Harry Dean Stanton recordado em dez interpretações memoráveis

O veteraníssimo e carismático actor americano morreu aos 91 anos. Recordamos aqui uma dezena dos melhores papéis da sua longa filmografia, numa carreira de mais de 60 anos

Harry Dean Stanton em Alien (1979)

À vontade em todos os géneros, inclusive a comédia, burlesca ou romântica, Harry Dean Stanton só se impôs como actor quando já estava à beira dos 60 anos. Raramente foi protagonista principal, mas era um actor secundário que conseguia dominar um filme, mesmo que aparecesse durante poucos minutos. 

Harry Dean Stanton recordado em dez interpretações memoráveis

‘O Furacão’, de Monte Hellman (1966)

Jack Nicholson, um dos maiores amigos de Harry Dean Stanton, que escreveu este western e é o seu principal intérprete, sugeriu ao realizador Monte Hellman que o incluísse no elenco. Stanton, que já tinha muito trabalho atrás de si no cinema e na televisão, interpreta um bandido zarolho, um dos muito vilões da sua carreira, e foi neste filme que iniciou a sua longa caminhada rumo ao reconhecimento público e ao estatuto de actor de culto.

‘A Estrada Não Tem Fim’, de Monte Hellman (1971)

Outra vez Monte Hellman e mais um pequeno mas significativo papel para Harry Dean Stanton neste road movie de culto. Ele faz um homem a quem uma das personagens principais dá uma boleia, e acaba por instalar um certo mau-estar no automóvel ao fim de algum tempo. Stanton era mestre em aparecer apenas por alguns minutos num filme e fazer com que o espectador nunca mais se esquecesse dele. Tal como acontece aqui.

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‘Beco Sem Saída’, de Ulu Grosbard (1978)

Um Dustin Hoffman de farto bigode é a vedeta deste drama policial, mas Harvey Dean Stanton faz-se notar, como de costume, no papel de um antigo ladrão com nostalgia dos tempos de fora-da-lei e farto da sua vida de classe média. O actor, que sempre gostou de música e tinha uma banda, canta uma canção e acompanha-se à guitarra a certa altura do filme.

‘Alien-O 8º Passageiro’, de Ridley Scott (1979)

Stanton já era um actor “característico” de créditos estabelecidos quando foi escolhido para interpretar o gozão Brett, um dos membros da tripulação da ‘Nostromo’ neste clássico de ficção científica. A morte da sua personagem, apanhada pelo alien enquanto chama pelo aterrorizado gato de bordo, que já reparou naquilo que Brett ainda não viu – o monstro mesmo atrás dele -, fica para a história.

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‘Nova Iorque 1997’, de John Carpenter (1981)

Mais um papel não muito grande mas que fica na memória para Harry Dean Stanton num filme de ficção científica, desta feita assinado por John Carpenter. O de Brain, o oleoso cientista de serviço ao Duke (Isaac Hayes), o homem que manda na Nova Iorque transformada numa gigantesca prisão aberta e “terra de ninguém” de criminosos, e que trai o seu “patrão” para ajudar o Snake Plissken de Kurt Russell. 

‘Jovens Médicos Apaixonados’, de Garry Marshall (1982)

Sim, Harry Dean Stanton também fez comédias, e esta paródia com condimento nonsense às telenovelas, séries de televisão e filmes passados em hospitais é a melhor de todas. Stanton personifica o desmazelado Dr. Oliver Ludwig, um dos clínicos veteranos do delirante hospital em que decorre a acção, grande copofónico que se gaba de ter provado tudo o que são fluidos disponíveis para uso medicinal ali existentes.

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‘O Clandestino’, de Alex Cox (1984)

Um dos filmes favoritos do actor, juntamente com Paris, Texas. Stanton interpreta um repo man, um especialista em recuperar automóveis cujos proprietários não pagaram as respectivas prestações, e que recruta como parceiro um jovem músico punk (Emilio Estevez) de mal com a vida. O filme mistura comédia e ficção científica da vertente “teoria da conspiração”. Ponto alto: a sequência em que Stanton ensina a Estevez o “código de conduta” do repo man.

‘Paris, Texas’, de Wim Wenders (1984)

Um dos raros filmes em que Stanton, o eterno secundário, foi protagonista. E que filme. É como se o actor se tivesse preparado durante toda a sua carreira para interpretar Travis Henderson, o homem que havia sumido do mapa durante alguns anos e parece brotar da paisagem desértica, no início da fita, mudo e perplexo, para se reencontrar com o mundo, os seus semelhantes e a sua família. Aos 58 anos, finalmente, Harry Dean Stanton tinha o papel da sua vida. Chegou tarde, mas chegou em grande. 

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‘A Garota do Vestido Cor-de-Rosa’, de Howard Deutch (1986)

Uma das composições mais comoventes e menos referidas de Harry Dean Stanton. Nesta comédia romântica escrita por John Hughes, ele faz um homem de recursos modestos mas grande coração, o compreensivo e afectuoso pai da personagem interpretada por Molly Ringwald, uma liceal que hesita entre o fiel amigo de infância que sempre teve um fraquinho por ela, e o rapaz mais rico e popular da escola, que gosta dela mas esconde-o.

‘Uma História Simples’, de David Lynch (1999)

Mais um filme em que Harry Dean Stanton tem um pequeno papel, só aparecendo no final, embora pareça que lá tenha estado desde o início da história e monopolize as atenções quando aparece. Stanton é Lyle, o irmão idoso e doente do também idoso Alvin (Richard Farnsworth). Este mete-se à estrada num tractor corta-relvas para ver Lyle, que vive longe, antes que ele morra, e restabelecer os laços que se quebraram muitos anos antes entre ambos.

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