Cervantes: Antes De Dom Quixote
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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘Cervantes: Antes De Dom Quixote’ a ‘Nino’

As estreias de cinema, os filmes em exibição e os novos filmes para ver em streaming, incluindo ‘Saltitões’, ‘Projecto Hail Mary’ ou ‘Os Domingos’.

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Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.

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Filmes em estreia esta semana

Cervantes: Antes De Dom Quixote

Alejandro Amenábar realiza este filme histórico que se foca nos cinco anos em que Miguel de Cervantes esteve em cativeiro em Argel, após ter sido capturado pelos turcos. A fita retoma também a tese (nunca comprovada) da homossexualidade do escritor, que aqui se envolve num romance com o governante da cidade, o bei Hassan, um veneziano que renegou o cristianismo e se converteu ao islamismo. Interpretações de Julio Peña e Alessandro Borghi.

Good Boy – Terapia de Choque

Um jovem inglês que se dedica a todo o tipo de excessos é raptado por um homem que o mete a ferros na casa de campo em que vive com a mulher e o filho pequeno, submetendo depois o rapaz a uma terapia de reabilitação social. Rodado em Inglaterra e na Polónia pelo polaco Jan Komasa, o filme é interpretado por Stephen Graham, Anson Boon e Andrea Riseborough.

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Nino

Neste primeiro filme da francesa Pauline Loquès, Nino segue o protagonista do mesmo nome por Paris, após ter sabido que tem cancro e que o tratamento tem que começar dentro de três dias. Nino está prestes a fazer 30 anos e terá que dar a notícia a família e amigos, mas não tem coragem para o fazer, envolvendo-se numa sequência de peripécias.

O Diário do Realizador

Entre 1961 e 1995, o realizador russo Alexander Sokurov manteve um diário em que registou acontecimentos importantes e detalhes do quotidiano. Juntando essas entradas a imagens de filmes da época, O Diário do Realizador é a autobiografia de um cineasta e um olhar íntimo sobre a história da segunda metade do século XX.

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Gigante

A história real de Naseem “Naz” Hamed (Amir El-Masry), o campeão pugilista anglo-iemenita de estilo heterodoxo, nascido nas ruas duras de Sheffield, que foi descoberto por Brendan Ingle (Pierce Brosnan), um antigo operário metalúrgico que se tornou treinador de boxe.

Nossa Terra

A realizadora argentina Lucrecia Martel assina aqui o seu primeiro documentário, sobre o julgamento, em 2018, de um trio de homens ligados a uma exploração mineira e acusados de, em 2009, terem assassinado o chefe de uma comunidade índia por uma questão de disputa de terrenos.

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O Barqueiro

Romeu Runa, Miguel Borges, Jani Zhao e Sandra Faleiro interpretam esta segunda longa-metragem de Simão Cayatte, sobre um rapaz que sai da prisão em liberdade condicional e vai trabalhar como barqueiro clandestino no Tejo, transportando apanhadores de marisco ilegais.

O Físico II

Continuação do filme de 2013. Estamos em 1050 e Rob Cole regressa a Inglaterra para levar os conhecimentos médicos do Oriente aos seus compatriotas, mas não conta com as intrigas dos físicos já estabelecidos em Londres.

Filmes em cartaz esta semana

  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Vencedor do Festival de San Sebastián e de cinco Goyas, este drama da cineasta espanhola Alauda Ruiz de Azúa centra-se em Ainara (Blanca Soroa), uma jovem de 17 anos que perdeu a mãe precocemente e vive em Bilbau com o pai, dono de um restaurante, e com as duas irmãs mais novas. Há ainda a avó, e a tia, irmã do pai, que trata a sobrinha mais velha como uma filha, e é casada com um argentino, do qual tem um rapazinho. Ainara espalha a confusão e a apreensão na família quando anuncia que quer ser freira e professar numa ordem de clausura logo que acabar o secundário. A tia, muito em especial, pelo amor que nutre a Ainara mas também por ser anti-clerical, é quem encara com mais revolta e temor a decisão da rapariga.

Magnificamente escrito, serenamente filmado e muito bem interpretado por todo o elenco, principal e secundário, Os Domingos é um filme exemplar de objectividade e honestidade intelectual, ao tratar um tema tão delicado e controverso como este, com justeza, equilíbrio e atenção aos argumentos e pontos de vista das partes envolvidas, sem o menor viés ou qualquer suspeita de proselitismo, pró ou anti-religioso. Blanca Soroa é notável na jovem, tranquila e convicta Ainara, que tem toda a certeza da sua vocação, e de ter sido chamada a ela por um poder maior e indizível, que não consegue explicar aos seus mais próximos, que temem por ela porque a amam muito. Tanto como o amor que ela sente por Cristo, a quem vai entregar a sua vida no convento. Filme singular, a contrapelo dos tempos que correm, Os Domingos é, desde já, uma das melhores estreias deste ano.

