Óscares: Sete filmes que não deviam ter ganho

Há filmes que nunca deviam ter ganho o Óscar de melhor do ano, mas levaram a estatueta dourada para casa. Injustiça? Sim, embora às vezes o problema não seja tanto o vencedor, mas quem perdeu.

Como o cinema é uma arte, a sua interpretação é sempre subjectiva. A obra-prima de uns é lixo estético para outros e vice-versa. Não há volta a dar. Mesmo quando O Touro Enraivecido perde para Gente Vulgar, ou o preconceito rouba o prémio a O Segredo de Brokeback Mountain. Há injustiças, há. Lá vão, subjectivamente, sete.

 

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Óscares: Sete filmes que não deviam ter ganho

O Vale Era Verde (1941)

John Ford foi um grande realizador. Um mestre. Um exemplo. Mas nem todos os seus filmes são obras-primas. Alguns, são apenas bons, como este, com Walter Pidgeon e Maureen O'Hara, película socialmente generosa sobre as dificuldades da vida dos mineiros galeses com romance de premeio, que, porém, no conjunto da sua obra, é filme francamente menor. 

E o vencedor devia ser: O Mundo a Seus Pés, de Orson Welles 

Cimarron (1931)

Quem vir por estes dias o Melhor Filme de 1931 verificará como a obra de Wesley Ruggles envelheceu mal e se tornou um drama vulgar e desinteressante. O que, aliás, parece ter sido a marca desse ano cinematográfico norte-americano, característica acrescentada por umas comédias de que ninguém se lembra. Do lado bom do ano está um belo conjunto de cinema de terror, que foi completamente ignorado pela academia. A história desta aventura dramática durante a colonização dos Estados Unidos é incoerente e, como se isso não bastasse, está cheia de caricaturas racistas – mesmo para a época. 

E o vencedor devia ser: Matou, de Fritz Lang (que nem foi nomeado)

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A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956)

Ora aqui está um ano que podia ter corrido melhor ao cinema. A comédia realizada por Michael Anderson e John Farrow começa por ignorar alguns dos aspectos mais estimulantes do romance de Jules Verne. O que podia ser o menos. Mas não é, pois o argumento de James Poe e John Farrow é de uma indigência assustadora. Não fora David Niven, ainda assim representando em piloto automático, e um ou outro gag protagonizado pelo medíocre cómico mexicano Cantinflas, tudo embrulhado em caríssimos cenários, nada sobraria. Porém, a favor do seu Óscar, conta a dificuldade em encontrar filme realmente bom nesse ano aziago. Senão, veja-se quem, dadas as circunstâncias, porque as alternativas ainda eram piores, talvez merecesse o prémio… 

E o vencedor devia ser: O Rei e Eu, de Walter Lang

Kramer Contra Kramer (1979)

Aqui está um dos mais xaroposos filmes, apesar das muito boas e devidamente premiadas interpretações de Dustin Hoffman e Meryl Streep, alguma vez realizado. O enredo já foi mil vezes repetido e, sucintamente, trata de um casal que se separa, uma mãe que se afasta e um pai trabalhólico que, de repente, tem de cuidar do filho e com ele estabelecer relações. E depois de estabelecidas, essas relações podem ir por água abaixo por conta de um processo de custódia daqueles mesmo mauzinhos.

E o vencedor devia ser: Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola 

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Gente Vulgar (1981)

Da mesma maneira que toda a gente se lembra de Apocalipse Now e ignora Kramer Contra Kramer, também ninguém tem memória do filme de Robert Redford, mas decerto já ouviu falar de O Touro Enraivecido, a obra-prima mais obra-prima de Martin Scorsese. E há boas razões, pois esta película, com Donald Sutherland, Mary Tyler Moore e Judd Hirsch, sobre uma família a fazer o luto depois da morte do filho mais velho num acidente de barco, decorada com a “culpa de sobrevivente” do outro filho, explora os sentimentos mais básicos sem pudor, mas também sem qualquer consequência artisticamente significativa. 

E o vencedor devia ser: O Touro Enraivecido, de Martin Scorsese 

Dança com Lobos (1990)

O primeiro filme realizado por Kevin Costner é (se me for permitida uma nota pessoal, a mim, que vi as quase sete horas de O Sapato de Cetim, de Manoel Oliveira, firme e atento, pelo menos até à terceira hora; e as mais de sete horas de Hitler, Um Filme da Alemanha, de Hans-Jürgen Syberberg, sem baquear), é, dizia, o filme mais chato de sempre. E, sem dúvida, apesar das loas da época, um dos mais condescendentes olhares sobre a cultura dos índios da América do Norte. É verdade que o ano incluiu o mal-amado O Padrinho, Parte III, e o puxa-lágrima Ghost – Espírito do Amor. Mas a alternativa era tão evidente… E quem se lixou, outra vez, foi Martin Scorsese, a quem a Academia acabou, apenas em 2007, por premiar o medíocre Os Infiltrados – assim como que pedindo desculpa por não ter sido antes. 

E o vencedor devia ser: Tudo Bons Rapazes, de Martin Scorsese

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Colisão (2005)

A vitória do filme de Paul Haggis, em 2005, surpreendeu toda a gente, a começar pelo realizador, que disse em entrevista posterior ter achado inesperada a nomeação. E Colisão ganhou não por conta dos seus próprios méritos, ou da maravilha do seu argumento e excelência das interpretações, mas pelo preconceito então dominante entre os votantes. Em ano sem, por assim dizer, nada de especial, havia um filme capaz de deixar marca, não propriamente artística, mas social e política. Porém, os ventos ainda não estavam de feição. 

E o vencedor devia ser: O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee

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