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A onda de surfistas gay

Afinal é mais difícil encontrar a onda perfeita do que um surfista gay. A Gay Surfers e é uma rede social para combinar surftrips e partilhar desde números de telefone a fotos da poluição na Praia 19.

©DR

Thomas Castets pensava que era “o único surfista gay no mundo” quando se mudou de França para a Austrália aos 18 anos, em 1996, explica-nos por telefone directamente de Sydney. Quase 15 anos mais tarde, em 2010, e quando grande parte dos amigos começou “a casar e a ter bebés e a surfar menos”, lembrou-se de criar um site para procurar outros surfistas gays, tarefa aparentemente mais difícil do que encontrar a onda perfeita.

Ou não. “Na primeira semana do site inscreveram-se 50 pessoas, não só da Austrália, como da América, de África e da Europa”, conta. “Surfistas de várias partes do mundo que se sentiam intimidados em contar aos amigos que eram gays, porque a homossexualidade não é muito bem aceite no mundo do surf.”

O número foi crescendo e hoje em dia a comunidade Gay Surfers, uma rede social para surfistas, tem só em Portugal mais de dois mil surfistas inscritos, homens e mulheres.

“Os grupos maiores são em França [há quatro] e nos Estados Unidos [com 12] e aí as pessoas costumam encontrar-se todos os domingos para surfar, como acontece, por exemplo, em Los Angeles”, conta Thomas. Também costumam organizar surf trips noutros países e partilhar telefones ou dicas de viagem para praias exóticas, como por exemplo a Praia 19, na Costa da Caparica.

“Tenham muito cuidado ao deixar o carro no parque de estacionamento”, escreveu em Julho o surfista Peter. “Nos últimos dois anos fiquei duas vezes na Praia 19 e a minha autocaravana foi assaltada. A polícia disse que os assaltos aumentaram dez vezes em 2015.”

O artigo, com fotos, fala também da poluição na praia e nas dunas usadas para cruising, com lenços e preservativos por toda a parte, “na areia e pendurados nas árvores”.

Por enquanto a comunidade portuguesa ainda não organizou nenhuma surf session, mas Thomas diz já ter sido contactado por vários surfistas e até pelo dono de um hostel em Peniche, o Surfers Lodge Peniche, que queria começar a atrair “clientes gays”. Aliás, o hostel já marcou uma "gay surf week" no Facebook, entre 14 e 21 de Maio do próximo ano.

Há que dar o primeiro passo também no site e criar um evento para reunir surfistas arco-íris das redondezas, na Caparica ou em Carcavelos. “Não interessa se as ondas estão boas nesse dia, não tem só a ver com as ondas, a ideia é criar uma comunidade”, continua.

O site de utilização gratuita [é só fazer o registo e indicar a data de nascimento e onde costuma surfar] ganhou ainda mais popularidade há dois anos quando Thomas lançou o filme Out In The Line Up, disponível na Netflix (a Portugal por enquanto ainda não chegou), na loja iTunes e no Vimeo.

No documentário, e com o antigo surfista de competição David Wakefield, o francês parte numa viagem à volta do mundo, da Austrália ao Equador, para contar a história de outros surfistas gays de lugares remotos e inspirar outras pessoas. 

O financiamento do filme, que ganhou vários prémios em festivais de cinema de surf e LGBT, foi feito através de um crowdfunding que também partiu do site Gay Surfers. Por agora, a melhor contribuição que se pode dar à comunidade é “começar a usar o site, partilhar experiências e conteúdos e criar eventos”.

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