Caso 137

Inspectora adstrita ao IGNP, a “polícia da polícia” francesa, Stéphanie (Léa Drucker) está a investigar uma queixa de uma civil contra membros da Brigada de Intervenção, que acusa de terem maltratado injustificada e brutalmente o seu filho, durante uma manifestação dos Gilets Jeunes em Paris. Drucker ganhou o César de Melhor Actriz pela sua interpretação neste filme policial de Dominik Moll.

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O Drama

Comédia negra filmada nos EUA pelo norueguês Kristofer Brogli (Sick of Myself, O Homem dos Teus Sonhos), com Robert Pattinson e Zendaya. Charlie (Pattinson) e Emma (Zendaya) vão-se casar, mas durante um jantar com a sua dama de honor e o marido, a rapariga revela um segredo do tempo do liceu que nunca contou a ninguém, e tudo muda em seu redor.

  • Filmes
  • Animação
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

O francês Sylvain Chomet, realizador das geniais longas-metragens de animação Belleville Rendez-Vous (2003) e O Mágico (2010), não fazia um filme animado de grande fôlego desde este último (a comédia de imagem real Attila Marcel, de 2013, é o seu trabalho recente mais significativo). Chomet acalentava há alguns anos um projecto ambicioso em termos de animação: uma fita sobre Victor Hugo baseada nos desenhos do autor de Os Miseráveis, que estava a começar a preparar quando foi abordado por Nicolas Pagnol, neto do escritor, dramaturgo e realizador Marcel Pagnol, que lhe propôs contar a vida do avô em desenhos animados, para assinalar, em 2025, os 130 anos do nascimento do autor de César e A Mulher do Padeiro. E Chomet aceitou a proposta, pondo na gaveta o filme sobre Victor Hugo e realizando, em animação tradicional, desenhada à mão, como é seu apanágio, Marcel e Monsieur Pagnol.

Marcel Pagnol (1895-1974) é uma das maiores figuras da cultura e das artes francesas do século XX, do qual se diz que “deu a conhecer à França o sotaque dos naturais do Sul do país”. Nascido em Aubagne, na Provença, Pagnol tem uma vasta obra teatral, literária, ensaísta e cinematográfica, e as suas peças e filmes passam-se quase todas no Sul, nomeadamente em Marselha. O que não impediu o terem-se tornado populares e aclamadas em toda a França, bem como internacionalmente, transformando-o num autor cujo regionalismo, longe de lhe tolher o alcance, o converteu num dos mais bem-amados em França e fez atingir uma dimensão universal. 

Basta referir a sua Trilogia Marselhesa, composta pelas peças Marius, Fanny e César, que começou a vida nos palcos e foi depois adaptada a filme pelo próprio Marcel Pagnol nos estúdios que abriu em Paris e em Marselha em 1932. Isto para ter plena liberdade em termos cinematográficos e não deixar a outros a transposição para a tela das suas peças e textos literários (Pagnol teve, inclusivamente, o sonho de construir uma “Hollywood francesa” na Provença, numa grande propriedade com um castelo que comprou em 1941, um projecto que a II Guerra Mundial não lhe permitiria concretizar). E há ainda títulos como Angèle, Topázio, Schpountz, O Anjinho, O Porto dos Sete Mares ou A Filha do Poceiro. Outros realizadores, como Claude Berri, Yves Robert ou Christopher Baratier iriam, após a morte de Marcel Pagnol, também filmaram peças e livros dele, o que contribuiu para manter a sua perenidade. 

Marcel e Monsieur Pagnol começa tarde, em 1955, na casa de Paris de um Marcel Pagnol sexagenário (a voz é de um irrepreensível Laurent Lafitte), com a reputação feita, aclamado, premiado e abastado. Só que o autor de Cartas do Meu Moinho está desalentado. Tão desalentado, que até pensa não escrever nem mais uma linha e reformar-se, já que as suas duas últimas peças não agradaram ao público nem à crítica, estiveram pouco tempo em cena e foram fracassos comerciais consideráveis. É então que durante uma festa, Hélène Lazareff, a fundadora da revista Elle, e o seu marido Pierre, o criador do diário France-Soir, grandes amigos e admiradores de Pagnol, convidam-no para fazer uma crónica semanal naquela revista, centrada nas suas recordações de infância.    

O escritor aceita, mas quando se senta na secretária do seu escritório para redigir o primeiro texto, não sabe por onde começar e volta a desanimar. É então que lhe aparece o seu “eu” infantil, o pequeno Marcel que ele foi, que o vai ajudar na redacção da crónica, levando Marcel e Monsieur Pagnol para o passado, para os primeiros anos do século XX, para que Sylvain Chomet nos possa contar, com o seu inconfundível estilo animado, usando aqui e ali imagens de época e dos filmes de Pagnol, e conseguindo abranger os seus principais factos biográficos, a longa, rica e magnífica vida de Marcel Pagnol, com todos os seus altos e baixos, os momentos tristes, trágicos e fracassados como os de alegria, felicidade e glória. Marcel e Monsieur Pagnol é a mais original e melhor homenagem que Marcel Pagnol podia ter tido nos 130 anos do seu nascimento. E com sotaque do seu Sul natal, está claro.

