Festival Rescaldo

Música
joana gama
© Eduardo Brito Joana Gama

Festivais há muitos, mas nenhum como o Rescaldo, cuja 11ª edição arranca na sexta-feira. Concebido por Jorge Trindade mais conhecido como Travassos, o festival esbate barreiras entre os campos do rock, jazz, electrónica e música improvisada desde 2007, com um foco óbvio e consciente na produção nacional. Até mesmo quando são promovidas colaborações entre portugueses e estrangeiros, como o monumental encontro entre o power-trio barcelense Black Bombaim e o histórico saxofonista Peter Brotzmann, em 2016, na Garagem da Culturgest.

A abertura dá-se no Pequeno Auditório da Culturgest, pelas mãos da violinista e violetista Maria da Rocha, que se prepara para editar Beetroot, pela Shhpuma. Depois, o trio de Diana Combo, Rafael Toral e Pedro Centeno apresenta Mínimo de Obstrução II, segunda parte de um projecto estreado em 2017 por ocasião das comemorações do centenário da Conferência Futurista de Almada Negreiros, com declamações sobre uma cama instrumental de bateria e electrónicas.

Sábado, mais uma vez no Pequeno Auditório da Culturgest, a violoncelista e cantora Joana Guerra é a primeira a tocar. Depois vai ouvir-se a música experimental de Harmonies, trio de Joana Gama (piano), Luís Fernandes (electrónicas) e Ricardo Jacinto (violoncelos e electrónicas), que editaram o álbum homónimo pela Shhpuma em 2016. Quem quiser voltar a ouvir Joana Gama terá uma segunda oportunidade no dia seguinte, desta vez a solo, no Panteão Nacional, onde vai interpretar obras de Morton Feldman, Erick Satie e John Cage. Para a semana há mais.

Depois de uma breve pausa, o Festival Rescaldo retorna a 23 de Fevereiro, com Vitor Rua, nome histórico da música improvisada (e não só) portuguesa, e The Metaphysical Angels, que vão revisitar o recente Do Androids Dream of Electric Guitars?. Seguem-se os Citizen: Kane & Hobo, que apresentam Lo Fi Expeditions,  disco de electrónica rugosa lançado em 2017 pelo colectivo Fungo. Mmmooonnnooo e Quim Albergaria encerram a noite, num diálogo feliz entre as electrónicas do primeiro e a bateria do segundo.

A música cala-se a 24 de Fevereiro, depois do concerto de 10.000 Russos e Jonathan Uliel Saldanha, dois dos mais importantes da música portuense de agora. Antes, vai escutar-se a electrónica paisagista de Farwarmth e o free-jazz dos EITR, duo do gira-disquista Pedro Lopes e do saxofonista Pedro Sousa, acompanhados aqui pelo vital baterista Gabriel Ferrandini.

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