Né Ladeiras

Música
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Né Ladeiras
©Adolfo Usier

Assim como assim passaram 15 anos desde a publicação do último álbum. Quer isto dizer que o nome e a música da compositora e cantora que sexta à noite ocupa o Centro Cultural de Belém é, a bem dizer, o de uma desconhecida. É verdade que “começar de novo” é uma espécie de moto não oficial da sua carreira. Mas é ainda mais verdade que Né Ladeiras é, sem tirar nem pôr, uma das vozes mais importantes da música portuguesa.

Como de costume, ou quase sempre, as músicas do novo disco, Outras Vidas, vêm do labor de Né Ladeiras. As letras, essas, são, desta vez, da autoria de Tiago Torres da Silva e de António Avelar Pinho. E o resultado final deste sétimo conjunto de canções (produzido e em grande parte interpretado pelo multi-instrumentista Amadeu Magalhães) conclui um longo processo de maturação, iniciado oito anos atrás, em visita a uma estação arqueológica na região de Torres Vedras, onde soube da existência de Avita, uma mulher que ali vivera ao tempo da ocupação romana e se tornou mais um exemplo (a par de muitas outras mulheres, como Greta Garbo e Frida Khalo) para a vida da autora de Alhur, Corsária, ou Traz Os Montes. Passados estes anos, a voz, claro, amadureceu. Tornou-se mais cheia, sem perder a sua rara pureza cristalina, reivindicando a sua singularidade e trazendo de novo a sua beleza encantatória, um pouco alucinatória e, por vezes, liricamente perturbante. A prova está, por exemplo, em “Canção de Avita”, “Feiticeira da Saudade”, “O Silêncio das Inocentes”, ou “Noites de Assuão”, “Um Amor Feliz”, “Castelos no Ar”, “À Queima- -Roupa” e em tudo o resto que Né Ladeiras cantar.

Por Rui Monteiro

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