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  • Filmes
  • Ficção científica
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

É num livro de Andy Weir, o autor de O Marciano (filmado por Ridley Scott) que se baseia Projecto Hail Mary, realizado pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (O Filme Lego). O herói é Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de Ciências e que acorda numa nave espacial e constata que não só está perdido no cosmos, como também perdeu a memória e os outros dois tripulantes morreram durante o hipersono. Não se recorda de quem é, da razão por que está naquela nave ou da missão que tem que desempenhar.

Em vez de perder a cabeça de vez, Ryland consegue manter a calma, concentrar-se e procurar pistas que o esclareçam, e pouco a pouco vai-se lembrando de tudo. É o único sobrevivente de uma tripulação que foi enviada ao sistema de Tau Ceti para procurar uma solução para um acontecimento catastrófico que se deu na Terra, e que ameaça a sobrevivência da humanidade: umas estranhas partículas, os Astrofagos, estão a “comer” a luz do Sol e o nosso planeta tem 30 anos antes de mergulhar na escuridão e numa era glaciar permanentes.

Para se manter vivo e conseguir cumprir a sua missão, Ryland vai ter que confiar nos seus vastos conhecimentos científicos, no seu engenho e na vontade humana. Mas ao contrário do que pensa, a sua busca por respostas para resolver ao que se passa na Terra não será solitária, já que contará com uma ajuda completamente inesperada. Ela virá de um extraterrestre chamado Rocky, uma espécie de cruzamento de uma rocha com um aracnídeo, também ele único sobrevivente da sua nave e cujo sol do seu planeta está igualmente sob a mesma ameaça do da Terra. E Ryland e Rocky vão primeiro ter que conceber uma forma de comunicar antes de começar a colaborar, bem como de ultrapassar o problema de viverem em atmosferas diferentes.

Épico de aventuras cósmicas, buddy movie em que um humano e um alienígena se tornam os mais improváveis dos amigos, comédia dramática interestelar e filme de suspense da modalidade “Planetas em perigo”, Projecto Hail Mary é um dos melhores filmes de ficção científica sobre o tema do “primeiro contacto” dos últimos tempos, deixando uma mensagem positiva e optimista sobre o papel da ciência e da tecnologia na resolução de problemas graves, e a possibilidade de humanos e extraterrestres travarem amizade e se entenderem e trabalharem em conjunto para o bem de ambas as espécies.

Ryan Gosling é mesmo muito bom no atarantado mas inteligente e expedito Grace, e Rocky, uma criatura animatrónica em cuja criação e manipulação estiveram envolvidos o veterano e oscarizado técnico Neal Scanlon, e o premiado bonecreiro e actor James Ortiz, resulta perfeitamente como personagem credível e a sua empatia com os espectadores é igual à que estabelece com o seu amigo humano. A não perder.  

  • Filmes
  • Documentários
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Documentário sucinto (tem pouco mais de uma hora) mas bastante elucidativo de Lee Shulman sobre o genial e idiossincrático fotógrafo inglês Martin Parr, que morreu há pouco tempo, e que é filmado nas suas andanças em busca de boas fotos, em especial pelas praias de Inglaterra. Enquanto isso, amigos, artistas, colegas, colaboradores da sua fundação, galeristas, a mulher, Susie, e o próprio Parr, sempre sorridente e cheio de bonomia, falam sobre a sua obra (e não esquecem as fotos a preto e branco da fase inicial da sua carreira) e a sua personalidade, e contam histórias significativas e saborosas, como a da “alergia” que muitos fotógrafos da Agência Magnum lhe tinham, votando por isso contra a sua entrada (eventualmente, Parr acabou, e com toda a justiça, por fazer parte dos quadros da Magnum).

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Palestina 36

Nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional e realizado pela palestiniana Annemarie Jacir, Palestina 36 recua até 1936 para recriar a Revolta Árabe na Palestina contra a tutela britânica e os seus métodos repressivos, e o enorme afluxo à região de refugiados judeus vindos da Europa. Com Jeremy Irons, Hiam Abbass, Liam Cunningham e Robert Aramayo.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Toni Servillo e Elio Germano são os principais intérpretes desta fita de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, em que um antigo político e autarca siciliano corrupto sai da cadeia e é levado pelos serviços secretos italianos a ajudar a encontrar e capturar o seu afilhado, o último grande chefe mafioso ainda livre, e que está escondido algures na ilha. O Último Padrinho não é o típico filme policial e de acção sobre a Máfia, é antes uma história de dignidade perdida que se quer recuperar através da traição, tendo como pano de fundo o complexo ecossistema de relações familiares, laços de amizade e ódios, e de lealdades e favores da sociedade siciliana e da sua componente criminosa. Servillo é, como sempre, muito bom no autarca caído em desgraça perante todos (e muito em especial a sua família), e Germano está à sua altura no mafioso que usa óculos tintados mesmo dentro de casa e gosta de ler e citar a Bíblia. Só faltou a Grassadonia e Piazza terem dado um pouco mais de ritmo a O Último Padrinho, que por vezes se arrasta demais.

