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Cãotrela
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A Cãotrela faz passeios com os cães de quem não pode sair de casa

Por
Francisca Dias Real
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Passear o cão é um dever de todos os tutores de pequenos e grandes patudos. Mas nem sempre a tarefa é tão simples. O Cãotrela é o novo serviço de passeio de cães para quem, nestes tempos de pandemia, não pode mesmo sair de casa. 

Rita Resendes é a líder desta futura matilha, e apesar de não ter formação na matéria, é uma apaixonada por animais desde sempre. “Sempre ajudei os meus amigos e família a passear cães, tudo o que sei vou aprendendo e lendo sobre o comportamento deles”, conta. A Cãotrela surgiu, por acaso, “mas foi o impulso que precisava para levar isto dos passeios mais a sério”, diz.

Rita estava dedicada ao seu hostel em Lisboa, antes de a pandemia ter afectado vários negócios na área do turismo. “O turismo passou a ser inexistente, e como estava inteiramente dedicada a isso, os meus rendimentos desapareceram de um dia para o outro”, conta. A morar em Algés, Rita começou a dar apoio ali na zona a pessoas de risco durante este período de isolamento, e mais tarde chegou a integrar equipas da Junta de Freguesia. 

“Durante esse período em que andava a ajudar algumas pessoas lá na freguesia, percebi que havia algumas que precisavam de alguém para passear os cães”, diz. Ainda que nestes tempos pareça que quem tem cães aproveita para dar mais passeios como desculpa para sair de casa, existem, no entanto, pessoas que não o podem fazer: ora porque são um grupo de risco e não podem mesmo sair, ora porque ainda trabalham e têm menos tempo. 

“Começou com uma senhora que eu ajudo, que tem esclerose múltipla, e que nesta altura não pode passear o cão. Já o consigo passear sem trela, e ela já me pediu algumas dicas para quando isto acabar conseguir fazê-lo”, conta. Foi a necessidade de dar resposta a esta população que fez surgir a Cãotrela. 

Este serviço recém-nascido – mas com planos de continuidade no futuro pós-quarentena – opera principalmente na zona da União das Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz-Quebrada/Dafundo, onde Rita mora, mas os passeios podem ir até um raio de 30 km, abrangendo assim já algumas zonas do centro de Lisboa.

Os passeios podem ser de meia hora ou de uma hora, sendo que na zona de Algés os valores são 6€ e 12€, respectivamente. Fora desse raio, até 30 km, os valores são de 8€ (30 minutos) e 14€ (uma hora). Se tiver mais do que um patudo em casa, podem ir todos passear por mais 3€ por cão. Se quiser um pack de passeios mensal também há – é falar com Rita. 

O Instagram é o maior meio de contacto para já: os passeios podem ser marcados por mensagem privada ou por email (caotrela@gmail.com), e é também por lá que vão surgindo fotos dos bichos que já fazem parte da comunidade e respectivas histórias. 

Rita fala também na falta de informação acerca da transmissão do vírus através dos animais de companhia. “Há muitas notícias e acho que às vezes as pessoas não sabem bem no que acreditar. Muita gente deixa o cão no jardim para não entrar em casa e transmitir ou simplesmente deixa de o passear”, diz. “Temos de combater esse tipo de comportamentos, e claro que nos passeios há sempre cuidados a ter. Quando regresso higienizo bem as patinhas que é fundamental – mas não são eles que transmitem o vírus”.

+ Leia aqui a Time In Portugal desta semana

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