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The Kills têm esperança na música de guitarras

O duo de rock transatlântico The Kills dá um concerto em Lisboa na quinta-feira. Conversámos com a vocalista Alison Mosshart

©Kenneth Cappelo

São poucas as bandas de garage-pop-rock reveladas no início deste século que se mantêm activas e de boa saúde. E menos ainda aquelas que continuam a esgotar salas, como é o caso de The Kills, que quinta-feira dão um concerto em Lisboa. Por enquanto ainda há bilhetes, mas o concerto de sexta, no Hard Club (Porto), já está esgotado.

The Kills vêm a Lisboa tocar as canções de Ash & Ice, que depois de cinco anos de silêncio introduz novas nuances e coloração pop no seu rock garabulhento enformado pelos blues. Conversámos com a vocalista, Allison, sobre música, originalidade, relações longas. E Donald Trump.

 

Não lançavam um disco há cinco anos. Por que demoraram tanto tempo a gravar Ash & Ice?

Estivemos a tocar as canções do disco anterior, o Blood Pressures, ao vivo durante quase três anos. Entretanto o Jamie magoou a mão e teve de parar durante um ano e meio, enquanto recuperava. Depois passámos seis meses a escrever, gravar, misturar, masterizar, fazer a capa do disco... E finalmente saiu o Ash & Ice. Pode parecer que andámos desaparecidos, mas havia muitas coisas a acontecer. E além disso temos os nossos outros projectos.

Esses projectos (como os teus The Dead Weather) são importantes para manter uma relação musical saudável?

Ser provocado do ponto de vista criativo é importante, contribui para aprender, para crescer. Acolho todos os projectos desafiantes de braços abertos. Os The Dead Weather são diferentes de The Kills. E fico grata por ter ambas as bandas na minha vida.

Tu e o Jamie parecem pessoas muito diferentes, mas já tocam juntos há 15 anos. Qual é o vosso segredo?

Nós complementamo-nos. Ele faz muito bem coisas que eu não faço bem, e vice-versa. Alimentamos a criatividade um do outro. Quando nos conhecemos tornámo-nos logo bons amigos, foi como se sempre nos tivéssemos conhecido. E isso nunca esmoreceu. Somos uma família, e respeitamos e amamo-nos um ao outro. É a única maneira de seres amigo de alguém durante tanto tempo.

É verdade que a “Siberian Nights”, do vosso novo disco, é inspirada pelo presidente russo Vladimir Putin?

É inspirada nele, sim.

Tu és americana e o Jamie é inglês. O que pensas de fenómenos como o Brexit e o Trump?

Acho que ambos são completamente idiotas e racistas, grosseiros e insanos. Quero que as pessoas voltem a votar sobre o Brexit. E já votei contra o Trump.

Costumavam gravar numa terriola isolada (Benton Harbor, no Michigan). Por que decidiram fazer este disco entre Los Angeles e Nova Iorque?

Quisemos apenas fazer algo diferente. Olhar pela janela e ver algo diferente. A inspiração pode chegar em qualquer lado e estávamos prontos para entrar num sítio que pudesse estar cheio de surpresas. E de facto estava. Gravar numa casa em Los Angeles, construir um estúdio nos quartos e casas de banho, e fazer de gavetas amplificadores... Teve as suas complicações e sons mágicos. A mudança é sempre positiva. Tentar coisas novas é sempre positivo.

Numa entrevista recente com o Reggie Watts, o Jamie disse que o rock’n’roll se tornou muito referencial, que todas as bandas de guitarras estão a copiar qualquer coisa ou alguém. Tentam evitar conscientemente essa platitude?

Tentamos que isso não aconteça, claro. Mas vai sempre haver coisas que não consegues evitar. É difícil não seres inspirado pelas coisas de que gostas. Acabam sempre por manifestar-se de alguma maneira na tua música. Acho que tentamos principalmente não nos repetir. Não vale a pena gravar um disco que seja igual ao último que gravaste. Pelo menos é a nossa opinião. O que não quer dizer que não existam alguns artistas que fazem isso muito bem.

Quão importante é a originalidade no rock? É algo que os artistas devem almejar?

Claro que sim. É importante.

Por que achas que a música de guitarras é tão reaccionária? Especialmente quando a comparas com o r&b e alguma pop.

Em parte, porque não dá para ganhar muito dinheiro com o rock’n’roll. O género não está lá muito na moda, mas acho que vai voltar, que as guitarras eléctricas vão voltar. As pessoas vão sempre querer ter essa experiência. Tenho esperança na música de guitarras. Tem coração e alma, e essas coisas sobrevivem sempre no longo prazo.

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