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  • Filmes
  • Suspense
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Quem é Vladimir Putin? Como é que ele apareceu na paisagem política da Rússia após o fim do comunismo? Quem é que o ajudou na sua ascensão ao poder e a instalar-se no Kremlin? Foi para responder a perguntas como esta que o consultor político e escritor italo-suíço Giuliano da Empoli assinou O Mago do Kremlin, uma obra de ficção com alicerces na realidade, publicada em 2022, pouco antes do início da guerra na Ucrânia. O narrador, um investigador que foi à Rússia em trabalho, é contactado, em Moscovo, por Vadim Baranov, antigo encenador de teatro e produtor de reality shows, que ajudou a levar Vladimir Putin ao poder e se tornou na sua “eminência parda” e homem de total confiança, antes de se retirar da vida política activa.

Baranov, cuja figura é inspirada muito livremente por Vladislav Surkov, um publicitário, homem de negócios e político, e durante muitos anos o principal conselheiro político de Putin, conta então toda a sua vida antes de entrar nos bastidores do poder e se tornar unha com carne com Putin. O que abrange cerca de três décadas da história recente da Rússia, começando nos anos 90, no pós-comunismo, abrangendo a Perestroika, a presidência de Boris Ieltsin, o advento dos oligarcas e o ambiente de total liberdade e de euforia social e artístico-cultural, mas também de violência e de caos político, e de desastre económico eminente vivido na Rússia de então.

Segue-se o aparecimento de Vladimir Putin, um homem do FSB (o organismo sucessor do KGB), escolhido pelo oligarca Boris Berezovsky (na altura o patrão de Baranov) e seus próximos como candidato a primeiro-ministro, e a sua subsequente eleição como Presidente, a anulação do poder dos oligarcas e a consolidação daquele no Kremlin, qual “novo Czar”. A guerra na Chechénia, o desastre do submarino nuclear Kursk e o sucesso mediático e de propaganda dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi são alguns dos grandes acontecimentos dessa época também referidos por Baranov. Segundo este explica ao seu interlocutor a certa altura da sua conversa, o poder “é uma forma de expressão artística”.

O Mago do Kremlin era um livro actual e suculento demais para não ser adaptado ao cinema, e quem ganhou a corrida aos direitos foi o realizador francês Olivier Assayas, que os adquiriu em 2024 e começou de imediato a trabalhar no guião do filme, juntamente com o escritor e realizador Emmanuel Carrère, conhecedor da história e da cultura da Rússia, tendo Giuliano da Empoli como consultor. Para Assayas, o grande interesse do livro reside “na forma como nos fala do poder a partir do seu interior, e dos mecanismos do seu funcionamento”, neste caso específico, do poder na Rússia tal como Vladimir Putin o personifica, domina e dirige – através de uma pessoa que o conheceu por dentro, até ao mais pequeno pormenor, e aconselhou e privou com o seu maior e mais carismático representante –, e não visto e analisado de fora.

Assayas teve que escolher um elenco essencialmente anglo-saxónico, com um actor de língua inglesa e de primeiro plano a interpretar Vladimir Putin, ou então não teria conseguido o financiamento para rodar O Mago do Kremlin. Assim, Jude Law é Putin e o americano Paul Dano personifica Baranov. O interlocutor deste é agora um americano chamado Rowland (Jeffrey Wright). Ksenia, a grande paixão da vida de Baranov, e mãe da sua filha, é vivida por Alicia Vikander, e os oligarcas Boris Berezovsky e Dmitri Sidorov ficaram a caso dos britânicos Will Keen e Tom Sturridge, respectivamente. A Lituânia faz as vezes da Rússia no filme, por ser o país que, segundo o realizador, melhor passa visualmente por aquela. 

Entre outras alterações mais ou menos significativas feitas por Olivier Assayas e Emmanuel Carrère à narrativa de Giuliano da Empoli, o final do filme é (e de forma controversa) diferente do do livro. O que muda pouco e continua muito bem claro na fita, é a figura semi-maquiavélica de Sourkov/Baranov, e o seu singular percurso, de jovem encenador de teatro de vanguarda e frequentador dos meios culturais underground russos na década de 90, a homem forte de uma televisão privada detida por um dos mais ricos e influentes oligarcas, e finalmente a figura central da propaganda e da máquina de poder do Kremlin, e “homem na sombra” de Vladimir Putin, consultor e confiante deste, e ainda principal criador da sua imagem pública. 

