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A Time Out voltou a eleger os destinos urbanos do momento, desta vez em função da oferta cultural. Londres é a grande vencedora, seguida de Paris e Nova Iorque.

Numa cidade de fachadas revestidas a azulejos, igrejas douradas e passeios que são verdadeiras obras de arte (olá, calçada portuguesa), a cultura vive-se muitas vezes ao ar livre. Um bom exemplo é o riquíssimo roteiro de arte urbana de Lisboa, que tem vindo a ganhar atenção internacional. Outro é a Gulbenkian, que todos os Verões recebe concertos e DJ sets no jardim, juntando diferentes públicos através das artes. A reabertura do Museu Gulbenkian, já agora, é aguardada com grande expectativa, mas, entretanto, pode ver uma das exposições do ano – a incrível "Arte & Moda", que cruza pintura e escultura com peças de alta-costura.
Estas são apenas algumas das razões para Lisboa ser uma das capitais culturais do mundo. Todos os anos, a Time Out procura identificar as cidades onde colecções de arte de excelência, peças de teatro inesquecíveis, concertos e festivais de música são acessíveis (e com preços razoáveis) quer a locais, quer a visitantes. Para criar a lista deste ano, pedimos a 24.000 habitantes em mais de 150 cidades para classificarem a qualidade e a acessibilidade da cena cultural onde vivem, e nos dizerem exactamente o que a sua cidade faz melhor – da comédia aos museus, da arte urbana à música ao vivo.
Depois, combinámos as suas respostas com a visão do painel de cultura da Time Out – editores e jornalistas locais – que votaram nas cidades que consideram particularmente excitantes em termos de arte e cultura neste momento. Para garantir que a lista reflecte as cidades mais culturais a nível global, incluímos apenas as que tiveram melhor pontuação em cada país.
E a grande vencedora de 2026 foi... Londres. Além da classificação cultural fortíssima de 95% atribuída pelo painel de especialistas da Time Out, uns quase perfeitos 99% dos londrinos disseram no inquérito que a cultura na cidade é “boa” ou “incrível”. Muito impressionante para uma cidade com fama de ser bastante cara foi 60% dos locais considerarem a arte e a cultura em Londres acessíveis. A cidade destacou-se especialmente no teatro, com a pontuação mais elevada (90%) entre todas as analisadas, seguida de perto pelos museus (88%) e galerias de arte (81%).
Diz Joe Mackertich, director editorial da Time Out Londres: "Não há outro lugar no mundo com tantas galerias e museus de elite totalmente gratuitos. South Kensington por si só (antiga 'Albertopolis') provavelmente tem mais exposições incríveis espalhadas pelas suas lendárias instituições do que todos os estados dos EUA juntos (é uma estimativa, por favor não investiguem). O mais incrível é que continuam a surgir novos museus – todos gratuitos, todos de nível mundial. O V&A East e o V&A East Storehouse, por exemplo, trouxeram uma sensação de vanguarda ao East End, sem esquecer o ainda recente Young V&A, logo ali ao lado."
A enumeração de Mackertich continua e inclui "o West End cheio de peças com actores de primeira linha todos os meses", "noites de comédia gratuitas onde se pode ver a próxima grande estrela (ou – se tiver sorte – a actual)", "música ao vivo para todos os gostos, do jazz avant-garde ao hyperpop etéreo ou ao brutal death metal, todas as noites da semana", "um calendário recheado de festivais de Verão de um dia e de grandes eventos desportivos" e "montes de coisas estranhas que desafiam qualquer categorização e são, honestamente, demasiado criativas e arrojadas para caberem num parágrafo".
A completar o pódio das cidades mais culturais deste ano para a Time Out estão Paris e Nova Iorque, em segundo e terceiro lugar, respectivamente. A capital francesa foi a única cidade analisada a receber uma aprovação unânime pela sua cena artística e cultural, com 100% dos habitantes a elogiarem-na – um voto de confiança reforçado por 80% do painel de especialistas da Time Out, que classificaram Paris muito positivamente. Foi também a cidade da lista mais descrita pelos locais como “histórica” e aquela que obteve a melhor pontuação na oferta de museus, com 97% dos habitantes a dizerem que os museus são aquilo que Paris tem de melhor.
Em destaque para 2026 estão as exposições "Matisse, 1941–1954" no Grand Palais ou "One Hundred Years of Art Deco" no Musée des Arts Décoratifs, e a instalação imersiva que vai ocupar a ponte mais antiga de Paris no Verão (e que foi eleita uma das melhores novidades do mundo em 2026).
Já 93% dos nova-iorquinos avaliam positivamente a cultura da sua cidade – e o mesmo acontece com 80% dos especialistas da Time Out. Depois de Londres e Madrid, Nova Iorque ficou em terceiro lugar entre as melhores cidades do mundo para o teatro, mas foi a cena museológica que recebeu a pontuação mais alta entre os habitantes locais, com 85% a elogiar as lendárias instituições da Grande Maçã.
A não perder já este ano: a retrospectiva de Marcel Duchamp preparada ao longo de 50 anos no MoMA, por exemplo; ou a instalação de esculturas de Woody De Othello, Genesis Belanger e outros artistas por parques da cidade ao longo do ano pelo Public Art Fund.
Mais surpreendentes são as entradas na lista de Melbourne, na Austrália (em vez das mais óbvias Sydney ou Adelaide), Guadalajara, no México (que a maioria associa mais depressa a tequila e mariachi do que a arte e cultura), ou Marraquexe, em Marrocos – um destino onde há cada vez mais galerias, fundações, museus, feiras e festivais para ficar de olho.
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