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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘A Piscina’ a ‘A Magia da Árvore Longínqua’

As estreias de cinema, os filmes em exibição e as novidades do streaming para ocupar os quentes dias de Agosto.

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Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.

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Filmes em estreia esta semana

A Piscina

  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Realizado por Jacques Deray escrito por Jean-Claude Carrière, interpretado por Alain Delon, Romy Schneider, Maurice Ronet e Jane Birkin, e estreado em 1969, A Piscina não é uma estreia, mas é a melhor reposição deste Verão. Um casal (Delon e Schneider) que mora numa vivenda com piscina na Riviera francesa é visitado por um amigo rico e pela filha adolescente deste (Ronet e Birkin), no auge de um Verão tórrido. A personagem den Schneider foi outrora amante da de Ronet, e pouco a pouco vai-sen instalando entre os quatro uma atmosfera que tem tanto de mal- estar pessoal (ciúmes, desconfiança, inveja) como de tensão sexual. O argumento de Carrière funciona à base da sugestão, do implícito e do que fica por dizer, a realização de Jacques Deray carrega na atmosfera pesada de calor estival, na sensualidade latente e reprimida a custo, na ambiguidade emocional e no choque psicológico em surdina, ajudado pela banda sonora de Michel Legrand, e os quatro actores juntam a enorme fotogenia à intensa presença física, e à densidade dramática da interacção entre as personagens que corporizam. Junto a uma piscina que, além de ser a testemunha silenciosa de tudo o que se passa, tem também uma função simbólica, e terá um papel preponderante no final. Ou não desse o título ao filme, um dos mais relevantes dos anos 60 e do cinema francês. 

Confidente

Filme co-realizado pelo francês Guillaume Giovanetti e pela turca Çagla Zencirci. Estamos em Ancara, em 1999. Houve um tremor de terra na Turquia e algumas áreas do país foram mais afectadas do que outras. Arzu, uma mulher que trabalha numa linha erótica, recebe um telefonema de um rapaz que está preso nos escombros do seu prédio em Istambul e que lhe pede que o ajude.

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Elisa

Depois de ter passado dez anos na cadeia na Suíça pelo homicídio da irmã sem motivo aparente, e cujo corpo queimou, Elisa (Barbara Ronchi), de 35 anos, diz mal se lembrar do crime. O professor Alaoui (Roschdy Zem), um reputado criminólogo, decide reabrir o caso e fazer de Elisa o objecto da sua pesquisa, e a prisioneira aceita. Realização de Leonardo Di Costanzo.

A Magia da Árvore Longínqua

Andrew Garfield e Claire Foy interpretam este filme baseado num livro de Enid Blyton. A família Thompson muda-se para o campo e os três filhos do casal descobrem uma árvore mágica, e os seus mágicos e excêntricos residentes, graças aos quais vão viver incríveis aventuras.

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Insidious: O Longínquo

Neste novo filme da saga de terror Insidious, Gemma cria a filha na casa onde cresceu e descobre ser capaz de viajar até ao Longínquo, o purgatório das almas perdidas no centro do universo Insidious. Começa então a ser perseguida por uma força maligna.

Mutiny: Código Vingança

Filme de acção de Jean-François Richet com Jason Statham no papel de um homem que vê o seu patrão, um industrial multimilionário, ser assassinado à sua frente, tendo de fugir após ser acusado do crime.

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Morte e Vida Madalena

Co-produção luso-brasileira realizada por Guto Parente, sobre Madalena, uma produtora de cinema grávida de oito meses que tem que lidar com a morte recente do seu pai e a rodagem de um novo filme de ficção científica.