Neto de um aristocrata anti-comunista e filho de um dignitário cultural da antiga URSS, intelectual e homem do terreno, simultaneamente testemunha e actor, observador lúcido e protagonista empenhado, com as mãos todas metidas na massa da política (ao mais alto nível como ao mais rasteiro) mas também dotado de muita capacidade de recuo para analisar os seus actos e os efeitos que têm, bem como reflectir sobre o seu comportamento e o de todos que gravitam em seu redor, Vadim Baranov é, mais do que Vladimir Putin, a figura mais complexa, fascinante e intrigante de O Mago do Kremlin.

  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Na sua origem, Kill Bill era para ser um só filme com quatro horas de duração, tal como Quentin Tarantino o havia pensado. Por razões comerciais, alguma pressão do produtor e porque Tarantino queria ter mais tempo disponível para trabalhar naquele que seria o segundo filme, foi lançado em duas partes e o realizador apenas passou a versão de quatro horas (que teve estreia mundial no Festival de Cannes de 2006, fora de competição) em visionamentos privados, para amigos e gente da indústria cinematográfica, com uma breve estreia comercial na sala de cinema de que é dono em Los Angeles. Ei-la agora enfim nos cinemas, combinando os Volumes 1 e 2, com cenas eliminadas na montagem e planos alternativos, uma remasterização da luta dos Crazy 88 com a Noiva de Uma Thurman, um acrescento à sequência de anime e uma nova curta-metragem de 10 minutos, feita em 2025. Total: 4 horas e 35 minutos de filme, com intervalo incluído.

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O Estrangeiro

Depois da versão de 1967 assinada por Luchino Visconti e interpretada por Marcello Mastroianni e Anna Karina, é agora a vez de François Ozon adaptar ao cinema o célebre livro de Albert Camus passado na Argélia, com Benjamin Voisin no papel de Mersault, um modesto e lacónico amanuense de trinta e poucos anos. Ele vai ver a sua rotina quotidiana perturbada pela morte da mãe, e por um encontro fatídico numa praia. Também com Rebecca Marder, Pierre Lotin e Denis Lavant.

  • Filmes
  • Animação
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

A nova animação da Pixar/Disney põe em cena Tamara, uma rapariga de 19 anos que adora animais, em especial castores, e que aproveita uma nova tecnologia que transfere a mente humana para animais robóticos, para incarnar num castor e ir avisar aqueles que vivem perto da sua cidade que uma nova obra da Câmara Municipal ameaça destruir o seu habitat. Só que o alarme vai causar uma insurreição em todos os animais da zona, que ameaça os humanos, e muito em especial o velhaco presidente da Câmara. O antropomorfismo sempre deu bons resultados para a Disney, e o mesmo se pode dizer para a Pixar em Saltitões, uma animadíssima e muito bem-disposta comédia passada no reino animal (com alguns gags cinéfilos lá pelo meio, caso de um que remete para Tubarão, de Steven Spielberg), que veicula uma simpática (e nunca intrometida) mensagem em prol da conservação da natureza. E que pode ser apreciada igualmente por miúdos e crescidos.

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A Noiva!

Jessie Buckley interpreta uma nova incarnação da Noiva de Frankenstein nesta segunda realização de Maggie Gyllenhaal. Um monstro de Frankenstein solitário (Christian Bale) viaja para a Chicago dos anos 30 e pede a uma cientista revolucionária (Annette Bening) que lhe crie uma companheira. Os dois voltam a dar vida a uma jovem ligada ao mundo do crime da cidade e que morreu acidentalmente, mas a criatura tem um comportamento em tudo inesperado e vai semear o caos por toda a parte. O elenco inclui ainda Penélope Cruz, Jake Gyllenhaal e Peter Sarsgaard.

Mr. Nobody Contra Putin

Candidato ao Óscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem, este trabalho de Pavel Talankin e David Bornstein documenta a oposição do primeiro, quando era videógrafo e coordenador de eventos na escola da cidade dos Urais em que nasceu, à invasão da Ucrânia pela Rússia e à implementação naquela de um programa para instilar patriotismo e militarismo nos alunos.

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  • Filmes
  • Drama
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Durante quase 25 anos, entre 1920 e 1942, o compositor Richard Rodgers e o letrista Lorenz Hart, amigos de juventude, assinaram em parceria 26 musicais da Broadway, incluindo clássicos como A Connecticut Yankee, Jumbo, Babes in Arms, Pal Joey ou By Jupiter, que incluem melodias que se tornaram clássicos absolutos do cancioneiro popular americano, como Blue Moon, The Lady is a Tramp ou My Funny Valentine, entre muitas outras. E que transcenderam os enredos e o palco para que foram compostas originalmente, passando a ser entoadas por crooners e cantoras, e a conhecer versões de jazz e mesmo interpretações pop/rock. 

