Angles 8

Música, Jazz
Escolha dos críticos
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Angles 8
©Ziga Koritnik

A música popular tem tradição de luta contra o sistema e de denúncia de injustiças e se a “canção de protesto” já conheceu melhores dias, não falta quem continue a clamar, com maior ou menor razão e talento, contra a discriminação, a desigualdade e a manipulação das massas, no rap, no hardcore e em algum metal. O jazz, que nos anos 60 se envolveu na luta pelos direitos cívicos dos afro-americanos (tanto mais compreensível por muitos dos seus praticantes terem sofrido na pele a discriminação), ganhou cunho abstracto e desligado da realidade, pelo que raramente assume hoje uma postura “de combate”. Para compensar esta falta de “engajamento”, o saxofonista norueguês Martin Küchen protesta por quatro ou cinco: a sua indignação tem várias formas de expressão, como o Trespass Trio e os Satan In Plain Clothes, mas é nos Angles que atinge o pináculo. A Clean Feed, que lhes editou cinco indispensáveis álbuns, traz à SMUP esta reencarnação furibunda das bandas de Charles Mingus e da Liberation Music Orchestra de Charlie Haden. Por este andar, Küchen nunca arranjará emprego na Goldman Sachs, mas já assegurou lugar na história do jazz.

Por José Carlos Fernandes

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