Filmes em cartaz esta semana

Soy Cuba

  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

No final de Fevereiro de 1963, o realizador russo Mikhail Kalatozov começou a rodar em Cuba uma grande produção intitulada Soy Cuba, um panegírico formalmente arrojado da revolução castrista que havia derrubado o regime autoritário e pró-americano de Fulgencio Baptista, e glorificador da ideologia comunista. Por essa altura, as relações entre Havana e Moscovo – que estavam no auge quando foi decidida a parceria cultural para rodar Soy Cuba –, haviam sido prejudicadas pela recente Crise dos Mísseis Cubanos. Nikita Khruschev tinha decidido retirar os seus mísseis do solo cubano sem consultar Fidel Castro. Apesar do ambiente de protesto contra a União Soviética orquestrado pelo governo que se vivia então em Cuba, a rodagem deste ambicioso filme de propaganda, co-produzido pela Mosfilm e pelo Instituto Cubano del Arte e Industrias Cinematograficos, e escrito pelo cubano Enrique Pineda Barnet e pelo poeta “oficial” soviético Yevgeni Yevtushenko, foi para a frente. Rodado num preto e branco deliberadamente muito contrastado, e com uma narração personificada pela própria Cuba, Soy Cuba decorre entre os últimos tempos do governo de Baptista e o triunfo da revolução castrista, e é composto por quatro histórias sobre exploração, miséria e revolta colectiva. Inspirado pelo cinema de vanguarda soviético dos anos 20 e 30, Mikhail Kalatozov dispensou as convenções narrativas e cinematográficas do realismo socialista, e juntamente com o director de fotografia Sergei Urusevsky, transformou o filme numa exibição contínua de acrobacias técnicas, de inventividade visual e de poesia dinâmica, ao mesmo tempo que elogia, em estilo épico-arrebatador, a coragem do povo cubano, a violência revolucionária e o triunfo do comunismo. Mas uma vez Soy Cuba concluído e estreado, em 1964, nem o poder cubano, nem o soviético, se mostraram particularmente entusiasmados. Em Cuba, foi acusado de “estereotipar os cubanos” e de pecar por “exotismo”, e dividiu a crítica. E em Moscovo, foi visto como “insuficientemente revolucionária” e politicamente “ingénua”. O público também não acorreu, e por ser uma obra de propaganda, não se estreou no Ocidente, sendo vítima da Guerra Fria e do embargo dos EUA a Cuba. Até ao início dos anos 90, Soy Cuba permaneceu pouco ou nada conhecido, local e internacionalmente. Mas tudo mudou (e ironicamente) quando o filme foi exibido em dois festivais nos EUA, em 1992 e 1993, após o colapso da União Soviética e o fim do comunismo a Leste. Martin Scorsese e Francis Ford Coppola viram-no então, e ficaram tão impressionados e entusiasmados, que começaram a recomendá-lo e a divulgá-lo. Soy Cuba foi então comprado à Mosfilm pela Milestone, uma distribuidora independente dos EUA especializada em títulos esquecidos, pouco vistos e desprezados, mudos e sonoros, americanos e estrangeiros, que o restaurou e estreou no Film Forum de Nova Iorque em 1995. Em 2005, lançou-o em DVD, acompanhado por um comentário de Scorsese. A fita estreou-se em Portugal pela mão da Midas Filmes, incluída no seu programa de estreias/reposições de Agosto, que incluem também A Saga de Anatahan, de Josef von Sternberg (já em exibição), e A Piscina, de Jacques Deray (repõe esta quinta-feira, 20 de Agosto).