Em 1943, e devido ao alcoolismo de Lorenz Hart, juntamente com o choque que este sofreu com a morte da mãe (com a qual sempre viveu), a parceria, uma das de maior sucesso do século XX na área da música, desfez-se. Richard Rodgers virou-se então para Oscar Hammerstein, com o qual trabalharia, também com imenso sucesso, até 1960, data da morte deste. Hart, cuja condição psicológica vinha a deteriorar-se, acabaria por morrer a 22 de Novembro de 1943, de pneumonia. Tinha só 48 anos. Ainda assistiu à estreia de Oklahoma!, o primeiro musical de Rodgers e Hammerstein, e colaboraria uma derradeira vez com o seu velho amigo e parceiro, numa nova versão de A Connecticut Yankee, para a qual escreveu as letras de várias canções.

O filme Blue Moon, de Richard Linklater, escrito por Robert Kaplow e com Ethan Hawke no papel de Lorenz Hart, passa-se precisamente na noite da estreia de Oklahoma! na Broadway, a 31 de Março de 1943, e quase todo no célebre restaurante Sardi’s. É lá que um Hart amargurado, frustrado e cheio de ciúmes de Oscar Hammerstein, e que saiu de Oklahoma! antes do final, espera pela festa pós-estreia, para fingir que adorou o musical e cumprimentar os seus autores – e tentar convencer Rodgers a trabalharem numa nova e atrevida obra que ele concebeu, uma versão satírica da vida de Marco Polo. O letrista aguarda também pela sua protegida e grande paixão Elizabeth Weiland, então estudante universitária, e futura cenógrafa, para lhe declarar o seu amor (Hart seria, segundo alguns, um homossexual recatado e um voyeur; segundo outros, seria bissexual, e sofreria de bipolaridade).

Enquanto o espectáculo não acaba e as pessoas não chegam, Hart conversa jocosamente com o seu amigo Eddie, o barman do hotel, e com um jovem soldado que ali está a tocar piano e ao qual dá alguns conselhos sobre o mundo do espectáculo; e mais seriamente com o escritor E.B. White, que por coincidência também lá se encontra a beber e a alinhavar notas para um novo livro. E apesar de criticar (com muita dor de cotovelo) Oklahoma!, que classifica de emocionalmente superficial e saloio, e sobretudo as letras de Hammerstein, que considera serem pirosas, Hart está todo roído por dentro, porque percebeu de imediato que o musical vai ser um gigantesco sucesso. E o seu nome não está lá ao lado do de Rodgers como autor. 

Num pormenor divertido, Kaplow e Linklater fazem Oscar Hammerstein aparecer acompanhado por um miúdo muito senhor do seu nariz e que parece saber tudo sobre musicais, a que aquele chama Stevie – e que não é senão Stephen Sondheim, futuro gigante da Broadway e renovador do teatro musical norte-americano. Sondheim era amigo do filho de Hammerstein, que ao descobrir o precoce talento do rapaz, se tornou no seu mentor artístico, e no seu pai substituto, já que o pai biológico do pequeno Stevie o tinha abandonado e à mãe. E se para Rodgers e Hammerstein a noite se revelará de triunfo e de críticas elogiosíssimas nos jornais, ela será duplamente triste e dolorosa para Lorenz Hart, porque à profunda decepção profissional que já sente irá juntar-se uma enorme desilusão romântica. Não é exagero escrevermos que em Blue Moon, Richard Linklater e Robert Kaplow filmaram a noite mais trágica da vida de Hart.

O filme marca a 11.ª colaboração entre Linklater e Ethan Hawke, que esperaram mais de dez anos para o fazer, porque o realizador quis esperar que Hawke – que tem 55 anos – parecesse “velho o suficiente” para personificar Hart. Blue Moon foi rodado em apenas 15 dias num estúdio na Irlanda, e como Lorenz Hart era baixinho, Hawke foi “encolhido” digitalmente nalgumas cenas, e fez outras metido numa trincheira, para estar mais baixo do que a câmara e os outros actores. No elenco encontramos ainda Bobby Canavale, Margaret Qualley, Andrew Scott, Samuel Delaney e Patrick Kennedy. Além de Robert Kaplow na categoria de Argumento Original, Ethan Hawke está nomeado ao Óscar de Melhor Actor pela sua magnífica interpretação de Lorenz Hart. Num mundo perfeito, ganhá-lo-ia de olhos fechados.

Ainda Funciona?

