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The Rite of Trio
©Raquel Lemos The Rite of Trio

10 promessas do jazz a ter debaixo de olho em 2017

Entre os muitos projectos que estão a abrir novos caminhos no fervilhante mundo do jazz, escolhemos dez, envolvendo músicos que têm à volta de 30 anos e discos editados recentemente ou previstos para breve

Por José Carlos Fernandes
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10 promessas do jazz a ter debaixo de olho em 2017

The Rite of Trio

Formação: André Bastos Silva (guitarra), Filipe Louro (contrabaixo) e Pedro Melo Alves (bateria).
País: Portugal
Disco mais recente: Getting All the Evil of the Piston Collar! (2015, Carimbo Porta-Jazz). É a estreia do trio.
Razões para arrebitar a orelha: Este grupo portuense é iconoclasta, omnívoro, imprevisível e saudavelmente insano e tem afinidades com power trios que têm sido reveladas na série Spotlight da Tzadik, como Les Rhinocéros, Hypercolor ou Many Arms. Tal como estes, cruzam, com proficiência, ironia e absoluto desprezo por convenções, jazz, metal, post rock e math rock, saltando sem aviso entre estilos e atmosferas diversas. Actua em Lisboa, na Culturgest, a 2 de Março.

[Ao vivo no Festival Porta-Jazz 2014, Cinema Passos Manuel, Porto]

Florian Favre Trio

Formação: Florian Favre (piano), Manu Hagmann (contrabaixo) e Arthur Hnatek (bateria).
País: Suíça
Disco mais recente: Ur (2016, Traumton). É o segundo do trio.
Razões para arrebitar a orelha: Florian Favre (n. 1979) tem formação clássica, explora os pontos de contacto enrtre jazz e rap (no projecto Rêves de Gosses), compõe para big bands, acompanha cantoras de jazz e pop e o seu trio é uma feliz combinação destas múltiplas experiências.

[Ao vivo no Parco della Musica, Roma, Setembro de 2016]
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Melt Trio

Formação: Peter Meyer (guitarra), Bernhard Meyer (baixo) e Moritz Baumgartner (bateria).
País: Alemanha
Disco mais recente: Stroy (Traumton Records). É o terceiro do grupo.
Razões para arrebitar a orelha: Dir-se-ia que todas as linguagens confluem aqui – jazz, rock, música de câmara – por vezes numa mesma composição. O entrosamento do grupo é perfeito, as melodias são sempre belíssimas – mesmo quando há turbulência e aspereza – e quem aprecie o trio Azul, de Carlos Bica, vai certamente gostar do Melt Trio.

[“Congo Square”, ao vivo no clube Donau115, Berlim, em 2016]

Elliot Galvin Trio

Formação: Elliot Galvin (piano, acordeão, melódica), Tom McCredie (contrabaixo) e Simon Roth (bateria).
País: Grã-Bretanha
Disco mais recente: Punch (2016, Edition Records). É o segundo do trio.
Razões para arrebitar a orelha: Elliot Galvin faz parte de um grupo de jovens e azougados jazzmen britânicos associados sob o nome de Chaos Collective. A sua música combina influências que vão de Stravinsky a Deerhoof (é ele que o afirma no seu website) e é irónica, irreverente, polifacetada, destemida e, por vezes, caótica (mas só aparentemente).

[”Hurdy-Gurdy”, uma das faixas de Punch, ao vivo no Sofar, Londres, 11 de Fevereiro de 2015]
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Huw V. Williams

Formação: Huw V. Williams (contrabaixo), Laura Jurd (trompete), Alam Nathoo saxofone) Elliot Galvin (piano, acordeão), Pete Ibbestson (bateria).
País: Grã-Bretanha
Disco mais recente: Hon (2016, Chaos Collective). É a estreia de Williams como líder.
Razões para arrebitar a orelha: Huw V. Williams (n. 1990) é natural do País de Gales e “Hon” (que significa “isto”, em galês) vem de um poema de T.H. Parry Williams sobre uma relação de amor-ódio com o País de Gales, com a qual Williams se identifica. Para criar Hon, Williams associou-se a músicos do Chaos Collective e foi buscar inspiração a diferentes estratos da sua vida, passando pelas bandas de rock em Gales, quando era adolescente, e pelo free jazz em Londres, quando andava na casa dos 20.

