António Zambujo

Música
antónio zambujo
Fotografia: Arlindo Camacho

Em qualquer latitude, a voz de António Zambujo prima pela beleza e pelo apuro. Com a melancolia na medida certa, a entoação acertada, a clareza e o controle vocal. Usa a voz para servir a música, nunca para se exibir. No álbum que leva ao Coliseu, Até Pensei que Fosse Minha, abeirou-se do universo infinito de Chico Buarque e gravou 16 faixas. A conexão de António Zambujo com o Brasil vem de longe e já se traduziu em várias gravações e encontros no palco. Mas nunca de uma forma tão umbilical. Sem passar por cima das canções, canaliza o sentimento dos originais, mas dando de si. O tacto e o talento com que trata a matéria-prima faz com que o disco seja mais do que uma leitura portuguesa da obra de Chico – o sotaque luso e a guitarra portuguesa pairam por lá, mas de forma não convencional. Os instrumentos seguem a interpretação de Zambujo, respirando a música brasileira como trampolim para criar algo que ilumina as tensões e proximidades entre as duas margens do Atlântico.