Festival MIL: Entrevista a Pedro Azevedo

Entre amanhã e sexta-feira, o MIL – Lisbon International Music Network, uma espécie de web summit dedicado à indústria musical, invade Lisboa. Aos debates juntam-se 54 bandas em seis salas do Cais do Sodré. Conversámos com o programador Pedro Azevedo
pedro azevedo
Fotografia: Manuel Manso
Por Miguel Branco |
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Em que contexto surge o MIL? 

Isto aparece em Fevereiro, com o Fernando Ladeiro Marques, que é um promotor português que fez em tempos o Cosmopolis e que mais tarde saiu para França, onde desenvolve, há sete anos, o MaMa Festival, que é um showcase festival bastante grande na Europa. Funciona do mesmo modo que o Womex, o Eurosonic, e ainda tem o SIM São Paulo, no Brasil. 

Isso foi a primeira pedra. 

Sim, ele aparece-nos no escritório em Fevereiro a dizer que tinha a Sacem, a entidade que gere os direitos de autor franceses, interessada em fazer uma acção de promoção da música francesa em Portugal. Era uma coisa com seis ou sete bandas só no Musicbox e, a partir daí, desenvolvemos para 54 bandas em seis salas. 

Como é que se deu essa mudança? 

É tu sentires que há mais para aqui para dar e vender do que para comprar. É óbvio que Portugal é um país de festivais e fazem-se conversas sobre música e afins. Ok, é uma land of festivals, mas esses festivais alimentam-se de quê? Não há dinheiro no país inteiro para fazer festivais só com bandas internacionais, portanto alimentam-se de talento nacional e está na hora de começarmos a pedir um bocado em troca. Temos que ir ao Brasil, a Angola, a Espanha, a França e que melhor forma do que trazer big sharks da indústria a Lisboa para ver bandas nacionais. É um bocado a cena web summit...

...mas com música em vez de aplicações móveis. 

Sim, sem o lado tecnológico, pelo menos nesta primeira edição. Totalmente focado em música. Vamos trazer labels, publishers, agentes, festivais, pessoal do Ministério da Cultura do Brasil e de Cabo Verde. Não acho que estejam mais à frente do que nós mas são países que têm outro tipo de sensibilidade e outro tipo de mercado. 

Falávamos, ainda antes da entrevista, da dimensão business deste festival. Algo que podemos assumir abertamente. 

Claro, não temos que estar com rodeios. Isto tem duas vertentes. Tem um lado obviamente lúdico, é um festival feito com 90% de artistas nacionais, todos eles muito bons...se bem que no outro dia fiz o exercício e acho que conseguia fazer mais três festivais, com 54 bandas cada, sem repetir nenhuma das que aqui estão, o que é super gratificante. Mas sim, tem este lado lúdico, para as pessoas andarem a curtir e correr entre concertos, se quiseres consegues ver os 54 concertos se vires 15 minutos de cada. 

Já fizeste as contas todas. 

Sim, quando preenchi os slots foi um bocado a pensar nisso, e foi a pensar também que consegues ter roteiros de determinados géneros, e acho que é saudável ver três ou quatro concertos por noite. Depois tens um lado pro que é dedicado a todas as bandas, managers, agentes que actuam no espaço nacional e lusófono. O MIL é para fazer business. É para chegares a um agente europeu e dizeres: “Olha, sou o manager da banda x, isto é muito fixe, toma a promo, vão tocar mais logo, vem ver e depois falamos”. 

Seis salas de concertos foi um número ambicioso, algo que promete agitar o Cais do Sodré. 

Sim, são muitas pessoas envolvidas; neste momento só de comitivas temos cerca de 250 pessoas. E atenção, o MIL não é só para trabalhar para fora, há muita gente que não consegue ter acesso aos festivais grandes e aqui basta tocares no ombro da pessoa certa e dizeres: “Olha, bro, tenho-te mandado emails e tu não me respondes”. E façam isso comigo também, que há muita coisa do Musicbox que não respondo. 

Houve alguma preocupação para arrumar certos artistas em determinadas salas? 

