidade do Egipto, e têm poder para fazer tudo o que lhes apeteça. Fahmy aproveita então para interceder pela sua colega Rula, e pelo filho de um vizinho, um estudante universitário que foi preso num protesto. Entretanto, a tensão e os conflitos no set do filme são cada vez mais e maiores, e Fahmy só muito tarde, quando se vir no meio de uma sangrenta tentativa de golpe de Estado, vai perceber como foi manipulado e como a sua vida, e a dos seus, pouco ou nada vale para os seus manipuladores.

As Águias da República é o terceiro filme da Trilogia do Cairo assinada por Tarik Saleh, nascido na Suécia de pais imigrantes egípcios. Juntamente com os dois anteriores, The Nile Hilton Incident, de 2017 (nunca exibido em Portugal) e A Conspiração do Cairo, de 2022, formam um quadro amplo da corrupção no Egipto (da polícia e dos militares, até à hierarquia religiosa e aos serviços secretos) e do imenso poder da oligarquia militar e dos seus apêndices civis que o governam, cuja influência abrange a vida económica do país e mesmo a indústria cinematográfica e do entretenimento. É um regime autoritário e cleptocrático em vigor no país desde o golpe de 2013, quando a tropa depôs o recém-eleito Presidente Mohamed Morsi e esmagou a perigosa e radical Irmandade Muçulmana, com a qual este tinha ligações.

Parte thriller de suspense tradicional, parte filme de intervenção política na linha de um Costa-Gavras, As Águias da República foi, tal com os outros dois títulos da trilogia, rodado na Turquia, tendo também sido usadas imagens documentais de arquivos e alguns planos feitos clandestinamente no Cairo. Tarik Saleh vive na Suécia mas é persona non grata no Egipto desde 2017, quando ia começar a filmar The Nile Hilton Incident, estando proibido de lá regressar. Fares Fares, o principal intérprete, e actor preferido e grande amigo de Saleh, libanês naturalizado sueco, também não é bem-vindo no Egipto. Tal como as outras duas fitas da Trilogia do Cairo, também As Águias da República mostra que é possível fazer cinema politicamente comprometido e entreter o público ao mesmo tempo – e sem abdicar da componente comercial.

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  • Filmes
  • Comédia
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Vinte anos depois do primeiro filme, Meryl Streep e Anne Hathaway estão de regresso aos papéis de Miranda e Andy, tal como Stanley Tucci ao de Nigel. Emily (Emily Blunt), a antiga assistente de Miranda, é agora a influente executiva de uma grande marca de produtos de luxo, o tipo de anunciante que Miranda precisa para salvar a Runway, a prestigiada revista que dirige e que está em declínio de tiragens, vendas e influência, e sob o efeito negativo de um artigo desleixado que desencadeou uma onda de críticas e de troça nas redes sociais. Entra então em cena Andy, agora uma jornalista de renome, nomeada editora de reportagens pelo proprietário, para ajudar a melhorar a situação e a imagem da publicação.

O realizador David Frankel e a argumentista Aline Brosh McKenna conseguem um filme melhor do que o original, mantendo o registo de comédia sofisticada e satírica, e incorporando na história, mesmo que com ligeireza, o tema da crise dos media tradicionais, em especial da imprensa escrita, e do advento e crescente influência da internet, do digital e das redes sociais. Os actores, todos impecáveis, fazem o resto, e é uma delícia ver Meryl Streep divertir-se a interpretar uma Miranda que agora tem que pendurar ela o casaco quando chega à revista e que voar em Económica.

As Ovelhas Detectives

Comédia policial de Kyle Balda, um dos autores das animações de Os Mínimos e Gru, o Mal-Disposto, As Ovelhas Detectives baseia-se no primeiro dos dois livros da escritora policial alemã Leonie Swann, passados em Inglaterra, sobre um rebanho de ovelhas que investigam o assassinato do seu querido pastor. O filme mistura animação digital e ambientes e actores reais. Com Hugh Jackman, Emma Thompson, Patrick Stewart, Julia-Louis Dreyfus e Bryan Cranston.

