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Filme, Cinema, O Paraíso, Provavelmente (2019)
©Filmcoopi O Paraíso, Provavelmente de Elia Suleiman

Filmes em cartaz

Saiba tudo sobre os filmes em cartaz, avaliados pelos críticos de cinema da Time Out

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O Paraíso, Provavelmente

Filmes

Há 20 anos, desde O Tempo que Resta, que Elia Suleiman não realizava uma longa-metragem (em 2012, participou com um segmento no filme colectivo 7 Dias em Havana). E quando vamos ver O Paraíso, Provavelmente, parece que O Tempo que Resta foi feito ontem. Suleiman continua com a mesma cara de ovo cozido com óculos e barba; continua a apresentar a mesma impassibilidade muda a 99% (só diz quatro palavras em O Paraíso, Provavelmente); a sofrer interiormente pela Palestina; a cultivar o mesmo tipo de comédia “branca”, autobiográfica e melancólica, entre a farsa e o nonsense, entre Buster Keaton e Jacques Tati, e a usá-la para meditar sobre a situação e a identidade do seu povo, a sua alienação cultural, a ausência de um lugar a que possa chamar pátria e a sua condição de árabe de Israel, sujeito a todo o tipo de pressões e indignidades.

Em O Paraíso, Provavelmente, Suleiman decide ir mais longe do que nos seus filmes anteriores e correr mundo, visitar a França e os EUA em busca de financiamento para o seu novo filme (que, numa brincadeira meta-cinematográfica é precisamente este O Paraíso, Provavelmente) e participar numa iniciativa pró-palestiniana. O olhar que o realizador e actor lança sobre os sítios que visita é exactamente o mesmo de quando está em casa, agudo de observação e atento à comédia do quotidiano e aos seus insólitos e absurdos, e Suleiman esmera-se em planos tirados a regra e esquadro, que aproveitam a beleza, a variedade e as particularidades da paisagem urbana de Paris e Nova Iorque (e a beleza das francesas, que o realizador aprecia sentado numa esplanada, numa montagem muito politicamente incorrecta para os dias de hoje).

Os gags, visuais ou outros, de O Paraíso, Provavelmente, nem sempre resultam, mas a maioria é muito boa, logo do de abertura, com os engraçadinhos que recusam abrir a porta do templo ao bispo ortodoxo durante uma cerimónia religiosa, até ao do pardal intrometido que não deixa Suleiman escrever ao computador no seu quarto em Paris, passando pela coreografia dos polícias franceses de patins e em Segways ou pelo sem-abrigo ao qual uma ambulância serve uma opípara refeição. E como sucede sempre nos filmes do realizador, a realidade pode resvalar para a fantasia num abrir e piscar de olhos. No Central Park, uma rapariga com umas asas de anjo perseguida pela polícia acaba por revelar mesmo qualidades sobrenaturais.

No entanto, o facto de Elia Suleiman ter saído do habitat dos filmes anteriores fez com que a carga política destes se esbatesse e atenuasse em O Paraíso, Provavelmente, e a fita perdesse em mordacidade e amargura satírica. No final, um Suleiman que voltou a casa, pouco convencido com o que viu além-fronteiras e concluindo que mais vale viver num sítio imperfeito mas familiar do que num lugar estranho onde nunca se conseguiria encaixar, contempla, num bar, uma nova geração que se diverte. E talvez se pergunte se será ela a ver a Palestina livre do futuro anunciada pelo vidente que consultou em Nova Iorque.

Photograph: Disney/Pixar

Bora Lá

3 /5 estrelas
Filmes

Diga-se logo a abrir que este ‘Bora Lá não está ao nível de animações mais recentes da Pixar, como Coco, The Incredibles 2: Os Super-Heróis ou Toy Story 4. Mas tal como um grande clube de futebol não é capaz de ganhar todos os jogos que disputa, ou um campeão de Fórmula 1 não consegue triunfar em todos os grandes prémios em que corre, também um estúdio com os pergaminhos da Pixar não está obrigado a produzir uma obra-prima em cada filme. E não sendo uma dessas, ‘Bora Lá é, mesmo assim, uma fita bastante agradável, técnica e narrativamente superior à maior parte da concorrência e com várias coisas que se recomendam. Uma delas, e a principal, é ter uma história que remete para uma época em que os jogos de vídeo ainda não estavam tão vulgarizados nem eram tão numerosos e sofisticados como hoje, e um dos jogos mais populares do mundo, com um tema de fantasia, era jogado não num computador, mas sim num tabuleiro: o Dungeons & Dragons. ‘Bora Lá passa-se num mundo em muitas coisas semelhante ao nosso, só que habitado por criaturas dos universos da mitologia, da fantasia e da espada e feitiçaria. Esse mundo onde outrora a magia e as grandes demandas aventurosas eram a norma, começou a ser invadido pela inovação tecnológica. Em pouco tempo, a magia foi esquecida e a aventura posta de parte ou desvirtuada e comercializada, dando lugar aos electrodomésticos, aos telemóveis, aos aviões, aos carros e à fast food. Basta dizer, e como exemplo sign

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Academia Cranston - Cenas Monstruosas! (2020)
©Ánima Estudios

Academia Cranston - Cenas Monstruosas!

