“Enter Sandman”, dos Metallica, por Pat Boone
Embora seja frequentemente traduzido como “João Pestana”, a figura de Sandman faz parte do imaginário popular a Europa Setentrional: é uma criatura que, ao polvilhar os olhos das crianças, à noite, faz chegar o sono e os sonhos. A sua natureza é usualmente vista como benigna, mas por vezes – é o caso de um conto de E.T.A. Hoffmann – também lhe é conferida uma aura sinistra. Inevitavelmente, o Sandman dos Metallica não tem nada de amável e evoca um mundo de terrores nocturnos e monstros ocultos nas sombras (tudo ao nível do teatrinho infantil, claro, que o grupo não é dado a elucubrações profundas).
A abordagem jazzística, exuberante e jovial, de Boone faz dissipar instantaneamente as sombras da versão original, enchendo tudo de luz e optimismo. Ficará ao critério de cada um decidir se Boone não percebeu o que estava a fazer ou se possui um refinado sentido de ironia.