A Saga de Anatahan

  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

O último filme de Josef von Sternberg, datado de 1953 e rodado em estúdio no Japão, adapta uma história real, contada em livro por uma das pessoas que a viveu. Em 1944, um grupo de 30 militares japoneses sobreviveu ao bombardeamento dos navios em que seguiam por aviões dos EUA, e foram dar a uma ilha isolada no Pacífico, Anatahan, onde viviam apenas uma bonita rapariga e o capataz de uma plantação de copra abandonada. Ficaram lá durante sete anos até serem resgatados após a II Guerra Mundial, que não sabiam que tinha acabado. Em parceria com Tatsuo Asano, Josef von Sternberg escreveu o guião de A Saga de Anatahan usando como referência o livro de Mishiro Maruyama, um dos sobreviventes, fazendo algumas alterações à história original, como a redução dos participantes para 13 homens e uma mulher, chamada Keiko (interpretada por Akemi Negishi, que viria depois a entrar nalguns filmes de Akira Kurosawa) e não Kazuko, como a verdadeira. O realizador reconstituiu cuidadosamente a atmosfera tropical e a selva da ilha em estúdio, em Quioto, dado que seria problemático, penoso e caro ir rodar no cenário original; e trabalhou longa e arduamente com os actores, quase todos vindos do teatro Kabuki. Como não falava japonês, von Sternberg concebeu um storyboard detalhadíssimo e muito original, usando, um sistema de cores e contendo indicações muito precisas para aqueles se orientarem, e garantir a continuidade “psicológica e dramática” de cada cena, bem como da história no seu todo. E assumiu ainda a narração do filme. Exibido em estreia mundial em 1953 no Festival de Veneza, A Saga de Anatahan não foi particularmente bem recebido. A opinião da crítica também não foi boa, particularmente no Japão, onde a fita foi muito atacada, pelo seu “exotismo”, por estereotipar os japoneses, por não estar em sintonia com os sentimentos destes no pós-guerra, ou por von Sternberg ter tido o “mau gosto” de filmar uma história com características tão degradantes. Até a prestigiada e influente revista de cinema Kinema Junpo, a mais antiga do Japão (começou a ser publicada em 1919), e uma das mais antigas do mundo, se atirou a A Saga de Anatahan com unhas e dentes. Mas o filme, que foi pouco visto em vida do realizador (von Sternberg morreu em 1969, aos 75 anos) também teve os seus defensores, caso de François Truffaut e Jean-Luc Godard. E era o favorito de Jim Morrison e Ray Manzarek, futuros Doors, quando estudaram Cinema na Universidade de Los Angeles e Josef von Sternberg lá deu aulas, entre 1959 e 1963. Com o tempo, A Saga de Anatahan foi sendo reconsiderado e reapreciado, acabando por ganhar os favores dos cinéfilos de todas as latitudes e estatuto de filme de culto - e também a ser devidamente contextualizado na filmografia de Josef von Sternberg. É esta obra singularíssima, dotada de um fascínio desconcertante e que escapa a rótulos e classificações, que se estreou finalmente em Portugal, 73 anos após ter sido filmada. A Saga de Anatahan foi apenas visto no nosso país incluído em ciclos ou em sessões avulsas na Cinemateca ou na Fundação Gulbenkian. 

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O Fim de Oak Street

Filme de ficção científica de David Robert Mitchell, em que um misterioso acontecimento arranca a Rua Oak, típica de um subúrbio de classe média americano, do local em que se encontra, transportando essa parte do bairro para um local desconhecido – e muito perigoso. Em pouco tempo, a família Platt descobre que a sua sobrevivência depende de todos se manterem unidos, enquanto percorrem os arredores da sua casa, transformados e irreconhecíveis. Com Ewan McGregor e Anne Hathaway.

  • Filmes

O clássico Os Miseráveis, de Victor Hugo, tem aqui mais uma versão cinematográfica, escrita e realizada por Éric Besnard (Delicioso, Louise Violet) que se centrou apenas nas primeiras 100 páginas do livro, dedicando-se à personagem de Jean Valjean (Grégory Gadebois), desde a altura em que sai da cadeia até que encontra a bondade do seu semelhante pela primeira vez, na pessoa de Monsenhor Bienvenu (Bernard Campan). Também com Isabelle Carré e Alexandra Lamy.

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  • Filmes

Este filme biográfico assinado por Sérgio Graciano leva o título de um dos muitos sucessos populares de Carlos Paião, que morreu prematuramente, aos 30 anos, num trágico acidente de viação (ainda hoje não completamente esclarecido quanto ao culpado), no dia 26 de Agosto de 1988. O saudoso cantor e compositor é interpretado por Rafael Ferreira, acompanhado no elenco por Laura Dutra, Albano Jerónimo, Anabela Moreira, Rodrigo Costa e Rita Durão, entre outros.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Um dos melhores filmes fantásticos espanhóis tem apenas 35 minutos, foi feito em 1972 para a TVE, a televisão pública do país. Chama-se La Cabina e foi realizada por Antonio Mercero. Nele, um homem entra para uma cabina telefónica recém-instalada num jardim de Madrid, e fica lá preso. Vão-se juntando cada vez mais pessoas a ver e a comentar a situação. Algumas delas tentam libertar o homem das maneiras mais variadas, mas sem sucesso. Chega então a polícia, mas também não consegue. Quando os bombeiros estão prestes a rebentar com a cabina à machadada, aparece a equipa de homens que a instalou e levam-na, com o homem preso lá dentro. E o que até agora era uma comédia vai transformar-se num pesadelo surreal.