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  • Filmes
  • Drama
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Toni Servillo volta a ser o principal intérprete do novo filme de Paolo Sorrentino, interpretando Mariano De Santis, um Presidente da República italiano fictício, um viúvo conservador, católico e muito consciencioso, e estimado e admirado pela população e pelos seus colaboradores. De Santis está a seis meses de acabar o mandato e tem de tomar duas grandes decisões antes de ir para casa. Promulgar ou vetar uma lei da eutanásia, e conceder ou não perdões a um homem e uma mulher que mataram os respectivos cônjuges. Ao mesmo tempo, atormenta-se diariamente por não saber com quem a falecida mulher, que adorava, o traiu. Desconfia do seu amigo mais antigo que é ministro do actual governo, e a sua melhor amiga e da mulher, sabe quem é, mas jurou a esta nunca lho dizer.

Com contenção, sobriedade, um conhecimento profundo da natureza humana e um superior sentido da composição cinematográfica, Paolo Sorrentino assina um filme sobre os dilemas morais e éticos de um homem que sempre se guiou pela sua consciência e se sente desconfortável a tomar decisões socialmente fracturantes, que é também uma meditação sobre o peso e a solidão do poder, sobretudo em momentos determinantes e dramáticos da vida política. Toni Servillo tem mais uma interpretação notável no papel de De Santis, dizendo quase tudo o que é preciso com um olhar, uma expressão, uma postura, uma frase seca e curta.

Michael

Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, interpreta o tio nesta fita biográfica assinada por Antoine Fuqua (Dia de Treino), fazendo também a sua estreia no cinema. A história acompanha a carreira do malogrado “Rei da Pop” desde que fazia parte dos Jackson 5 com os irmãos, até aos anos 80, quando se transformou numa estrela planetária. Michael custou 155 milhões de dólares, é produzido e controlado pela família e por próximos do músico e cantor, e inclui 30 canções do catálogo musical de Michael Jackson. Colman Domingo, Nia Long e Miles Teller constam também do elenco.

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  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Vencedor do Festival de San Sebastián e de cinco Goyas, este drama da cineasta espanhola Alauda Ruiz de Azúa centra-se em Ainara (Blanca Soroa), uma jovem de 17 anos que perdeu a mãe precocemente e vive em Bilbau com o pai, dono de um restaurante, e com as duas irmãs mais novas. Há ainda a avó, e a tia, irmã do pai, que trata a sobrinha mais velha como uma filha, e é casada com um argentino, do qual tem um rapazinho. Ainara espalha a confusão e a apreensão na família quando anuncia que quer ser freira e professar numa ordem de clausura logo que acabar o secundário. A tia, muito em especial, pelo amor que nutre a Ainara mas também por ser anti-clerical, é quem encara com mais revolta e temor a decisão da rapariga.

Magnificamente escrito, serenamente filmado e muito bem interpretado por todo o elenco, principal e secundário, Os Domingos é um filme exemplar de objectividade e honestidade intelectual, ao tratar um tema tão delicado e controverso como este, com justeza, equilíbrio e atenção aos argumentos e pontos de vista das partes envolvidas, sem o menor viés ou qualquer suspeita de proselitismo, pró ou anti-religioso. Blanca Soroa é notável na jovem, tranquila e convicta Ainara, que tem toda a certeza da sua vocação, e de ter sido chamada a ela por um poder maior e indizível, que não consegue explicar aos seus mais próximos, que temem por ela porque a amam muito. Tanto como o amor que ela sente por Cristo, a quem vai entregar a sua vida no convento. Filme singular, a contrapelo dos tempos que correm, Os Domingos é, desde já, uma das melhores estreias deste ano.

