Mallu Magalhães

Música, Brasileira
Mallu Magalhães
©Gonçalo F. Santos

Um pote de doce caseiro para barrar nas torradas. A música de Mallu Magalhães sempre foi isto, doses de açúcar amoroso dissolvido em ânsias privadas, em ginásticas interinas. E bom, diga-se que em Vem, disco que agora apresenta no Teatro Tivoli BBVA, não perde a ternura narrativa. Isso nem um milímetro, está lá tudo, como sempre esteve. O que está e não estava é um confronto com a realidade, um entendimento menos sonhador do que é a vida. Estão lá os tropeções, as festas a que não foi, as fraldas que mudou a horas de televendas.

Se o imaginário de Mallu perdeu fantasia (e isso não tem que ser mau, nem bom, é apenas isso), o leque sonoro é maior do que nunca: é samba cheio de confiança, é jazz de chinelos flip-flop, é rock coqueiro, é fado com sotaque. Mallu, como todos, cresceu. O seu toque de midas foi o facto de perceber que a vida não são só contos de fadas e chicletes e ainda assim continuar a achar-lhe piada. Isso sim,
é heróico.

Por Miguel Branco

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