O impacto de La Cabina sobre os espanhóis foi tal que a facturação das cabinas telefónicas públicas baixou drasticamente, e a companhia estatal de telecomunicações, a Telefonica, pediu a Mercero e ao intérprete do filme, José Luís López Vazquez, que fizessem um anúncio em que se mostrasse que as cabinas públicas funcionavam e eram totalmente inofensivas. À sua maneira, o filme De Mãos Atadas, de Ángel de la Cruz, é vagamente reminiscente de La Cabina, pela sua situação narrativa. E também de outro filme mais próximo de nós, este americano, Jogo Perigoso, realizado por Mike Flanagan em 2017, adaptando o livro homónimo de Stephen King (Gerald’s Game, no original).   

La Cabina é sobre um homem aprisionado numa cabina telefónica e Jogo Perigoso sobre uma mulher (Carla Gugino) que, para dar um novo fôlego ao casamento, ia fazer uma fantasia sexual com o marido (Bruce Greenwood). Este morre de súbito com um ataque de coração, e ela fica atada de pés e mãos à cama de uma cabina isolada junto a um lago. O herói de De Mãos Atadas, Daniel Lonces (Jaime Lorente), vai ter uma experiência semelhante, só que na sua própria casa. Daniel é um autor de livros de terror de muito sucesso (a fita é baseada num livro de David Jasso, aclamado escritor espanhol de obras de terror, ficção científica e policiais), que se mudou para uma vivenda novinha em folha com a mulher e o filho pequeno, e está a escrever um livro novo, que tem que entregar ao editor dentro de pouco tempo.

Só que o escritor está com um bloqueio criativo, e tem uma ideia insólita para chamar a inspiração. Vai buscar à garagem uma cadeira velha mas sólida, e pede à mulher que o ate de mãos e pés e o amordace, para que possa experimentar o que a heroína do seu livro, que foi raptada, está a viver. A mulher assim faz, usando aquelas algemas maleáveis mas muito resistentes com que os polícias manietam os detidos, e reforça-lhe a mordaça com fita isolante. Fica combinado que ela virá soltar Daniel dentro de duas horas. Só que o inesperado acontece. A mulher tem um acidente na cozinha e não dá acordo de si, e Daniel vê-se firmemente preso à cadeira, impedido de pedir socorro através da assistente digital por estar amordaçado, e com o filho amedrontado e confuso e a chorar aflitivamente. 

De Mãos Atadas dura apenas 76 minutos, mais meia hora do que La Cabina, e menos 40 que Jogo Perigoso. E Ángel de la Cruz aproveita cada minuto da fita para espremer o máximo de sumo de suspense, de desconforto e dramático, da provação que Daniel está a viver, à medida que as oportunidades pontuais de socorro se vão frustrando. Uma delas envolve a sua jovem amante, com a qual o escritor prometeu passar o fim-de-semana com ponte durante o qual se passa a acção do filme e que está lá fora na rua, dentro do seu carro, desesperada e sem saber o que fazer, porque Daniel não atende o telefone; e outra, a mãe de um grande fã de Daniel, um rapaz muito influenciável que morreu por causa do último livro que ele escreveu, e vai desempenhar um papel fundamental no enredo e na sua conclusão (que podia ter sido um bocadinho mais bem trabalhada).

Há ainda que referir que De Mãos Atadas tem um punhado de referências directas, bem explícitas, a Stephen King e ao seu universo de terror. E se nos dissessem que tinha sido baseado num conto longo ou numa novela do autor de Carrie, éramos capazes de acreditar. Juntando-o com La Cabina e com Jogo Perigoso, tínhamos uma belíssima sessão tripla temática.

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  • Filmes
  • Acção e aventura

Tom Holland volta a ser Peter Parker/Homem-Aranha e Zendaya MJ, a sua apaixonada, nesta nova aventura do super-herói com poderes aracnóides. Peter está agora plenamente concentrado nos seus estudos na universidade, deixando o Homem-Aranha para trás. Só que isso vai revelar-se impossível, com o aparecimento de uma grande ameaça, sob a forma de mais um poderoso inimigo. Quando este põe alguns dos amigos de Peter em perigo, este é obrigado a vestir o fato de Homem-Aranha para os proteger, e descobre um aliado inesperado. Destin Daniel Cretton assina o filme.