Bradley Cooper realiza, é um dos argumentistas e tem um dos principais papéis de Ainda Funciona?, sobre um casal nova-iorquino, Alex (Will Arnett) e Tess (Laura Dern), cujo matrimónio se está a desfazer. Ele vai procurar um novo objectivo de vida nos clubes de comédia stand up, enquanto que ela reflecte sobre os sacrifícios que fez pela família, forçando-os a lidar com a parentalidade e a possibilidade de uma reconciliação.

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Crime em Directo

Gus Van Sant recria nesta fita os acontecimentos de um dia de Fevereiro de 1977, em Indianapolis, quando um cidadão chamado Tony Kiritsis sequestrou com uma caçadeira o vice-presidente de uma companhia de hipotecas e crédito, acusando-o e ao pai, o presidente, de o terem enganado num empréstimo e levado à falência. Com Bill Skarsgard, Dacre Montgomery, Al Pacino, Colman Domingo e Cary Elwes.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Autor de alguns dos melhores filmes sul-coreanos dos últimos anos, caso de Em Nome da Vingança, Oldboy – Velho Amigo, Thirst – Este é o Meu Sangue ou A Criada, bem como da série de espionagem A Rapariga do Tambor, Park Chan-wook centra Sem Alternativa, a sua nova realização, em Man-su (um excelente Lee Byung-hun, de Squid Game), um homem que trabalha na indústria do papel, ficou desempregado e está a cair no desespero, porque a sua família vai perder o confortável estilo de vida que conseguiu atingir, bem como a moradia onde ele passou a infância e que conseguiu voltar a comprar, e melhorou e tornou mais acolhedora com as suas próprias mãos. Man-su descobre então a maneira de garantir uma possibilidade de trabalho que apareceu: eliminar os outros candidatos mais fortes ao lugar.

Sem Alternativa baseia-se em The Ax, um livro do americano Donald E. Westlake, já filmado por Costa-Gavras em 2005, em Golpe a Golpe, e é uma combinação de comédia muito negra, policial de recorte slapstick e sátira com alerta embutido a uma nova modalidade de capitalismo e a um mundo do trabalho em rápida alteração, no qual os robôs e a Inteligência Artificial estão a eliminar milhares e milhares de empregos. Chan-wook consegue manter tudo interligado e levar a azafamada história a bom e amoral termo, mesmo apesar de um enredo quebra-costas que se extravia aqui e ali, de alguma palha narrativa e de uns 15 minutos que podiam ter saltado na montagem.

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Se Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé

Rose Byrne ganhou o Prémio de Melhor Intérprete no Festival de Berlim e um Globo de Ouro, e está nomeada ao Óscar de Melhor Actriz pelo seu papel de Linda, uma terapeuta em crise e com uma filha doente, nesta comédia dramática negra escrita e realizada por Mary Bronstein, que também é uma das intérpretes, ao lado de Christian Slater e Conan O’Brien. Após uma sucessão de pequenos e grandes incidentes, Linda acaba por mergulhar num estado de frenesim e de pavor obsessivo, e até o seu próprio psicólogo a rejeita.

O Monte dos Vendavais

Jacob Elordi interpreta Heathcliff e Margot Robbie é Kathy em mais uma adaptação ao cinema do romance de Emily Bronte, sobre a história de amor arrebatada e destrutiva entre aquelas duas personagens, tendo como pano de fundo a paisagem agreste do Yorkshire. A realizadora Emerald Fennell assinou antes Uma Miúda com Potencial (2020) e Saltburn (2023). A primeira versão para cinema deste clássico data de 1920, e a primeira para televisão foi feita em 1953, para a BBC.

+ O Monte dos Vendavais: uma nova visão do amor de Cathy e Heathcliff

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A Voz de Hind Rajab

Grande Prémio do Júri no Festival de Veneza, The Voice of Hind Rajab é a dramatização de um episódio ocorrido em Gaza, a 24 de Janeiro de 2024. Hind Rajab, uma menina palestiniana de seis anos, ficou presa num carro debaixo de fogo, e ligou para o Crescente Vermelho a pedir ajuda. Continuando sempre a falar com ela, os voluntários desta organização tentaram tudo para conseguir mandar-lhe uma ambulância. A realizadora tunisina Kaouther Ben Hania usou aqui a gravação real da chamada.

  • Filmes
  • Drama
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Timothée Chalamet ganhou o Globo de Ouro de Melhor Actor num Filme Dramático pela sua interpretação de Marty Mauser, um jovem tenista de mesa egocêntrico, ambicioso, ultra-manipulador e capaz de tudo (até mesmo de se humilhar publicamente) para chegar à fama e à fortuna, nesta segunda realização de Josh Safdie, e primeira sem a participação do seu irmão Benny, de quem se autonomizou em 2024.