Há sempre. Mas por exemplo tu vais ao Eurosonic e tendo em conta que as salas são em 60% financiadas pelo estado, isso faz com que todas elas tenham grandes condições, e nós não temos isso cá. Tirando o B.Leza todas as outras são muito limitadas a nível de capacidade e também a nível de palco, ou seja, obviamente que não consigo que uns Linda Martini toquem no Tokyo. Se bem que era incrível, mas não dá. 

Que debates destacarias? 

Há um que é o “Build a Band” que vai ser moderado pelo Pedro Trigueiro, da Arruada, que vai contar com o Paulo Ventura, e com o Clotaire Buche, que ganhou o prémio do melhor agente de 2016 e que é manager do Woodkid. E também vai estar a Clementine Bunel, que é uma agente muito nova que tem um rooster brilhante, desde o Benjamine Clementine ao Batida. Falamos de alguém que vende muito em slots muito bons. Temos outro chamado “The Art of Programming”, onde está a Fruzsina Szep que é responsável pelo Lollapalooza Berlin e a fundadora do Sziget e a Vanessa Careta da Música no Coração. Temos um debate super interessante que é “210 milhões de pessoas que não conheces, mas devias conhecer”, que é obviamente sobre o mercado brasileiro, onde vão estar pessoas do festival SIM São Paulo e da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Não faltam opções. 

Que bandas internacionais destacas? 

Destaco uma miúda cabo-verdiana que vive na Suíça que é a AAMAR, que faz uma cena parecida com a Surma, super fixe, o Sun Glitters, obviamente. Os Motta, uns italianos interessantes. As Faon Faon, umas francesas que têm uma onda electro-chique que já não se faz muito, muito fixe, seriam uma granda parelha, assim num cenário ideal, para fazer uma tour com o Moullinex, o Xinobi e a DaChick e que tem público no mundo inteiro pela música que fazem.

E portuguesas?

Destaco muita coisa exótica que os agentes internacionais não conhecem, nomeadamente Capitão Fausto, Scúru Fitchádu, Cachupa Psicadélica. São tudo coisas que a malta diz: “Mas isto é vosso?”. Os próprios PAUS estão a criar mais awareness porque passam muito em festivais europeus como Batida, mas os PAUS ainda não têm um mercado estabelecido a nível internacional como Batida tem. E há muita gente interessada em vê-los “em casa”. Teres público local a puxar pela banda também ajuda a vender. Não quero com isto dizer venham apoiar a vossa banda, não é de todo isso. Venham ver artistas nacionais e internacionais que desconhecem. 

O que já podes revelar para a edição de 2018?

A programação vai ser relativamente diferente, vamos fazer por candidatura enquanto este ano foi por escolha nossa, também devido ao tempo; estes festivais trabalham com um ano e nós trabalhámos com três meses, à boa maneira tuga. Mas conseguimos. E, modéstia à parte, acho que temos um excelente cartaz. Quem me dera que mais festivais portugueses conseguissem ter a qualidade e a quantidade de artistas nacionais que nos propusemos a ter. 

Essas candidaturas vão ser avaliadas sob que critérios? 

Primeiro que tudo qualidade. Mas também a estrutura; não podemos programar bandas que não tenham estrutura, à espera que lhe batam à porta, a MTV anos 80 já passou, isso já não acontece. Se não têm estrutura estão a ocupar um slot que podia ajudar uma outra banda a crescer. É esse o trabalho que a organização do MIL quer desenvolver. 

Dez bandas a não perder no MIL

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B Fachada

Quinta-feira. 22.00. Musicbox. 

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Capitão Fausto

Quinta-feira. 00.30. Musicbox. 

 

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Marvel Lima

Quinta-feira. 00.00. Sabotage. 

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Sun Glitters

Quinta-feira. 01.00. Roterdão. 

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DJ Firmeza

Quinta-feira. 01.30. B'Leza. 

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Scúru Fitchádu

Sexta-feira. 22.00. Musicbox. 

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Medeiros/Lucas

Sexta-feira. 23.00. B'Leza. 

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Éme

Sexta-feira. 22.15. Tokyo. 

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Cave Story

Sexta-feira. 21.00. Roterdão.

 
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Duquesa

Sexta-feira. 23.45. Lounge. 

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