Her Private Hell

É numa metrópole futurista que se passa a nova fita de Nicolas Winding Refn, um thriller de terror com elementos de ficção científica distópica, interpretado por Sophie Thatcher e Charles Melton. Refn põe em cena uma jovem atormentada que procura o pai desaparecido, e um militar americano destacado para o Japão, e embarcado numa odisseia para resgatar a filha das profundezas do inferno. Há ainda uma entidade letal e esquiva, libertada por um misterioso nevoeiro.

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  • Filmes
  • Animação
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Lembram-se daqueles actores e actrizes que tinham vozes desagradáveis ou pouco atraentes ao ouvido e que acabaram por ficar sem carreiras quando o cinema passou de mudo a sonoro? É exactamente o que sucede aos Mínimos no seu novo filme animado de longa-metragem, Mínimos e Monstros. Realizado por Pierre Coffin, que também escreveu o argumento com Brian Lynch e participa a fazer as vozes dos Mínimos, e tutelada, como sempre, pela produtora Illumination, a fita é a terceira interpretada exclusivamente pelos Mínimos, contando também como a sétima da série Gru, o Maldisposto, em que as irresistíveis, barulhentas e caóticas criaturinhas amarelas aparecem. E é igualmente a mais ambiciosa e elaborada de todas em que eles surgem sem Gru e as suas crianças (ou quase…). 

Mínimos e Monstros é uma combinação de breve história dos Mínimos e de aventura em Hollywood, ou seja, quase dois filmes num só. Tudo começa num museu de história do cinema, onde é contada a história de dois dos principais Mínimos a um grupo de turistas. E a resenha histórica arranca com os Mínimos à procura de vilões a quem servir ao longo dos tempos. Só que, inevitavelmente, os Mínimos acabam sempre, e sem querer, por matar os seus mestres, deixando-os no desemprego, por assim dizer. Até que um dia, quando atravessam um deserto, algures no início do século XX, deparam com um comboio a ser assaltado. Ansiosos de terem um vilão que mande neles, os Mínimos perseguem o assaltante, para se oferecerem como seus seguidores. Mas afinal não há roubo nenhum. O que sucedeu é que os Mínimos interromperam a rodagem de um filme na Califórnia.

Acontece que os dois executivos donos do estúdio produtor do dito filme acham muita piada aos Mínimos, e em vez de os escorraçarem ou chamarem a polícia, decidem contratá-los. As fitas mudas dos Mínimos são enormes sucessos comerciais, e eles passam a viver o sonho da fama e da fortuna em Hollywood, mantendo-se sempre fiéis a si mesmos em termos de confusão. Mas tudo se desmorona com o advento do cinema sonoro, porque ninguém consegue perceber a algaraviada que é a linguagem dos pequenos amarelinhos. E depois de darem prejuízos de milhões de dólares aos estúdios, os Mínimos são despedidos e vêem-se desprezados e sem eira nem beira.

Esta situação vai dividir os Mínimos em duas facções. A dos que querem voltar à vida antiga e procurar mauzões que possam servir; e a dos que continuam a acalentar o sonho do cinema. Estes vão falar com o realizador que dirigiu todos os seus filmes nos bons tempos da celebridade e da riqueza, e decidem fazer um filme de grande impacto, uma grande produção de terror e ficção científica, intitulada… Mínimos e Monstros (esta terceira fita dos Mínimos é também a mais auto-referencial de todas, embora sem presunção, tudo pelo contrário). Os Mínimos usam então um livro que tiraram a um feiticeiro que serviram para invocar um monstro. Mas este, chamado Goomi, além de pequeno, é simpático e inofensivo, e propõe aos Mínimos ajudá-los a arranjar monstros como deve ser para o filme. Entretanto, o outro grupo de Mínimos encontrou um vilão para servir, Dort, um robô alienígena que quer conquistar a Terra. E agora sim, vai instalar-se a maior das confusões. 

Rodado com um opulento orçamento de 85 milhões de dólares, Mínimos e Monstros é fidelíssimo ao modelo de comédia anárquica, nonsense, em jacto contínuo, paródica e com piscadelas de cultura pop e cinéfilas a que esta série nos habituou (estas últimas abundam aqui, pela própria natureza da história e pela atmosfera hollywoodesca em que se passa), contando inclusivamente com uma aparição-surpresa de George Lucas e culminando com um gag que goza com o estereótipo das histórias “meta” em voga nestes tempos. E convém ficar até a ficha técnica final acabar, porque há uma surpresa envolvendo personagens bem conhecidas. Os Mínimos nunca falham nem desiludem.