[“Walabur”, ao vivo]

nOx3

Formação: Rémi Fox (saxofone), Matthieu Naulleau (teclados) e Nicolas Fox (bateria).
País: França
Disco mais recente: Nox Tape (2016, Jazz Village). É a estreia do grupo.
Razões para arrebitar a orelha: Praticam uma música que eles mesmos definem como “free electro”, designação que engloba desde o stoner rock maciço e obsessivo de “Noise.3” ao furor dançarino de “Chope” (alicerçado num maníaco loop de piano), passando pela vertiginosa mescla de música de dança e rock tenebroso de “Gesualdo” (onde não há vestígios do compositor de madrigais homónimo) e pelo caleidoscópio de “Expansion III”, em cujos 8’ desfilam ideias suficientes para todo um disco.

[“Expansion” ao vivo no Centro Musical FGO-Barbara, Paris]
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Slow Is Possible

Formação: Patrick Ferreira (clarinete), Bruno Figueira (saxofone), André Pontífice (violoncelo), João Clemente (guitarra), Nuno Santos Dias (piano), Ricardo Sousa (contrabaixo) e Duarte Fonseca (bateria).
País: Portugal
Disco mais recente: Slow Is Possible (2015, JACC Records). É o disco de estreia do septeto.
Razões para arrebitar a orelha: Um grupo de instrumentação invulgar e excêntrico aos pólos jazzísticos de Lisboa e Porto que resultou do encontro na Covilhã de gente nascida no interior do país. O disco de estreia foi gravado na aldeia de Fajão, no concelho de Pampilhosa da Serra, no âmbito de uma residência artística promovida pelo Ciclo de Jazz das Aldeias do Xisto (XJazz) e o seu jazz está impregnado de paisagens cinemáticas e de post-rock.

[“Vejo Asas no Vento”]

Morten Schantz’s Godspeed

Formação: Morten Schantz (teclados), Marius Neseet (saxofone) e Anton Eger (bateria).
País: Escandinávia
Disco mais recente: Godspeed (2017, Edition Records/Karonte). Sai a 27 de Janeiro e é a estreia do projecto.
Razões para arrebitar a orelha: O dinamarquês Morten Schantz (n. 1980) já tinha um disco como líder dos Schantz Segment e meia dúzia com o algo estridente quinteto de fusão JazzKamikaze, mas o trio Godspeed, para o qual recrutou dois parceiros dos JazzKamikaze, promete ser um passo em frente na fusão de jazz, rock e electrónica.

[Excerto de “Escape Velocity”, de Godspeed]
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Grégory Privat Trio

Formação: Grégory Privat (piano), Linley Marthe (contrabaixo) e Tilo Bertholo (bateria).
País: França
Disco mais recente: Family Tree (2016, ACT/Karonte). É o quarto como líder de Privat e o primeiro deste trio. Razões para arrebitar a orelha: Este pianista nascido na Martinique em 1984 e radicado em França tem vindo a explorar, de forma original, a intersecção do jazz com a música tradicional caribenha, o que é patente no projecto TrioKa ou no seu segundo disco, Tales of Cyparis (2013), inspirado na biografia de Louis-Auguste Cyparis, único sobrevivente da cidade de Saint-Pierre, em consequência da erupção da Montagne Pelée, na Martinique. Family Tree usa os ingredientes caribenhos com moderação, mas são os suficientes para conferir novo sabor ao clássico trio com piano.

[“Le Bonheur”, de Familiy Tree]

Shai Maestro Trio

Formação: Shai Maestro (piano), Jorge Roeder (contrabaixo) e Ziv Ravitz (bateria).
País: Israel/Perú/Israel
Disco mais recente: The Stone Skipper (Sound Surveyor). É o quarto do trio. Razões para arrebitar a orelha: Maestro (n. 1987) foi membro do grupo do contrabaixista israelita Avishai Cohen durante cinco anos e quatro álbuns. O trio formou-se em Brooklyn em 2010, lançou o primeiro disco homónimo, em 2012, e impregna a linguagem do trio com piano de doces e sinuosas melodias de sabor judaico.

[Shai Maestro Trio, ao vivo em Gent, Bélgica, 12 de Outubro de 2015]
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