Bonga

Música
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Bonga
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Ninguém mais canta assim. Bonga tem uma voz rouca e áspera, tão frágil quanto forte, capaz da mais lânguida melancolia. Os atritos políticos exilaram-no de Angola, mas ele foi o embaixador supremo da difusão das memórias musicais e culturais angolanas desde a década de 70. Acompanhou a história e a realidade de Angola, procurando preservar e disseminar o semba pelo mundo para que o perfume do seu país e as peculiaridades do seu povo não se diluam na globalização.

Recados de Fora, o álbum que traz ao Tivoli, é mais um capítulo de uma obra musical que vive do amor à terra, raspada do bambu da dikanza e colorida com as personagens que conheceu nos musseques suburbanos. Numa lua de mel transatlântica entre Angola, Cabo Verde, Portugal e o Brasil, Bonga regressa à sua juventude, à opressão do colonialismo, à independência de Angola e à utopia da democracia. Canta a seiva da sua terra, dança os seus sabores e sentimentos, eleva os seus cromatismos e paisagens, derrama saudade e chora uma alegria vincada pela tristeza. O semba é um evangelho.

Por Ana Patrícia Silva

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