  • Filmes
  • Ficção científica
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

É num livro de Andy Weir, o autor de O Marciano (filmado por Ridley Scott) que se baseia Projecto Hail Mary, realizado pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (O Filme Lego). O herói é Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de Ciências e que acorda numa nave espacial e constata que não só está perdido no cosmos, como também perdeu a memória e os outros dois tripulantes morreram durante o hipersono. Não se recorda de quem é, da razão por que está naquela nave ou da missão que tem que desempenhar.

Em vez de perder a cabeça de vez, Ryland consegue manter a calma, concentrar-se e procurar pistas que o esclareçam, e pouco a pouco vai-se lembrando de tudo. É o único sobrevivente de uma tripulação que foi enviada ao sistema de Tau Ceti para procurar uma solução para um acontecimento catastrófico que se deu na Terra, e que ameaça a sobrevivência da humanidade: umas estranhas partículas, os Astrofagos, estão a “comer” a luz do Sol e o nosso planeta tem 30 anos antes de mergulhar na escuridão e numa era glaciar permanentes.

Para se manter vivo e conseguir cumprir a sua missão, Ryland vai ter que confiar nos seus vastos conhecimentos científicos, no seu engenho e na vontade humana. Mas ao contrário do que pensa, a sua busca por respostas para resolver ao que se passa na Terra não será solitária, já que contará com uma ajuda completamente inesperada. Ela virá de um extraterrestre chamado Rocky, uma espécie de cruzamento de uma rocha com um aracnídeo, também ele único sobrevivente da sua nave e cujo sol do seu planeta está igualmente sob a mesma ameaça do da Terra. E Ryland e Rocky vão primeiro ter que conceber uma forma de comunicar antes de começar a colaborar, bem como de ultrapassar o problema de viverem em atmosferas diferentes.

Épico de aventuras cósmicas, buddy movie em que um humano e um alienígena se tornam os mais improváveis dos amigos, comédia dramática interestelar e filme de suspense da modalidade “Planetas em perigo”, Projecto Hail Mary é um dos melhores filmes de ficção científica sobre o tema do “primeiro contacto” dos últimos tempos, deixando uma mensagem positiva e optimista sobre o papel da ciência e da tecnologia na resolução de problemas graves, e a possibilidade de humanos e extraterrestres travarem amizade e se entenderem e trabalharem em conjunto para o bem de ambas as espécies.

Ryan Gosling é mesmo muito bom no atarantado mas inteligente e expedito Grace, e Rocky, uma criatura animatrónica em cuja criação e manipulação estiveram envolvidos o veterano e oscarizado técnico Neal Scanlon, e o premiado bonecreiro e actor James Ortiz, resulta perfeitamente como personagem credível e a sua empatia com os espectadores é igual à que estabelece com o seu amigo humano. A não perder.  

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  • Animação
  • 3/5 estrelas
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A nova animação da Pixar/Disney põe em cena Tamara, uma rapariga de 19 anos que adora animais, em especial castores, e que aproveita uma nova tecnologia que transfere a mente humana para animais robóticos, para incarnar num castor e ir avisar aqueles que vivem perto da sua cidade que uma nova obra da Câmara Municipal ameaça destruir o seu habitat. Só que o alarme vai causar uma insurreição em todos os animais da zona, que ameaça os humanos, e muito em especial o velhaco presidente da Câmara. O antropomorfismo sempre deu bons resultados para a Disney, e o mesmo se pode dizer para a Pixar em Saltitões, uma animadíssima e muito bem-disposta comédia passada no reino animal (com alguns gags cinéfilos lá pelo meio, caso de um que remete para Tubarão, de Steven Spielberg), que veicula uma simpática (e nunca intrometida) mensagem em prol da conservação da natureza. E que pode ser apreciada igualmente por miúdos e crescidos.

Filmes em estreia no streaming

Boulevard

Filme romântico espanhol para adolescentes, em que dois colegas de liceu marginalizados pelos seus pares desenvolvem uma ligação inesperada, apesar dos seus problemas e demónios pessoais. Interpretações de Eve Ryan e Mikel Niso, realização de Sonia Méndez.

Prime Video. Estreia a 10 de Julho

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