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Fonte dos Anjinhos
Helena Galvão Soares

A Fonte dos Anjinhos voltou ao Rossio e já dá de beber

A emblemática Fonte dos Anjinhos foi a primeira de uma série de fontes históricas da cidade a ser recuperada pela Câmara Municipal de Lisboa.

Por Helena Galvão Soares
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Quantas pessoas são precisas para instalar a restaurada Fonte dos Anjinhos no seu lugar? Várias: três técnicos de restauro, uma arquitecta, dois calceteiros, um operador de grua, um coordenador camarário, que entre outras coisas foi ligar a água, um fotógrafo e dois polícias. E ninguém estava de mãos nos bolsos – nem sequer os polícias, que acompanhavam as movimentações com curiosidade.

E que utensílios serão necessários? Por incrível que possa parecer, vão de uma escova de dentes a uma grua. E passam por um escadote, chaves de fendas e de porcas, martelo de calceteiro, pá de pedreiro e brocha, tela plástica para proteger as peças quando são transportadas da grua, um tubo – que transporta a água até à coroa, passando  pelo interior oco de um dos anjinhos – e, muito importante, um nível de bolha. É este instrumento que garante a perfeita horizontalidade da fonte à medida que vai sendo montada: primeiro a base com a taça que recolhe a água que cai; depois cada um dos anjinhos; sobre eles, e a uni-los, a coroa; e a rematar, o chapéu, que sela a câmara de onde cai a água.

À conversa com a arquitecta Anabela Leal da Silva, dos Espaços Verdes da CML, ficamos a saber que a fonte foi retirada em Outubro de 2020, para um restauro em várias etapas, que levou seis meses e custou cerca de 12.500 euros. Foi um valor mais elevado do que seria habitual porque a peça teve de ser retirada do local, levada para as oficinas de restauro e trazida para ser implantada de novo no Rossio. “Com os próximos não há essa necessidade, podem ser restaurados in loco”, explica. Sim, porque este foi só o primeiro bebedouro de um programa de recuperação dos bebedouros antigos da cidade. O do bairro da Palma (Carnide) já está a ser restaurado e seguem-se o do Largo do Mastro (Campo dos Mártires da Pátria) e o das Laranjeiras.

Fonte dos passarinhos
Helena Galvão Soares

Corta-se agora o tubo de água à medida certa, o chapéu da fonte já vem a caminho, suspenso na grua, e é cuidadosamente poisado no topo da coroa. Afinam-se os últimos parafusos, verifica-se a bolha de nível e corrige-se aquele niquinho de inclinação que faltava para a horizontalidade perfeita. A água é ligada e começa a cair entre os anjinhos. A técnica de restauro afinca-se a limpar com uma escova de dentes uns últimos interstícios. Os colegas usam a água da fonte para retirar algum pó que ainda reste, para ficar tudo a brilhar. “Devia era vir chuva, isso é que era.”

Paramos todos em contemplação. “Missão cumprida”, diz a arquitecta. “Missão cumprida”, repete a técnica de restauro. Paira uma felicidade serena. Não é todos os dias que se conclui o restauro de uma peça centenária, devolvendo-a ao local a que pertence e a quem pertence – a todos nós. 

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