  • Filmes
  • Acção e aventura
  • Recomendado

O filme mitológico tem tradição em Hollywood e no cinema europeu, e Christopher Nolan pretende fazer-lhe jus como esta nova – e muito controversa, devido ao elenco multiétnico – adaptação do poema épico de Homero, que teve um orçamento adequado às ambições do realizador: 255 milhões de dólares. Este é também o primeiro filme a ser rodado com câmaras IMAX de 70 mm. Matt Damon é Ulisses, acompanhado por nomes como Anne Hathaway, no papel da sua fiel mulher Penélope, Tom Holland, Robert Pattinson, Charlize Theron ou Zendaya.

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  • Filmes
  • Comédia
  • Recomendado

Olivia Williams realiza e é uma das principais intérpretes, com Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, desta versão americana do filme Sentimental, do espanhol Cesc Gay (2020), baseado numa peça do mesmo e que já tem adaptações ao cinema em vários países. Em São Francisco, um casal em grave crise matrimonial (Williams e Rogen) convida para jantar no seu apartamento os vizinhos de cima (Cruz e Norton), que não são casados e fazem demasiado barulho quando estão a fazer amor, para grande embirração do marido.

  • Filmes
  • Acção e aventura

Uma década depois da longa-metragem animada homónima, assinada por John Musker e Ron Clements, chega a versão com actores, prosseguindo o plano da Walt Disney de refilmar todos os seus sucessos de animação. Thomas Kail realiza, Dwayne Johnson retoma o papel do semi-deus Maui e Catherine Laga’aia substitui Auli’i Cravalho no de Vaiana.

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Tuner-Ouvido Absoluto, Mão Leve

  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

O filme de ficção de estreia do oscarizado documentarista Daniel Roher (por Navalny) é um thriller em que um jovem e talentoso afinador de pianos, que sofre de hipersensibilidade acústica ao ponto de sentir dores por causa de certos sons, vê a sua vida mudar radicalmente quando descobre que a sua precisão meticulosa na afinação de pianos pode ser igualmente aplicada na abertura de cofres, para ajudar o seu sócio e mentor, que foi inesperadamente hospitalizado, e a mulher dele. Só que os perigos ligados a esta última actividade são mais e muito maiores do que os da afinação de pianos. Leo Woodall, Dustin Hoffman, Jean Reno, Havana Rose Liu e Tovah Feldshuh interpretam esta fita em que Roher se mostra completamente à vontade com os mecanismos narrativos, as atmosferas, as personagens características e as convenções da Série B policial, e dá natural primazia ao som e à música (jazz e clássica). Pormenor: o sonoplasta da fita sofreu do mesmo problema auditivo da personagem principal. EB

  • Filmes
  • Animação
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Tal como a Pixar não previa fazer Toy Story 4 (Quentin Tarantino chamou aos três primeiros filmes da série “talvez a mais perfeita trilogia da história do cinema”), também Toy Story 5 não estava inicialmente nos planos da produtora, cujos responsáveis queriam então centrar-se apenas em títulos originais. Mas a verdade é que logo em 2019, o ano da estreia de Toy Story 4, começou logo a falar-se na possibilidade de a saga dos brinquedos mais populares do mundo ser continuada em mais uma fita. Até que em 2023 a Pixar confirmou que haveria um Toy Story 5 e que Tom Hanks e Tim Allen voltariam a ser as vozes de Woody e de Buzz Lightyear, com Andrew Stanton a realizar e a assinar (mais uma vez) o argumento, em parceria com McKenna Harris.

A Pixar não poupou em nada para pôr Toy Story 5 de pé, nem na tecnologia informática de animação, tendo sido usada a mais avançada disponível (foi posto de parte o recurso à Inteligência Artificial, apesar do estúdio ter já feito algumas experiências neste domínio, segundo revelou Thomas Jordan, o coordenador de efeitos visuais da produção), bem como alguns inovações do seu sistema de animação em 3D do filme anterior, Saltitões; nem no orçamento, que atingiu a impressionante soma de 250 milhões de dólares, tornando este quinto Toy Story num dos filmes mais caros de toda a história do cinema animado. 

