Novos Olhares na Cinemateca – Parte III: a semana final, ou quase

Semana final do ciclo Cinema Português: Novos Olhares na Cinemateca, uma conclusão provisória, pois ainda há um epílogo em Junho, de uma mostra centrada na nova geração de cineastas

O Que Há de Novo no Amor

Muitas curtas e médias metragens, algumas longas, obras onde se juntam e, por vezes, se misturam realidade e ficção e ensaio e documentário. Não é o albergue espanhol onde cabem todos, mas é um sinal de dinâmica, diversidade e, também, de procura de um sentido diferente, mas comum. Assim é a última semana (que não é bem a última, porque o epílogo chega no próximo mês) do ciclo Cinema Portugês: Novos Olhares na Cinemateca. 

Novos Olhares na Cinemateca – Parte III: a semana final, ou quase

As Figuras Gravadas na Faca com a Seiva das Bananeiras/ Sobe, Adensa, Esgarça, Desce/ História do Cinema/ Luís e o Jardim que Ficou para Trás/ Todos os Dias da Nossa Vida

Ana Eliseu e Joana Frazão, que trabalharam juntas em História do Cinema, são as realizadoras presentes nesta sessão que reúne obras de cinco cineastas geralmente virados para o cinema experimental e documental. Assim, encontra-se nesta noite o olhar de Joana Pimenta sobre a memória colonial. Mas, principalmente, acha-se o trabalho a solo e, no caso de Ana Eliseu, também com Mathilde Neves, ou, no de Joana Frazão, com Raquel Marques.

Quinta, 25, 21.30

Nuvem/ Até Ver a Luz

Um dos realizadores portugueses (no caso, com dupla nacionalidade) com mais provas dadas a trabalhar no estrangeiro, Basil da Cunha veio da Suíça, onde vive, filmar nos bairros da Amadora para, através dos seus habitantes, contar histórias “verdadeiras que apontam, incessantemente, para um desejo de imaginação e fantasia.” O realizador assistirá a este visionamento. 

Sexta, 26, 21.30

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O Que Há de Novo no Amor?

Não é comum, mas acontece seis jovens realizadores pegarem nas suas individuais ideias sobre os amores e os desamores na sua geração e com esse distinto material criarem obra comum. Foi o que aconteceu com esta película (uma das poucas com exibição comercial) em que Hugo Alves, Mónica Santana Baptista, Hugo Martins, Tiago Nunes, Patrícia Raposo e Rui Alexandre Santos convocaram os actores Joana Santos, Ângelo Rodrigues, Nuno Casanovas, João Cajuda, David Cabecinha, Sónia Balacó e Joana Metrass para darem corpo à sua ideia comum.

Sábado, 27, 21.30

Despedida/ Maquete/ Éden/ Cigano/ Ponto Morto/ Fim da Fita

Tiago Rosa-Rosso, David Bonneville e André Godinho são autores para quem os mecanismos “do cinema, e na sua História” servem muito bem para criar enredos algures entre a experimentação e a ficção. Olhares independentes, com uma perspectiva própria, um comum desejo de encontrar um caminho artístico eventualmente original, que, no caso de André Godinho, cria pontos de contacto com o teatro, ou melhor, “o processo de construção, na ficção, a partir das nossas fantasias.”

Segunda, 29, 19.00

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Coisa de Alguém/ Vestígios/ Música de Câmara/ As Troianas/ Gosto de Ti Como És

Ruínas, memórias, tradições, por esta ordem, são a ordem de trabalhos desta sessão, com a presença de Sílvia Firmino, que registou o labor, o segredo e o suspense de uma marcha popular no momento do resultado. Sessão onde Susanne Malorny vira o seu olhar para os perdidos e achados, em Lisboa; e Tiago Afonso filma o “tempo antigo de um atelier artesão, as viagens do realizador, e torres urbanas demolidas entre a vida de uma população.”

Terça, 30, 21.30.

Mates/ Julian/ Olympia I & II/ Visionary Iraq/ A History of Mutual Respect/ The Hinchback/ A Brief History of Princess X

Se se pode falar de um cinema radical, então deve olhar-se com atenção (portanto, para lá do preconceito, seja ele social, político ou artístico, que é aqui o que aqui mais importa) para a longa obra de António da Silva (e aproveitar para lhe perguntar pelos porquês de assim filmar, pois o autor estará nesta projecção), especialmente este par de películas, Mates e Julian, observatórios “para os detalhes explícitos e íntimos das relações casuais e amorosas da comunidade homossexual.” Gabriel Abrantes, por sua vez, “desconstrói o olhar normativo do espectador sobre a história da arte, do cinema e dos seus diferentes géneros”, e daí resulta uma obra controversa, porém, sem dúvida, das mais ousadas esteticamente entre os realizadores mais jovens.

Quarta, 31, 21.30.

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Cinema português

Fátima

Desengane-se quem pensa que as peregrinações são, por sistema, coisas muito espirituais, com muita reflexão religiosa. A julgar por Fátima, de João Canijo, onde 11 mulheres de Trás-os-Montes percorrem a pé os mais de 400 quilómetros entre Vinhais e Fátima, as peregrinações são um misto de teste à capacidade de sofrimento individual e de incubadora de tensões, fricções, conflitos, alianças e rupturas dentro do colectivo feminino. 

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Jacinta

Com o Papa a chegar a Fátima era de esperar que os produtos, culturais e não só, claro, relacionados com ele e com os acontecimentos metafísicos na origem da devoção, aumentassem. E aí está, agora em versão “o que aconteceu a Jacinta depois da aparição?”. Jorge Paixão da Costa dirige, com argumento de Manuel Arouca e Raquel Palermo.

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Paula Rego, Histórias & Segredos

4 /5 estrelas

Se Nick Willing não fosse filho de Paula Rego, este documentário nunca teria sido feito. E se ele não tivesse convencido a mãe a falar sobre a sua vida e a sua arte, talvez não tivesse sabido ou entendido melhor coisas sobre ela, o pai, a família, as pinturas dela e a sua própria juventude. É que em Paula Rego, Histórias & Segredos, não é só o espectador que é surpreendido pela franqueza da artista.

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