Filmes

Longa-metragem de animação que tem como protagonista Danny, um genial rapaz de 15 anos que vai frequentar a exclusiva e secreta Academia Cranston. Onde, inadvertidamente, abre um portal que permite a entrada de monstros para o nosso mundo.

'The gentlemen'
Foto: Vértice 360

The Gentlemen - Senhores do Crime

3 /5 estrelas
Filmes Suspense

Desde o seu filme de estreia, Um Mal Nunca Vem Só (1998), que Guy Ritchie não fazia nada tão decente como este The Gentlemen-Os Senhores do Crime, que marca o regresso do realizador ao seu ecossistema, o meio dos gangsters londrinos e toda a sua circunstância, e ao género que o tornou célebre: a comédia de acção policial com sotaque cockney, composição multiétnica, bastante vernáculo e alguns atrevimentos politicamente incorrectos. Com Matthew McConaughey num americano que pôs de pé um milionário negócio de marijuana em Inglaterra, Hugh Grant num jornalista sem pinga de ética, e ainda Michelle Dockery, Charlie Hunnam, Eddie Marsan e Colin Farrell, que usa os fatos de treino mais foleiros deste hemisfério.

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Tabaluga e a Princesa do Gelo (2018)
©DR

Tabaluga e a Princesa do Gelo

Filmes

Filme animado co-produzido pela Alemanha e pelo Canadá, que tem como herói um jovem dragão que não consegue voar e anda em busca do seu fogo, e que acaba por ajudar uma princesa a combater um malvado feiticeiro. Realizado por Sven Unterwaldt Jr.

Sonic: O Filme (2020)
©Paramount Pictures

Sonic - O Filme

Filmes Animação

O ouriço azul do célebre jogo de vídeo é o protagonista deste filme que mistura animação digital e imagem real. Sonic e o seu novo melhor amigo (James Marsden) defendem o planeta de um génio do mal, o Dr. Robotnik (Jim Carrey).

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Mosley e a Cidade Secreta (2019)
©DR

Mosley e a Cidade Secreta

Filmes

Os heróis desta longa-metragem animada feita na Nova Zelândia são os Torifantes, umas simpáticas criaturas que vivem numa quinta pertencente a um camponês que os obriga a fazer trabalhos pesados.

Por Eurico de Barros

A Shaun the Sheep Movie: Farmageddon
© 2018 Aardman Animations Limited and Studiocanal S.A.S.

A Ovelha Choné - O Filme: A Quinta Contra-Ataca

5 /5 estrelas
Filmes

A segunda longa-metragem da Ovelha Choné e de todos os seus comparsas da quinta Mossy Bottom é parte paródia genial ao cinema de ficção científica pós-Guerra das Estrelas, parte comédia burlesca esfuziante, combinando a tradicional animação de volumes fotograma a fotograma que é marca criativa dos estúdios Aardman e efeitos digitais, sem que fique uma suspeita de costura a ver-se. Um simpático e jovem extraterrestre aterra o seu disco voador junto da quinta e Choné e companhia vão ajjudá-lo a voltar para casa e evitar que seja capturado pelo governo. É o filme de animação do ano, a comédia do ano, a aventura de ficção científica do ano e a produção de temática rural do ano. Simplesmente méééééééravilhoso.

Por Eurico de Barros

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Mulher-Maravilha

1 /5 estrelas
Filmes Acção e aventura

A personagem da Mulher-Maravilha nasceu durante
a II Guerra Mundial, e combateu pelos Aliados nos comics. Nesta adaptação ao cinema das aventuras da super-heroína da DC, preferiu-se pô-la a lutar na I Guerra Mundial. Mas no fundo tanto faz, porque o filme de Patty Jenkins (Monstro) sacrifica todo e qualquer realismo, sentido da História (com “h” maiúsculo) ou de recriação de época, situando-se num mundo que é uma versão de comic book, simplista, atabalhoada, primária e incongruente do nosso mundo. Mulher-Maravilha é mais um blockbuster de super-heróis como tantos outros. O que interessa 
é esmagar o espectador pela imagem e pelo som, recorrendo ao arsenal de efeitos especiais para construir sequências de acção desmesuradas e estoira-tímpanos, que comungam da estética dos jogos de vídeo e transgridem todas as leis da física. É suposto ser “entretenimento”, mas na realidade é uma coisa repetitiva e entorpecente. Gal Gadot empresta a cara bonita e as curvas de top model à Mulher- Maravilha, metida num uniforme mais púdico do que a da televisiva Lynda Carter. Por Eurico de Barros

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