O filme, nomeado para nove Óscares passa-se na Nova Iorque de 1952 e conta também com interpretações de Gwyneth Paltrow, Kevin O’Leary (sim, o empresário milionário do programa Shark Tank, no papel de… um empresário rico e implacável), Abel Ferrara, Fran Drescher e Odessa A’Zion, e se há uma coisa de que Marty Supreme não pode ser acusado, é de não ter enredo: tem, e para dar e vender. De tal forma, que sofre de overplotting, por vezes há demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo ao protagonista (inspirado numa figura real do mundo do ténis de mesa dos EUA, e da Nova Iorque popular) e a fita, tão frenética como Marty, ameaça tombar na inverosimilhança e transformar-se num desenho animado em ambiente realista. Mas Safdie lá consegue que a vertigem visual e a aceleração narrativa não causem um descarrilamento de credibilidade, e Chalamet, que treinou longo tempo para não ser dobrado por um profissional nas sequências de jogos de ténis de mesa, mergulha tão profundamente na personagem de Marty, que se some nela.

Podemos sair exaustos de Marty Supreme, mas nunca indiferentes, gostemos ou não. E filmes assim são cada vez mais raros.

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Hamnet

Paul Mescal personifica William Shakespeare e Jessie Buckley é Agnes, a sua mulher, em Hamnet, o nome de um dos seus filhos, que morre de peste. O fortíssimo vínculo que une o casal é posto à prova por esta tragédia, que prepara o terreno para a criação de Hamlet, uma das obras-primas do dramaturgo. Esta nova realização de Chloé Zhao, a autora de Nomadland – Sobreviver na América adapta o romance homónimo de Maggie O’Farrell, que também assina o argumento com aquela. O filme e Buckley ganharam Globos de Ouro. Está nomeado para oito Óscares.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Tian Tian, mãe solteira de uma menina de cinco anos, mata um traficante de droga e foge da máfia da cidade da China em que vive, e que a sequestrou por causa das dívidas da família. Vai então procurar a ajuda da prima, Fang Di, que trabalha como dupla num grande estúdio de cinema em Pequim e não vê há bastante tempo, mas esta recebe-a com desprezo. Mas as primas vão passar de estranhas a familiares, e tentar iludir mafiosos que perseguem Tian Tian. Vivian Qu realiza este policial algo laborioso mas que nos faz interessar pela sorte das duas personagens principais, e que integra com habilidade no enredo o mundo do cinema por onde Fang Di se move.

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Valor Sentimental

O norueguês Joachim Trier (A Pior Pessoa do Mundo) ganhou o Grande Prémio do Festival de Cannes de 2024 com Valor Sentimental, interpretado por Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning e Stellan Skarsgard. Duas irmãs, Agnes e Nora Borg, reencontram o pai, Gustav, um conhecido cineasta, muitos anos após ele as ter abandonado e à mulher, e ido para a Suécia. Gusrav oferece a Nora, actriz de teatro, o papel principal no seu novo filme. Mas ela recusa e o pai, magoado, entrega-o a uma jovem estrela de Hollywood, reabrindo antigas feridas familiares. Nomeado para nove Óscares.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Iraque, anos 90. O país está a sofrer as consequências de ter invadido o Kuwait pouco tempo antes. É o dia em que as escolas de todo o país seleccionam os alunos que vão contribuir para o aniversário do presidente Saddam Hussein. Lamia tem nove anos e a avó ensina-lhe como evitar que seja escolhida para fazer o bolo de anos daquele. Mas o seu severo professor nomeia-a para a tarefa. E Lamia sabe que, se falhar, poderá ser severamente punida. Esta fita de Hasan Hadi ganhou a Caméra D’Or no Festival de Cannes e representa o Iraque na selecção à nomeação ao Óscar de Melhor Filme Internacional. Apesar de algumas ingenuidades e facilidades para agradar ao público internacional, e em especial ao ocidental, Hasan Hadi mostra, através da aventura vivida por Lamia e pelo seu amigo e colega Saeed, quando procuram encontrar e comprar os ingredientes para o bolo numa cidade em agitação patriótica e cheia de perigos, o culto da personalidade, as arbitrariedades e os absurdos do regime ditatorial de Saddam Hussein.

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Thrash

Quando um furacão de Categoria 5 devasta uma cidade costeira dos EUA, a tempestade traz consigo, além de caos, cheias e muitos estragos, algo muito mais aterrorizador: tubarões esfomeados. Este filme de terror animal é realizado e escrito por Tommy Wirkola (Sete Irmãs, Noite Violenta) e interpretado por Djimon Hounsou, Phoebe Dynevor e Costa D’Angelo.

Netflix. Estreia a 10 de Abril

Balls Up

Comédia de Peter Farrelly com Mark Wahlberg e Paul Michael Hauser interpretando dois executivos de marketing que propõem um patrocínio ousado de um novo tipo de preservativos para o Mundial de Futebol. Após uma festa no Brasil que dá escândalo, têm que fugir do caos que provocaram. Também com Sacha Baron Cohen, Daniela Melchior e Benjamin Bratt.

Prime Video. Estreia a 15 de Abril

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