Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Aretha Franklin retira-se. Devemos-lhe todo o “Respect”

Aretha Franklin retira-se. Devemos-lhe todo o “Respect”

Aretha Franklin anunciou a sua reforma para 2017. A despedida (relativa) faz-se com um disco a meias com Stevie Wonder

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Aretha Franklin
Por Miguel Branco |
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A realeza que se cuide. Quando uma rainha informa que o seu reinado está a chegar ao fim, as televisões atropelam-se para ver quem chega primeiro. E logo esta, Rainha da Soul, Rainha da Voz, Rainha, apenas, que dispensa qualquer título à frente. Aretha Franklin, a nossa Rainha preferida, acaba de anunciar a sua retirada do mundo da música durante o ano de 2017. 

E não fosse da melhor realeza que a monarquia musical já teve e isto não acabaria em grande. O jubileu de Aretha mais não é que um disco colaborativo com Stevie Wonder, a editar em Setembro, e que será uma homenagem à cidade onde se fez gente: Detroit. Prestemos-lhe, também nós, vassalagem. 

Ao canal televisivo regional Detroit WDIV Local 4 a diva confessou que estava na hora: “Estou muito agradecida e satisfeita com a minha carreira, de onde veio aquilo que atingi até agora”. Dito isto, foi a própria a admitir que esta é uma meia reforma. Ou seja, se por um lado, aos 74 anos, quer dedicar mais tempo aos seus netos e restante família, também esclarece que parar totalmente não é consigo. “Não vou ficar sentada, sem fazer nada. Isso não seria bom. Estou aberta a seleccionar coisas, uma vez por mês, mas nunca mais do que seis meses por ano”, explicou à televisão local. Felizmente. 

Apesar de ter nascido em Memphis, Aretha mudou-se para Detroit aos cinco anos, onde começaria a cantar gospel em coros de igrejas locais. Em 1956 editaria o seu primeiro disco, com selo da Columbia, com sucesso razoável. Mas foi em 1967, quando assinou pela Atlantic e editou I Never Loved a Man the Way I Love You, com temas como “Respect” ou “Dr. Feelgood”, que Aretha chegou à baía da fama, de onde jamais sairia. Foi a primeira mulher no Rock and Roll Hall of Fame, em 1987, e ganhou todos os prémios e mais alguns, inclusive oito anos seguidos do Grammy para a Melhor Performance R&B (de 1968 a 1975). Em 1980 viria a assinar pela editora Arista, com quem continuou a fazer música aos pacotes, até 2007. Embora todos digam que essa época já corresponde à queda do astro. Como se este alguma vez caísse.

Três canções essenciais de Aretha Franklin

“Won’t Be Long”

Ainda que não seja dos temas mais escutados da Rainha da Soul, “Won’t Be Long” é de uma energia blues, pura, sem grandes artifícios, o comboio já partiu e estamos todos a bordo. Tirado de Aretha: With The Ray Bryant Combo (1961, Columbia), foi dos primeiros temas a chegar a top 10 nos Estados Unidos. Uma canção incrível do tempo em que Aretha podia andar sem guarda-costas na rua.

“Respect”

Dito à bruta até parece que lhe estamos a exigir alguma coisa. “Respect” é um cover de Otis Redding. A pergunta seguinte deve ser: e então? A sua versão é de 1967, a de Redding é de 1965. Seja qual for o motivo, o seu maior hino pertence-lhe porque o apropriou com uma beleza ímpar. Tenhamos respeito senhores, que é bonito.

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“Bridge Over Trouble Water”

Ainda que o tema pertença aos enormes Simon & Garfunkel, foi um dos mais populares de Aretha, editado em 1971, numa época em que já era venerada em todo o mundo. Tente escutá-la sem se arrepiar, sem imaginar a água em turbilhão, pasmada com a voz da Rainha.
 

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