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O regresso das noites Johnny Guitar

O bar em Santos fechou há 20 anos mas o rock não morreu. Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, fala-nos sobre o regresso das noites Johnny Guitar em Lisboa

©DR

Assim que Billy Gould baixista dos Faith No More, aterrava em Lisboa, perguntava logo se o Johnny Guitar ainda estava aberto. “Era grande fã”, recorda por telefone Zé Pedro. “Dizia que era o melhor clube do mundo.”

No início dos anos 90, e depois do fecho do Rock Rendez-Vous, o bar tornou-se a meca do rock’n roll em Lisboa. “Quando acabavam os concertos as bandas iam lá todas”, conta o guitarrista dos Xutos & Pontapés, dono do bar que funcionou nos anos 90. Abriu o Johnny Guitar por sugestão de Alex Cortez – na altura baixista dos Rádio Macau, agora à frente do MusicBox – e foi com “muito boa vontade da vizinhança que conseguiram aguentar “tanto tempo”, até 1996.

“O bar ficava numa zona residencial [em Santos] e cá fora havia muita animação. Realmente aturaram-nos muito.” Os saudosistas do bar nunca encontraram na noite lisboeta um poiso que o substituísse. Procuraram-no antes noutros sítios, por exemplo no Facebook, onde surgiu um grupo de tributo com uma das poucas fotos antigas que ainda se encontram, atrás do balcão.

“[O regresso] ficou sempre um bocadinho no ar”, conta Zé Pedro. Surgiram várias hipóteses de um evento revivalista, mas só agora, 20 anos depois do fecho, há uma data marcada: na próxima sexta. “Não é um revival porque as coisas mudaram”, sublinha Zé Pedro. O Regresso das Noites Johnny Guitar, assim se chama o evento, acontece longe de Santos, em Alvalade, no clube de rock e metal RCA – atenção, não se fuma lá dentro, apesar de tudo o rock já é o que era.

“Quem vai tocar são dois músicos que não passaram pelo Johnny Guitar, talvez só como espectadores, o Frankie Chavez e o Sam Alone [& the Gravediggers].” Depois dos concertos, Zé Pedro tem direito a um DJ set com músicas que costumavam passar no bar, algumas de bandas que conseguiram ali o primeiro contrato – por exemplo, “os Blind Zero” –, outras de bandas que ali se formaram.

“Como o Palma’s Gang, comigo, com o Jorge Palma, o Alex e o Kalú” Ou Smells Like Teen Spirit, dos Nirvana, em “estreia europeia”, diz Zé Pedro. “O disco foi-me dado pela BMG no mesmo dia em que chegou a Portugal. “ A ideia é que a noite Johnny Guitar se repita mais vezes. “E também levá-la a outras partes do país.” 

Sexta, no RCA. R João Saraiva, 7 (Alvalade). 23.00-02.00.  10€

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