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Carlos Bica & Azul: Vejam só o que eles fizeram à minha canção!

O trio liderado pelo contrabaixista português vem sexta-feira à Culturgest e talvez já deixe ouvir em ante-estreia algumas das peças que vão fazer parte de 'More Than This', o seu sexto disco, acabado de editar pela Clean Feed

@Luis Ramos
Carlos Bica na Culturgest

Música balcânica adulterada e bossa nova docemente pervertida; a “Canção de Embalar” de José Afonso e um compositor anónimo do século XVI; metal pesado e ironia ligeira; melodias belíssimas e epilepsias percussivas; riffs demolidores e swing titubeante; drum’n’bass em taquicardia e math rock que desafia as regras matemáticas; momentos em que não sopra uma brisa e tornados sonoros; os cadáveres profanados do standard “Tea For Two” e da folk açucarada de Melanie.

 

[“Azul É o Mar” do álbum Azul (1996, Enja): este entra na quota da bossa nova docemente pervertida]

Tudo isto cabe na música do trio Azul, que se estreou há duas décadas com o disco homónimo. Desde então lançaram mais quatro –Twist (1999), Look What They’ve Done To My Song (2003), Believer (2006) e Things About (2011), os primeiros na Enja, o último na Clean Feed – sempre miraculosamente coerentes, apesar da heterogeneidade de influências e apesar de alguns puristas recusarem inclui-los sob a designação de jazz.

 

[“Believer”, do álbum homónimo de 2006, ao vivo no festival Músicas do Mundo de Sines de 2007]

Não é fácil que Carlos Bica, Frank Möbus e Jim Black encontrem uma nesga livre nas suas agendas para concertos pois cada um deles se desdobra por múltiplos projectos.

O curriculum do contrabaixista Carlos Bica inclui Camané, Carlos do Carmo, uma orquestra de câmara alemã, a liderança do grupo Matéria-Prima e parcerias com Maria João, João Paulo Esteves da Silva, Ana Brandão e Gebhard Ullman.

O do guitarrista alemão Frank Möbus passa pelos grupos Der Rote Bereich, Erdmann 2000/3000 e Le Petit Chien.
O do baterista norte-americano Jim Black inclui a liderança de um trio com piano e três quartetos (Alas No Axis, Guitar Quartet e Malamute), os colectivos Pachora e Human Feel e uma interminável série de projectos, que vão da revisão da música de Mahler por Uri Caine à brass band Banda Sinaloense de los Muertos (é isso mesmo, a sua matéria-prima são as músicas que se tocam nos funerais no estado mexicano de Sinaloa), passando por Dave Douglas, Tim Berne, Chris Speed, Michael Formanek, Ellery Eskelin, Maria Pia de Vito, Nels Cline, Satoko Fujii e Laurie Anderson.

 

[“P-Beat”, do álbum Believer, ao vivo no festival Músicas do Mundo de Sines de 2007, com o convidado DJ Ill Vibe] 

Mas quando se ouve o trio Azul, acredita-se que os três músicos nunca fizeram outra coisa senão tocar juntos durante os últimas duas décadas.

[“O Profeta”, do álbum Twist (1999), ao vivo no Bimhuis de Amesterdão, 2007]

Tal como em Look What They’ve Done to My Song viraram pelo avesso o hit de 1972 de Melanie “What Have They Done To My Song, Ma”, também as suas próprias composições estão em metamorfose permanente, pelo que cada concerto é um evento irrepetível.

 

 

[Excerto de concerto no Hot Clube de Portugal, 2012]

Culturgest, sexta-feira 25, 21.30, 5€

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