Ao longo destas três décadas, os brinquedos de Toy Story já passaram por muitos perigos e enfrentaram muitas situações difíceis. Em Toy Story 5, eles são postos perante um desafio completamente novo: o digital, sob a forma de um tablet para crianças chamado Lilypad, com a forma de uma rã verde, que os pais da pequena Bonnie, que é muito tímida e não consegue fazer amigos, lhe dão para que possa socializar mais. Só que Bonnie, que é a única criança da zona que ainda brinca com brinquedos tradicionais, de plástico e de corda, e nunca teve um tablet, um smartphone ou um computador, ao contrário das outras crianças, fica viciada no novo dispositivo, fazendo logo amigos – embora no mundo virtual. Por seu lado, a arrogante Lilypad fala de alto aos brinquedos da casa, dizendo-lhes que ela é que sabe o que é melhor para Bonnie e para a sua vida social, e que eles estão obsoletos – já não têm qualquer utilidade. 

Jessie, a esperta e irrequieta cowgirl que ficou a liderar os brinquedos, ajudada por Buzz Lightyear, desde que, no filme anterior, Woody partiu com Bo Peep para irem ajudar brinquedos perdidos, esquecidos ou postos de parte a terem novos donos, não se fica, e depois de confrontar Lilypad, pede ajuda a Woody, que regressa. E mete-se depois numa grande confusão com o seu fiel cavalo Bala, ao tentar que Bonnie trave conhecimento com Blaze, uma menina igualzinha a ela, que ainda adora brincar com os seus brinquedos, e vive numa quinta nos arredores da cidade. A mesma quinta em que morou Emily, a anterior dona de Jessie, que a traumatizou profundamente quando cresceu e se esqueceu dela. O enredo do filme vai adensar-se ainda mais, e acolher não só três animados dispositivos a pilhas com que Jessie e Bala travam conhecimento na quinta de Blaze, e que são um meio-termo entre o analógico e o digital, como também um esquadrão de Buzz Ligthyears que andam à procura do Comando Central.

Assente mais uma vez num dos temas centrais da saga, a inevitabilidade e as dores da separação, que no entanto podem trazer coisas novas e boas, Toy Story 5 recorre a todo o arsenal da comédia no melhor estilo da Pixar, desde as piadas verbais e os pequenos gags até aos grandes efeitos cómicos; mantém a alta qualidade narrativa e um sentido dramático que nunca resvala para o sentimentalismo e é personificado e defendido pelas vozes dos actores do elenco (e desta vez, quem brilha mais é Joan Cusack como Jesse); e mostra um primor magistral na animação e na estilística visual, para acautelar contra o excesso de dependência dos ecrãs, sobretudo entre as crianças, e fazer o elogio dos brinquedos tradicionais, do acto de brincar e da alegria e do convívio que lhe estão intimamente associados, e do uso dos poderes da imaginação e da capacidade de fantasiar que ele implica. 

O apocalipse dos brinquedos anunciado por um deles no início do filme revela-se assim ser fake news. E convém ficar a acompanhar a ficha técnica final de Toy Story 5, para ver o que sucede à esquadrilha de Buzz Ligthyears perdidos.

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  • Suspense
  • Recomendado

Brendan Fraser interpreta o general Dwight D. Eisenhower e Andrew Scott o capitão James Stagg, director da Unidade de Meteorologia dos Aliados, nesta fita baseada na peça de teatro de David Haig. A acção passa-se em 1944, ao longo das 72 cruciais horas antes da marcação do Dia D, em que tudo dependia da previsão meteorológica o mais exacta possível. Realização de Anthony Maras.

Broken English

  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Marianne Faithfull morreu algum tempo antes da conclusão deste documentário biográfico em que é entrevistada no enquadramento ficcional de um Ministério do Não-Esquecimento, estabelecido de fresco pelo governo inglês. Os realizadores são Iain Forsyth e Jane Pollard, autores de Nick Cave-20.000 Dias na Terra (2014), e o dispositivo formal que conceberam para o filme é não só intrusivo como completamente desnecessário, tal como o grupo de mulheres britânicas célebres que, sentadas à volta de uma mesa, pontuam com encómios e comentários, as histórias da biografada. Basta-nos ouvir Marianne Faithfull falar da sua vida cheia de alegrias e tragédias, de altos muito altos e de baixos muito baixos, e da sua carreira artística, acompanhada por imagens e sons de arquivo, e vários depoimentos de colegas, amigos e colaboradores. EB

