Bruno Mars

Música, Pop
Bruno Mars
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Há boas e muito menos boas esponjas pós-modernas. Na segunda categoria jaz um Beck, uma carreira inteira em decalques deslavados dos heróis da colecção de discos. Já Peter Gene Hernandez, aliás Bruno Mars, exerce a função de fã com mais vasta convicção. E especialização.

Depois de um arranque atrás da cortina da pop, entregando canções viçosas para o brilho de outros (Sugababes, Flo Rida, etc.), seguido de uma espécie de estágio nos featurings (ouve-se na estupenda “Nothin’ on You” de B.o.B, 2009), Mars já entregou três álbuns esta década. Três álbuns em crescendo de qualidade e que, embora versáteis no conteúdo, apontam cada vez com maior precisão para uma era (os 80s, para arredondar a conversa) de promiscuidade do funk e do r&b com a maleabilidade que a new wave trouxe, por momentos, ao rock. Um caldo a que se junta o apreço evidente do artista havaiano de 31 anos por uma tradição afroamericana de entretenimento que chega a todos os públicos – e não era preciso ler as referências na Wikipedia a Little Richard, Prince e Michael Jackson para chegar lá.

Lisboa é a quinta data e a quarta cidade da agenda de uma 24K Magic World Tour que correrá Europa e América até Novembro. Bruno Mars está num cume do percurso e a lotação da MEO Arena, já esgotada, sublinha-o. Mas cuide de chegar cedo, que na primeira parte há Anderson.Paak, radiosa esponja r&b/ funk/ hip-hop ainda melhor que o cabeça de cartaz, autor de Malibu, álbum que aqueceu 2016.

Por Jorge Manuel Lopes

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