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  • Ficção científica

Steven Spielberg ambienta O Dia da Revelação num mundo à beira da II Guerra Mundial e onde um perito em cibersegurança e génio da matemática quer revelar um segredo sobre vida extraterrestre e visitas de alienígenas à Terra que roubou a empresa ultra-secreta em que trabalhava, e que pode mudar para sempre o destino da humanidade. O enredo envolve também o director daquela empresa, que quer capturar o seu ex-funcionário dê por onde der, e uma apresentadora de meteorologia da televisão, que descobre ter dotes aparentemente sobrenaturais. Com Josh O’Connor, Emily Blunt e Colin Firth.

  • Filmes
  • Comédia
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Vinte anos depois do primeiro filme, Meryl Streep e Anne Hathaway estão de regresso aos papéis de Miranda e Andy, tal como Stanley Tucci ao de Nigel. Emily (Emily Blunt), a antiga assistente de Miranda, é agora a influente executiva de uma grande marca de produtos de luxo, o tipo de anunciante que Miranda precisa para salvar a Runway, a prestigiada revista que dirige e que está em declínio de tiragens, vendas e influência, e sob o efeito negativo de um artigo desleixado que desencadeou uma onda de críticas e de troça nas redes sociais. Entra então em cena Andy, agora uma jornalista de renome, nomeada editora de reportagens pelo proprietário, para ajudar a melhorar a situação e a imagem da publicação.

O realizador David Frankel e a argumentista Aline Brosh McKenna conseguem um filme melhor do que o original, mantendo o registo de comédia sofisticada e satírica, e incorporando na história, mesmo que com ligeireza, o tema da crise dos media tradicionais, em especial da imprensa escrita, e do advento e crescente influência da internet, do digital e das redes sociais. Os actores, todos impecáveis, fazem o resto, e é uma delícia ver Meryl Streep divertir-se a interpretar uma Miranda que agora tem que pendurar ela o casaco quando chega à revista e que voar em Económica.

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  • Drama

Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, interpreta o tio nesta fita biográfica assinada por Antoine Fuqua (Dia de Treino), fazendo também a sua estreia no cinema. A história acompanha a carreira do malogrado “Rei da Pop” desde que fazia parte dos Jackson 5 com os irmãos, até aos anos 80, quando se transformou numa estrela planetária. Michael custou 155 milhões de dólares, é produzido e controlado pela família e por próximos do músico e cantor, e inclui 30 canções do catálogo musical de Michael Jackson. Colman Domingo, Nia Long e Miles Teller constam também do elenco.

  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Vencedor do Festival de San Sebastián e de cinco Goyas, este drama da cineasta espanhola Alauda Ruiz de Azúa centra-se em Ainara (Blanca Soroa), uma jovem de 17 anos que perdeu a mãe precocemente e vive em Bilbau com o pai, dono de um restaurante, e com as duas irmãs mais novas. Há ainda a avó, e a tia, irmã do pai, que trata a sobrinha mais velha como uma filha, e é casada com um argentino, do qual tem um rapazinho. Ainara espalha a confusão e a apreensão na família quando anuncia que quer ser freira e professar numa ordem de clausura logo que acabar o secundário. A tia, muito em especial, pelo amor que nutre a Ainara mas também por ser anti-clerical, é quem encara com mais revolta e temor a decisão da rapariga.

Magnificamente escrito, serenamente filmado e muito bem interpretado por todo o elenco, principal e secundário, Os Domingos é um filme exemplar de objectividade e honestidade intelectual, ao tratar um tema tão delicado e controverso como este, com justeza, equilíbrio e atenção aos argumentos e pontos de vista das partes envolvidas, sem o menor viés ou qualquer suspeita de proselitismo, pró ou anti-religioso. Blanca Soroa é notável na jovem, tranquila e convicta Ainara, que tem toda a certeza da sua vocação, e de ter sido chamada a ela por um poder maior e indizível, que não consegue explicar aos seus mais próximos, que temem por ela porque a amam muito. Tanto como o amor que ela sente por Cristo, a quem vai entregar a sua vida no convento. Filme singular, a contrapelo dos tempos que correm, Os Domingos é, desde já, uma das melhores estreias deste ano.

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